AVENTURA EXTREMA

Desafio na Rota da Morte, a estrada boliviana que atrai muitos ciclistas

Ciclistas enfrentam 65km na estrada construída nos anos 1930 para ligar La Paz à região de selva Yungas, abandonada depois da construção da rota asfaltada, aberta em 2007. Percurso de descida atrai os aventureiros

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postado em 03/07/2015 14:00 / atualizado em 03/07/2015 14:11

Wikimedia/Divulgação

Mais de 20 ciclistas já morreram na chamada Rota da Morte, que desce por mais de três quilômetros de uma área nevada dos Andes até a floresta tropical. O perigo, aliás, é parte da fascinação do passeio. Há também, claro, vistas impressionantes e quedas d’água cintilantes ao longo da sinuosa trilha de praticamente 65 quilômetros de lama e pedregulhos, que se apoia precariamente nas faces verticais da montanha. Mas é a tragédia eventual, como quando um ciclista calcula mal uma curva, que a Rota da Morte faz jus ao nome e faz dela uma das maiores atrações turísticas da Bolívia.


Três ciclistas, incluindo um guia, morreram desde janeiro de 2014 no local. Ainda assim, o tráfego de bicicletas na Rota da Morte cresce cerca de 5% a cada ano, segundo Mark Symons, guia da Gravity Assisted Mountain Biking, a maior operadora de passeios de bicicleta na Bolívia. Chegar ao fim “faz as pessoas se sentirem como se, de alguma maneira, tivessem enganado a morte”, diz o australiano Symons. “A publicidade serve bem para nós. Afinal, vivemos disso.”


Também vivem disso outras 30 companhias turísticas, com nomes como Loucura, Vertigem, Barracuda e Viúva Negra, que nasceram na capital boliviana, La Paz. Todos os dias, elas acompanham centenas de pessoas, em sua maioria estrangeiros, na Rota da Morte.


Bolivianos, alguns deles veteranos nas aflitivas viagens de ônibus pelo caminho, evitam esses passeios. “Eles apenas olham para você, com seu capacete e sua bicicleta, e dizem:’Você é louco!’”, afirma Marco Antonio Paco, boliviano, dono da agência Pro Downhill em La Paz.


A rodovia foi construída nos anos 1930, para ligar La Paz, cidade de grande altitude, com a região de selva conhecida como Yungas. O trabalho pesado foi feito pelos soldados paraguaios capturados durante a Guerra do Chaco, travada pelos dois países na desolada região da fronteira que, segundo o rumor (falso), teria grandes reservas de petróleo. Isaías Mattaz, 88 anos, um agricultor aposentado de Yungas, lembra-se de ter visto prisioneiros de guerra em uniformes verde-oliva cavando lentamente a rodovia. “Eles tinham picaretas e pás e nada mais”, conta Mattaz. “Era um trabalho terrível. Mas graças a eles temos essa rodovia.”


Durante décadas, a rodovia tinha suas próprias regras. A mais importante era dirigir do seu lado esquerdo. Isso permitia que os motoristas que desciam olhassem de fora de suas janelas, para ter uma visão melhor sobre quão próximos estavam do abismo. Em meio à neblina, à chuva e aos deslizamentos de terra, acidentes matam de 200 a 300 pessoas por ano. Notando o número de mortos em um estudo de viabilidade em 1995 por uma rota alternativa, o Banco Interamericano de Desenvolvimento apelidou o local como a rota mais perigosa do mundo.

Wikimedia/Divulgação

Onde ficar

Senda Verde, Animal Refugee e Eco Lodge (refúgio de animais que trabalha com voluntariado e oferece hospedagem e alimentação)

Hostal Tony

Agência especializada
A Late Bolivia organiza passeios de bicicleta pela Rodovia da Morte de dois dias, por US$ 315, incluindo transporte de La Paz/Yolosa, ida e volta; uma noite de acomodação em Coroico, bicicleta, equipamentos de segurança, guia (inglês/espanhol), entradas, dois lanches e um café da manhã. 

 

Para bicicletas

Uma rodovia pavimentada entre La Paz e Yungas foi aberta em 2007, tirando quase todo o tráfego de veículos dali e transformando, na prática, a Rota da Morte numa estrada para bicicletas, ainda que com algumas recordações macabras pelo caminho. O fato de que todo o percurso é de descida e a necessidade de pedalar é mínima atrai pessoas de diferentes físicos e habilidades. Alguns cometem erros, como apertar apenas o freio dianteiro, o que pode mandá-los pelos ares. Symons revela que as agências mais baratas fornecem bicicletas com problemas nos freios e afirma, ainda, que muitos dos problemas se devem a comportamentos estúpidos. Alguns turistas, segundo ele, aparecem para a descida depois de uma noite em claro de festa, de ressaca ou mesmo ainda bêbados. Outros correm como loucos. Ou aquele sujeito que colocou uma câmera de mão atrelada à bicicleta e, enquanto ajustava o visor, pedalou para fora da rota. Ele sobreviveu.

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