MARANHÃO

Cerrado cheio de histórias: Carolina tem, também, arquitetura colonial

Com taxa de ocupação de 90% durante todo o ano, a cidade de Carolina figura como a principal porta de entrada da Chapada das Mesas. A natureza do local é o principal atrativo para os turistas

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postado em 23/07/2015 14:59 / atualizado em 23/07/2015 15:16

Otávio Augusto , Especial para o Correio

Antonio Cunha/CB/D.A Press


Carolina, a cidade centenária do sul-maranhense, tornou-se nos últimos anos destino certo para os amantes de ecoturismo e esportes radicais. Distante 1,2 mil km de Brasília, o local tem 1,5 mil leitos para hospedar turistas. O balneário faz parte do Parque Nacional Chapada das Mesas e conta com 22 rios perenes. Por ano, o município recebe 80 mil pessoas.

Longe de ser apenas um aquífero, a região conta com vasta história, tendo participação em movimentos políticos significantes para o Brasil. Lá, foi construída a segunda hidrelétrica do país e a primeira da região Norte na década de 1940. Antes da urbanização, o local era habitado por índios Timbira, típicos do Maranhão. Além disso, a história da cidade guarda particularidades da época do coronelismo oligárquico.

Quem visita pode conhecer o mais novo ponto turístico, o Museu Histórico de Carolina, inaugurado há um mês. O turista saberá, entre outras particularidades, que a cidade já foi chamada de São Pedro de Alcântara, e rebatizada, em 1832, em homenagem à Carolina Leopoldina, primeira esposa de Dom Pedro I.

Por lá, a taxa de ocupação é 90% durante todo o ano. Os comerciantes não sabem o que é alta temporada, durante os 12 meses, os 1.530 leitos da cidade estão ocupados. O auge foi há cerca de três anos, após o empresariado e o governo local apostarem no turismo para trazer avanços, sobretudo econômicos, à cidade. A natureza preservada foi o grande atrativo.

Parque

A criação do Parque Nacional Chapada das Mesas, em dezembro de 2005, colocou os municípios de Carolina, Riachão e Estreito, no centro-sul-maranhense, no roteiro de viagens. As árvores do Cerrado e os paredões de rochas de arenito revelam o santuário de mais de 160 mil hectares. São 89 cachoeiras, mais de 400 nascentes de águas cristalinas, em uma das regiões mais belas do Brasil.

Em quantos tons de azul se faz o paraíso? Em Carolina, provavelmente em centenas. As piscinas naturais chamam a atenção pelas nuances das águas cristalinas. “É muito bonito ver um lugar tão preservado que proporciona a gente ficar em um contato tão próximo com a natureza. A energia aqui é impressionante, o som das cachoeiras seduz”, diz a professora mineira Jussara Ferreira de Almeida, 49 anos. Ela passou sete dias na cidade.

Antonio Cunha/CB/D.A Press


A guia turística Fernanda da Silva Castro trabalha há 9 anos na região. Ela garante que neste período o perfil do visitante mudou bastante. “Antes, recebíamos uma excursão a cada oito meses. Hoje, temos famílias, grupos de amigo e até mesmo estudiosos do meio ambiente”, afirma.

Para Nanda, como é conhecida por lá, o essencial é ter consciência ambiental para visitar o balneário. “Queremos um turista que entenda a relação dele com a natureza. Não é a nossa intenção destruir ou alterar o cenário da região, mas sim, contemplar o que o tempo se encarregou de criar para todos nós”, ressalta.

Chapada
A natureza e as formações rochosas são os principais atrativos para quem visita alguma das chapadas brasileiras. A mais recente é a Chapada das Mesas, criada há uma década em território maranhense. O relevo, característico nessas regiões, é considerado um dos mais antigos de todo o país e foi originado de abalos sísmicos ocorridos há mais de 500 milhões de anos atrás, segundo manuais de geografia. As chapadas mais conhecidas do Brasil são: a Diamantina, no interior da Bahia; a Guimarães, em Mato Grosso; e a Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Para saber mais

Índios maranhenses, os Timbira
Antes da colonização, Carolina era território dos Timbira, que era um conjunto de povos indígenas, como Apanyekrá, Apinayé, Canela, Gavião do Oeste, Krahó, Krinkatí e Pukobyê, tipicamente do Maranhão. Com a urbanização da cidade, a população foi reduzida, e as tribos remanescentes se espalharam pelo norte do país, sobretudo pelo Pará e Tocantins. Estima-se que, hoje, existam 8 mil índios Timbiras. Alguns costumes perpetuaram-se até os dias atuais, como pratos típicos à base de peixes e o artesanato.
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