MILÃO

Onde o mundo se encontra: um giro pela Feira Mundial em Milão, na Itália

Além da moda, a cidade italiana recebe, este ano, uma exposição internacional, que reúne 145 países, para exibir, em suntuosos pavilhões, ciência, tecnologia e cultura em torno de um mesmo tema: a alimentação

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postado em 06/08/2015 09:00 / atualizado em 05/08/2015 18:57

Lucas Vidigal , Especial para o Correio

Steffen Ringlau/Divulgação

Milão — Você se lembra daquelas feiras de ciência e cultura da escola, nas quais cada turma deveria expor aos pais um tema definido pelos professores? Agora, troque as salas de aula por pavilhões gigantescos, dignos de anuários internacionais de arquitetura. Cada um representa um país. É assim a Expo, ou Feira Mundial, que ocorre até 31 de outubro em Milão (Itália): uma boa pedida para quem visita a Europa na virada do verão para o outono no Velho Continente.

A alimentação aparece como tema da edição deste ano. A abordagem vai desde mostras sobre a culinária típica de cada país até soluções tecnológicas para resolver o problema da escassez de alimentos no planeta. Logo na entrada, o gigantesco Pavilhão Zero explica o mote da Expo 2015. Videowalls, esculturas, mapas e quadros contam a história da exploração da comida pelo homem, desde a Pré-História até a industrialização. Segundo o comitê organizador, os demais espaços devem exibir mostras ao menos relacionadas com o que há nessa abertura.

Claro que nem todos seguem o tema à risca. Algumas nações preferiram investir em propaganda estatal, do que em ciência, tecnologia ou cultura, como a Tailândia. Mas a ideia funcionou para a maioria. Ao todo, participam 145 países — inclusive o Vaticano, com um pavilhão temático que faz referência às frases bíblicas “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” e “não só de pão o homem viverá”.

O visitante deve gastar, pelo menos, dois dias para ver o máximo possível da Expo 2015 — e, mesmo assim, sairá com a sensação de que faltou passar por algum pavilhão. Para fazer o público gastar ainda mais tempo, há restaurantes espalhados por toda a exposição. É possível comer o melhor da cozinha de cada região italiana em uma unidade do Eataly, agora famoso no Brasil após abrir uma filial em São Paulo e, em poucos minutos, provar um lanche típico do Laos.

Steffen Ringlau/Divulgação

O tamanho dos pavilhões varia muito a depender do país, o que não significa que, quanto mais desenvolvida ou populosa a nação for, maior será a exposição. Angola, por exemplo, mostra uma interessante coleção de vídeos e objetos para traduzir a cultura angolana e os hábitos alimentares locais. Há até mesmo embalagens de industrializados, numa tentativa de mostrar o quanto eles estão integrados à indústria.

A Alemanha guarda um dos maiores espaços no Decumano, a passarela central do parque de exposições que recebe o nome das principais vias do Império Romano. Para não insistir na já conhecida culinária alemã, os expositores criaram uma mostra que fala de todo o processo do alimento, desde a fazenda até a mesa do almoço. Um surpreendente show interativo e musical, com o passeio de uma abelha por esse caminho,

encerra a visita. Mesmo quem decidir não entrar por causa das enormes filas — que são muitas — pode interagir com totens espalhados pelo local, que conta, inclusive, com um escorregador para ligar um andar ao outro.

Por falar em filas, prepare-se: entrar em alguns pavilhões rende longa espera, como no gigantesco da sede, Itália, ou nos luxuosos dos Emirados Árabes e do Qatar. Para aproveitar melhor o tempo e transitar por mais nações, vale procurar os clusters, que são áreas temáticas com exposições de diversos países sem tantos recursos para construir um prédio nababesco por apenas alguns meses. Cada um desses espaços trata de um tipo de alimento ou hábito de alimentação. Por exemplo, Costa Rica, Guatemala e Uganda expõem sobre o café, item básico de exportação nesses estados.

Steffen Ringlau/Divulgação

E o Brasil?


O pavilhão brasileiro, assinado pelo arquiteto Arthur Casas, ocupa uma generosa fatia de 3.674 metros quadrados na Expo. O espaço lembra uma ampla caixa de madeira. Dentro, há uma rede, mas informações sobre o significado dela são incertas: monitores (pouquíssimos brasileiros) diziam se tratar de uma teia de aranha. No entanto, o site oficial da exibição brasileira define a instalação como símbolo da “integração dos diversos atores responsáveis pelo protagonismo brasileiro na produção de alimentos”.

O desencontro sobre as informações fica ainda mais evidente quando o visitante tem dificuldades para entender do que se tratam as exposições — há poucos sinais ou placas. No térreo, uma bela coleção de plantas, flores e frutas características da história do Brasil.

Subindo a rede, vídeos interativos sobre a agropecuária do país. Para o brasileiro, pode não ser tão interessante fazer um lanche ou almoçar no restaurante do pavilhão: um mero saco de pães de queijo não sai por menos de 5 euros, quase R$ 18 com a cotação atual. Vale mais a pena se aventurar pela culinária das outras 144 nações. Sai caro do mesmo jeito, mas, ao menos, é a oportunidade de  provar alguma novidade.


Aproveite

  • Compre o ingresso válido para dois dias. Caso contrário, o dia terminará e você não terá visto nem metade dos 145 países
  • Fuja de filas. Apesar de o bom senso alertar que, se há muita procura, a oferta é boa, mais vale não perder diversas atrações escondidas em exposições de países pequenos do que pegar chuva, sol e ficar horas em pé
  • Leia a programação cultural. Todo dia há algo de diferente na Expo. De desfiles com as mascotes a shows musicais, sempre tem alguma coisa para se fazer entre uma exposição e outra
  • Planeje antes o que comer. Como o tema é alimentação, quase todos os pavilhões trazem ao menos uma lanchonete com iguarias de cada nação. Mas tudo é muito caro e tentador
  • Vá previamente informado. Infelizmente, a organização da Expo 2015 e mesmo os expositores pecam em não fornecer informações básicas, da localização dos banheiros ao significado de alguns itens à mostra

Árvore da Vida
Ponto de referência maior da Expo 2015, a Árvore da Vida é uma grande estrutura de 34 metros de altura, próxima ao pavilhão da Itália. Criada pelo designer Marco Balich, a torre simboliza as decisões tomadas pela humanidade e cada ramificação (ou galho) significa um impacto no futuro. Várias vezes por dia, a árvore se transforma em cenário de show com músicas, iluminações especiais e fogos de artifício.


Expo Milão 2015
  • Onde: Milão (Itália)
  • Quando: até 31 de outubro. Todos os dias, das 10h às 23h.
  • Preços: 32 euros (adulto), 29 euros (estudante), 25 euros (sênior), 5 euros (para visitas noturnas), 115 euros (temporada).
  • Como comprar: pelo site oficial do evento (www.expo2015.org)
  • Como chegar: de metrô, pela linha MM1 (parada na estação Rho Fiera Expo); trens urbanos da linha S, nacionais ou internacionais (também pela estação Rho Fiera Expo).
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