ENOTURISMO

Berço de tintos e rosés, a Espanha esbanja quantidade e qualidade

A Espanha produz alguns dos vinhos mais prestigiados do mundo. Dono da maior zona vitivinícola do mundo, o país tem clima e solo variados, o que contribui não só com a diversidade, mas com a qualidade dos rótulos nacionais

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postado em 16/08/2015 10:00 / atualizado em 16/08/2015 00:28

Fernando Bustamante/AP

A Espanha tem atualmente a maior área ocupada por vinhedos no mundo, zona que corresponde a grande parte da Península Ibérica. A variedade de solos e microclimas do país refletem nos diversos tipos de vinho encontrados por lá. Não por acaso, a região é a terceira maior produtora da bebida no mundo — com ênfase em tintos e rosés. Os espanhóis flertam com a bebida predileta do deus Baco desde a época em que os romanos dominaram a área. Há registros de que videiras são cultivadas por lá desde 4.000 a.C.

A região que, há mais de um século, é considerada a maior expoente na produção vitivinícola é Rioja — primeira a projetar a bebida espanhola no mercado mundial. Tradicionalmente, os produtores locais definiam a qualidade de seus vinhos pelo uso da madeira: o costume era deixar a bebida armazenada por longos períodos. A partir da década de 1970, a maceração passou a ser o processo mais demorado, e o estágio em madeira ficou mais curto. Nos barris, o carvalho americano passou a ser substituído pelo francês. Com isso, vinhos doces têm conquistado espaço.

Outra região de destaque é Mancha, famosa por conta do escritor Miguel de Cervantes, autor da obra Dom Quixote. No livro, há várias referências à bebida, entretanto, poucos sabem que essa é a maior área vitivinícola contínua do planeta, que abrange 182 municípios em quatro províncias: Albacete, Ciudad Real, Cuenca e Toledo. Segundo um provérbio local, o clima da Mancha é de “nove meses de inverno e três meses de inferno”. Devido à escassez de chuvas, as vinhas são plantadas de modo espaçado e crescem rente ao solo.

Encorpados

Por outro lado, a Cataluña, situada no norte da Espanha, é a região com maior número de Denominações de Origem Qualificada (DOs) do país. Há cerca de trinta anos, vitivinicultores migraram para lá e passaram a produzir tintos de estilo — quase negros, encorpados e concentrados — que acabaram por alcançar alto valor no mercado e atraíram investimentos para a região.

Ribera del Duero, provavelmente a mais importante entre as denominações espanholas, passou a ser conhecida há apenas vinte anos. Hoje, produz rosés a partir da uva granacha e, além disso, disputa a hegemonia dos vinhos tintos com a região da Rioja.

Luis Cañas/Divulgação

Bodegas Luis Cañas (Rioja)
luiscanas.com
Além dos passeios convencionais, a Luis Cañas oferece cursos como o de “Introdução a Degustação”, destinado a quem quer ter noções básicas para compreender e apreciar mais os vinhos. O curso de degustação e harmonização com chocolates, queijos e geleias atrai bastante público. Esses e outros cursos são ministrados a pequenos grupos, com agendamento prévio.

Finca Antigua/Divulgação

Bodega Finca Antigua (Mancha)
familiamartinezbujanda.com
A vinícola mescla tradição e inovação, a começar pelo edifício sede, feito de aço, pedra e cimento — exemplar genuíno da arquitetura de vanguarda. As visitas aos vinhedos começam com uma parada no mirante e seguem por uma rota guiada pelas instalações da bodega. Ao fim, os turistas degustam e conversam sobre os vinhos, produzidos em processo artesanal. Os passeios têm duração média de duas horas e custam por volta de 10 e 40 euros.

Abadal/Divulgação

Abadal (Cataluña)
es.abadal.net
A bodega oferece diversas atividades relacionadas ao universo do vinho: cursos de degustação, provas comentadas, visitas a vinícolas e passeios por florestas. Na visita guiada com degustação, o turista conhece uma adega datada do século 12 (localizada no porão do edifício sede), e o museu da indústria e dos transportes de vinhos — uma verdadeira turnê pela história da vitivinicultura na região.

Aalto/Divulgação

Aalto (Ribera del Duero)

aalto.es
Uma das poucas com visitas gratuitas, a Aalto oferece ao visitante um passeio completo pelo ciclo da uva na temporada de colheita. Os turistas podem conhecer a zona de recepção e seleção das uvas e o processo de prensagem. A melhor pedida é finalizar a caminhada nas zonas subterrâneas de envelhecimento, onde acontece a degustação dos rótulos da casa. O passeio tem duração média de 90 minutos.
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