ENOTURISMO

De Borgonha a Champanhe, a França dá um show de enoturismo

Os franceses são famosos por produzir os vinhos mais requintados do mundo e por oferecer aos visitantes degustações históricas: castelos e museus são só o começo

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postado em 19/08/2015 21:00 / atualizado em 21/08/2015 13:51

Bouvet-Ladubay/Reprodução


O vinho está inserido no cotidiano do povo francês e é motivo de orgulho e prestígio internacional. Se, no Brasil, o assunto recorrente é futebol e, na Inglaterra, as condições do tempo, na França, fala-se de comida e de vinho. O país lidera a produção mundial e ultrapassou a Itália no ano passado, de acordo com a Organização Internacional do Vinho (OIV). Estima-se que a fabricação esteja em torno dos 46,2 milhões de hectolitros — cada hectolitro equivale a 100 litros de vinho. A Itália é responsável por cerca de 44 milhões de hectolitros.



De Borgonha a Champanhe, a França tem mais de 15 regiões vitivinícolas e dezenas de denominações de origem. As uvas do país oferecem uma imensidão de aromas, cores e sabores aos enófilos mais exigentes. Tintos, brancos, rosés e espumantes — especialmente os champanhes — têm lugar garantido em terras francesas.

Bordeaux é a zona de vitivinicultura mais importante do país, apesar de o apelo turístico ser inclinado a Champagne. Bordeaux é responsável por rótulos míticos — os dos châteaux (como são chamadas as vinícolas por lá) da região do Médoc têm preços excepcionalmente altos, que podem passar 500 euros. O segredo está nos ingredientes: castas diversificadas e terra rica. Esses fatores dão origem a uma produção anual que chega a 700 milhões de garrafas.

Os vinhos de Bourgogne, por sua vez, provêm de um mosaico formado por 365 pequenas porções de terra. As propriedades, conhecidas como domaines, disputam hegemonia e preferência dos consumidores com Bordeaux. A variedade de sabores e aromas impressiona os visitantes: dos brancos aos tintos, as técnicas de vinificação e estilo são numerosas.

Bebida nobre
Conhecida como a bebida dos reis e rainhas, o champanhe é produzido na região de mesmo nome, no nordeste da França. O que faz a bebida especial é o fato de ela ser produzida estritamente à base de uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier. O sabor final é fruto da espera: um champanhe comum leva pelo menos dois anos para ficar pronto. Os especiais, até cinco anos.

 

O processo de envelhecimento acontece no subsolo das cidades, em túneis chamados crayères, que podem ter mais de 20 quilômetros de extensão. Além do vinho espumante, a região oferece aos visitantes belas planícies, museus, hotéis, restaurantes e igrejas históricas, como a catedral de Reims, cujos vitrais foram feitos pelo artista Marc Chagall em 1974.

Conhecida como “Jardim da França” e segunda maior produtora de espumantes do mundo, a zona do Vale do Loire se estende ao longo do Rio Loire, o maior do país. A beleza do lugar atraiu a realeza: durante os séculos 15, 16 e 17, foram construídos castelos e châteaux (propriedades de veraneio, à época). O gênio Leonardo da Vinci foi enterrado no Castelo de Amboise, um dos monumentos de lá.

 

Quando o assunto é vitivinicultura, alguns châteaux apostam nos detalhes: evita-se o uso de agrotóxicos, madeira e técnicas de correção de sabor mais modernas. Tudo é pensado para garantir o sabor genuíno das uvas. O Turismo preparou uma lista de vinícolas na França, que prometem encantar os sentidos dos enoturistas.

Ruinart/Reprodução

Maison Ruinart
ruinart.com
A cidade de Reims possui 110 crayères, cavernas subterrâneas para envelhecimento dos vinhos. Dessas, 24 pertencem à Ruinart — estabelecida em 1729. As visitas mais caras custam 40 euros. Ao fim do passeio, os turistas podem degustar champanhes brancos da safra de 1996, feitos a partir da uva chardonnay. É recomendável agendar o tour com pelo menos duas semanas de antecedência.

Bouvet-Ladubay/Reprodução

Domaine de Bouvet-Ladubay
www.bouvet-ladubay.fr
Localizada no Vale do Loire, a propriedade conta com 8km de túneis escavados na rocha: a um casamento entre tradição e tecnologia avançada. Líder em exportação de espumantes no Vale do Loire, a Bouvet-Ladubay faz produtos artesanais de luxo. Os passeios têm lotação máxima de 30 pessoas. Os visitantes aprendem sobre análise sensorial do vinho e tipos de taças.

Château du Tertre/Reprodução

Château du Tertre
chateaudutertre.fr
O negociante irlandês Pierre Mitchell não resistiu às belezas da região de Bordeaux, no século 18, e se estabeleceu por lá, dando origem ao château. Hoje, é possível fazer visitas temáticas à propriedade e entender o processo de fabricação do vinho desde a plantação até o engarrafamento. Os passeios custam entre 8 e 12 euros.

Château de Pommard/Reprodução

Château de Pommard
chateaudepommard.com
Dois castelos e uma plantação de 20 hectares: o local é destinado não só ao vinho, mas à arte. Hoje, o maior vinhedo privado da Borgonha, o Pommard produz, por ano, cerca de 100 mil garrafas de vinhos célebres, como o Grand Vin du Château de Pommard. As visitas ocorrem ao longo de todo o ano. Só é preciso fazer reserva caso o grupo tenha mais de oito integrantes.

 

Com informações de Rafaella Panceri

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