TAILÂNDIA

Além de enormes, são pintores: conheça o talento dos elefantes da Tailândia

Elefantes são um espetáculo à parte no país. Além de acrobatas, eles são grandes artistas. O trabalho artístico é muito valorizado. O quadro mais caro chega a custar US$ 39 mil

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/09/2015 14:00 / atualizado em 10/09/2015 14:09

Sukree Sukplang/Reuters - 10/11/2011

Antes de Alexandre, o Grande, invadir a Ásia, poucos europeus haviam visto um elefante. Na Antiguidade, eles foram armas poderosas nas frentes de batalha dos exércitos indianos, persas e cartagineses. Eram treinados para não temer estrondos e levavam um punhal na tromba. Nas patas, argolas de bronze para evitar o corte de seus tendões. Ainda hoje, esses espetaculares e inteligentes animais continuam a encantar o Ocidente. Na Tailândia, de filhotes a adultos, além de números de acrobacias, jogos de futebol, e uma impressionante cordialidade na interação com os turistas, eles pintam. E o fazem ao vivo e em cores, para que a plateia não duvide. Os quadros estão em exposição no Campo de Elefantes Maesa, em Chiang Mai, região norte do país, e o mais caro registrado no Guinness World Record Book custa 1,5 milhão de bahts (moeda tailandesa), o equivalente a US$ 39 mil.


Os métodos para adestrar esses animais herbívoros, que consomem em média 100kg de plantas e frutas por dia, são polêmicos. Denúncias de organizações internacionais de defesa dos animais, como a One Green Planet, sustentam que, após o nascimento, eles seriam separados das mães, passariam por maus-tratos destinados a quebrar o “espírito” da raça — processo denominado phajaan. Quando muito debilitados, alguns à beira da morte, os mahouts (treinadores) entrariam em cena para o acalento. Dedicação e alimentos fariam com que esses elefantes desenvolvessem uma relação emocional profunda com os seus “salvadores”, aprendendo, a partir daí, a aceitar o controle humano. Nas redes sociais, há um debate acalorado em torno de possíveis abusos a que estariam submetidos.

De grande atração turística, os elefantes que um dia guerrearam ainda hoje continuam a ajudar os povos do Sudeste Asiático. Famílias inteiras sobrevivem direta ou indiretamente da exploração do trabalho de entreter e encantar um público ansioso por conhecer e interagir com essa raça.

Durante a sessão pública de exibição das habilidades dos animais para a pintura, os mahouts se mantêm ao lado dos elefantes, aparentemente, limitando-se a inserir nas trombas os pincéis molhados em tintas. Com a folha em branco presa a um cavalete, eles se detêm um momento antes de dar pinceladas precisas. Quando termina a tinta, os mahouts voltam à cena para retirar o pincel, molhá-lo e devolvê-lo. Sob o olhar atento dos turistas, cinco animais pintam simultaneamente diante dos seus cavaletes. A primeira árvore de folhas verdes é concluída. O animal é aplaudido.

Pornchai Kittiwongsaku/AFP - 13/9/12

Outro elefante apresenta, em seguida, uma árvore com frutos vermelhos e, na sequência, a um terceiro cabe concluir uma planta florida. O quarto elefante desenha a própria imagem. E o quinto, mais lento, mantém o suspense uma plateia extasiada, principalmente constituída por europeus, chineses e americanos, que, em vídeos e fotos, registra estupefada e sob exclamações cada pincelada. Impressionista, esse último pequeno elefante se sai com uma sofisticada paisagem de montanhas.

Picassos
Os elefantes artistas tornaram-se uma atração de apelo internacional do turismo na Tailândia. Ganharam visibilidade a partir de 2003, quando algumas dessas pinturas foram exibidas no Kawamura Memorial Museum of Arts do Japão. Três anos depois, o grupo de oito elefantes do campo de Maesa — Kamsan, Kongkam, Wanpen, Punpetch, Duanpen, Songpun, Langkam e Au Pod — alcançou reconhecimento do Guinness Records pela pintura Cold wind, swirling mist and charming lanna 1, publicada na edição de 2006.

Estima-se que hoje cerca de 100 animais no país tenham sido escolhidos para desenvolver a habilidade. Alguns dos trabalhos são utilizados como estampas para a indústria da moda. No museu do campo Maesa, o professor Tossapol Petchrattanakool é o responsável pelo treinamento dos animais, considerados artistas.

Seriam criativos “Picassos”? Difícil dizer. O trabalho dos elefantes com as tintas e os pincéis parece resultar do treino na repetição de um padrão de marcação de pontos; quando necessário, é controlado pela discreta pressão da mão dos mahouts nas orelhas deles. Dessa forma, show após show, cada elefante produz um mesmo desenho, pelo menos até que seja treinado a fazer um outro. Sendo, ou não, uma habilidade nata, não deixa de ser impressionante o potencial e inteligência desses animais.

Fundado em 1976 com cinco ou seis animais “alugados” do povo Karen, o Campo de Elefantes Maesa destinava-se à visita de poucos turistas ansiosos por interagir. Aos poucos, a iniciativa atraiu gente do mundo inteiro e se expandiu com a notícia dos animais artistas: hoje, são 73 elefantes e cerca de 80 treinadores. O turista é envolvido por uma atmosfera da “selva” e, logo pela manhã, acompanha o banho dos elefantes num rio que corta a propriedade. Ao caminhar para o pátio do show, a tropa enfileirada pousa para fotos ao lado dos turistas, brinca e aceita de bom agrado as bananas oferecidas.

 

» Conheça

Entrada no país
Brasileiros em passeio até 30 dias não necessitam de visto para entrar na Tailândia. Entretanto, é exigido o comprovante internacional de vacina contra a febre amarela

Clima
A Tailândia tem um clima tropical, úmido e quente, com três estações —  temperada, quente e chuvosa. A melhor época para viajar é entre os meses de novembro e fevereiro

Língua
Tailandês. Mas, no geral, você conseguirá se comunicar em inglês

Capital
Bangcoc

Moeda
Bath tailandês (THB)

 

» Os campos
A maioria dos Campos de Elefante está na região norte da Tailândia, nas proximidades de Chiang Mai, entre eles o Campo de Mae Sa. Os ingressos para os shows podem apresentar variações entre os estabelecimentos. No Campo de Mae Sa, custam 200 bahts para adultos (cerca de US$ 6) e 100 bahts (cerca de US$ 3) para crianças. Já o passeio de elefante na floresta custa em torno de 800 bahts (cerca de US$ 23) para duas pessoas. É comum os mahouts que conduzem os elefantes serem gratificados ao fim do passeio. Em geral, a gorjeta gira em torno de 170 bahts (US$ 5). Para evitar picadas de insetos, use repelente. Proteja-se do sol.

 

Armas de guerra dos persas

Maesa Elephant Camp/Reprodução

Historiadores acreditam que teria sido na Batalha de Gaugamela — que significa a Casa do Camelo —, em 331 a.C., travada no Iraque entre Alexandre o Grande e Dário III da Pérsia, o primeiro contato de um exército europeu com os elefantes. Quinze animais postados ao centro das linhas persas causaram tamanha impressão nos soldados macedônios que, na noite que antecedeu a batalha, Alexandre o Grande prestou um sacrifício ao deus do medo (Phobos). Foi ali, naquelas areias, que o grande império persa sucumbiu.

Mas os paquidermes impactaram tanto o rei Alexandre que ele os incorporou ao próprio exército. Cinco anos depois, na Batalha de Hydaspes contra o rei Porus — atual região do Paquistão — Alexandre voltou a enfrentar 200 elefantes em batalha. Já os conhecia e sabia como lidar com aquela que, à época, era uma poderosa arma de guerra. Saiu-se novamente vitorioso.

São inúmeros os registros de elefantes na história militar da Antiguidade. Essa exploração intensa dos animais em confrontos quase provocou a extinção da espécie. Nas frentes de batalha havia preferência para a utilização de machos da espécie indiana. Graças ao sucesso nos embates, a estratégia se espalhou pelo mundo. Os sucessores de Alexandre o Grande, os diádocos, também usaram os elefantes em suas campanhas. Egípcios e cartagineses — os númidas e os kushitas — passaram a treinar elefantes da floresta do Norte da África — a espécie Loxodonta cyclotis —, que eram menores do que o da savana africana e mais fáceis de serem adestrados. Essa exploração quase extinguiu a espécie.

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.