CHAPADA DOS VEADEIROS

Para dar adeus à secura, aproveite este mês e vá nas cachoeiras da Chapada

Setembro é, normalmente, o último mês sem chuvas no DF e região. O momento é ideal para visitar cachoeiras e fazer trilhas. Apesar das primeiras gotas da última semana, ainda dá tempo

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postado em 19/09/2015 10:00 / atualizado em 18/09/2015 18:45

Laisa Queiroz /

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

Chega setembro e começa uma movimentação muito comum entre os brasilienses: todos reclamam incansavelmente da seca que se estende há meses e aguardam com ansiedade a chegada da primavera e, com ela, a temporada das águas. As primeiras chuvas, ainda fraquinhas, são um consolo para muitos, mas anunciam o fim da melhor época do ano para quem gosta de explorar o ecoturismo da região. Que tal aproveitar esses últimos dias para se refrescar nas águas de uma bela cachoeira?

Uma das melhores opções é a Chapada dos Veadeiros, que fica a 244 quilômetros de Brasília —   caso você vá para Alto Paraíso (GO). A região de Cerrado também compreende as cidades goianas de Cavalcante, Colinas do Sul, Engenho, São João da Aliança e Teresina de Goiás. São centenas de quedas d’água (públicas e privadas) à escolha dos visitantes.

Se você procura um ambiente mais tranquilo e, ao mesmo tempo, rústico, o ideal é se hospedar na vila de São Jorge —  que pertence ao município de Alto Paraíso e fica a 30km do centro da cidade. O local é pequeno, dá para fazer tudo a pé; as ruas não são asfaltadas e, normalmente, tanto o sinal do celular, quanto os dados móveis não pegam bem. Ideal para quem quer, realmente, se desligar.


Muito procurado por estrangeiros, tem dezenas de opções de hospedagem. Para quem quer mais conforto, o ideal é ficar em pousadas. Quem prefere economizar dinheiro e manter o espírito aventureiro pode escolher um camping —  dos mais equipados aos com pouca estrutura —  e acampar. Para aproveitar o tempo, vá de carro e saia de Brasília na sexta-feira à noite. Confira as sugestões do Turismo para curtir um fim de semana:

Sábado
É bom aproveitar o pique do primeiro dia para fazer uma trilha mais longa. Levante cedo e vá ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros —  evite o risco de o local já ter atingido a lotação ou de não dar tempo de fazer a trilha escolhida. O parque fica em São Jorge e é administrado pelo ICM-Bio. A entrada é gratuita e é possível escolher entre fazer trilha com ou sem guia.

Miguel Von Behr/Divulgação

A Trilha dos Saltos (siga as setas amarelas) é a preferida. Ela tem 11km de ida e volta e dura de 4h a 6h, dependendo do tempo que você fica em cada queda. Os visitantes passam por um belo mirante, de onde se vê um dos saltos do Rio Preto e depois podem tomar banho nas corredeiras. Outro passeio popular é a Trilha dos Cânions, com 12km, que dura mais ou menos o mesmo tempo que a primeiro. A sinalização é feita por setas vermelhas. Ali, você visita a Cachoeira da Carioca, uma das mais conhecidas da Chapada.

Ao sair do parque, dirija por 15km até as águas termais Morro Vermelho. As piscinas de água quente, em meio à mata, têm uma trilha de apenas 100 metros e são ideais para relaxar depois de um dia cansativo. Elas ficam em uma fazenda e a entrada custa R$ 20. Como o local funciona até 22h, experimente ir no fim da tarde e aproveite um banho em meio à natureza durante a noite. Na volta para São Jorge, pare o carro no meio do caminho (em um local seguro) por alguns minutos e observe o céu —  como não há luminosidade por ali, dá para ver, sem nenhum equipamento, boa parte da Via Láctea, dependendo da lua. Ao chegar à vila, faça um passeio pelas lojinhas de produtos artesanais e as barracas de bijuterias vendidas por muitos hippies pelas ruas. Por último, tome uma cerveja no Bar do Pelé e descanse para o dia seguinte.

Domingo
Faça o check-out e pegue a estrada que para Alto Paraíso. Em 10km, você vai encontrar a entrada para o Vale da Lua. A exótica formação de pedras arredondadas na cor grafite lembra, de fato, o cenário lunar. Para quem não gosta de caminhar muito, um bônus: são apenas 700m de trilha. A entrada custa R$ 20. Fique lá até meio-dia e volte à estrada. Você vai passar por um local místico muito famoso na região: o Jardim de Maytrea. A rodovia corta o local, povoado por morros e buritis. Pare o carro no acostamento e faça algumas fotos.
Breno Fortes/CB/D.A Press

Siga mais alguns quilômetros até a Fazenda São Bento. A propriedade conta com três cachoeiras para visitação, ao custo de R$ 30. A mais deslumbrante é a primeira, acessível após pouco menos de 1,5km de caminhada: a Almécegas 1. São dezenas de quedas seguidas que totalizam uma altura de 50 metros. Há dois mirantes para observá-la e é possível descer até a base. Para quem gosta de nadar, esse é o melhor local, devido à maior profundidade. Mas ali, a água é muito gelada. Nas piscinas, no topo da cachoeira, onde a exposição ao sol é maior, a temperatura é mais agradável. Se ainda tiver pique, visite a Almécegas 2 ou a Cachoeira São Bento. Depois do passeio, pare em Alto Paraíso para fazer um lanche e abastecer o carro. Pronto! Você voltará para Brasília com a energia renovada, a tempo de trabalhar na segunda-feira, e preparado(a) para esperar a temporada de chuvas intensas.

 

Onde ficar

Pousada Pôr do Sol

  • São vários chalés de tamanhos diferentes, mas todos com uma rede na varanda para relaxar. A pousada tem wi-fi. Os destaques vão para o excelente café da manhã, que inclui um delicioso pão caseiro de abóbora e a simpatia dos funcionários.
  • www.pordosol.tur.br
  • Tel: (62) 9667-9534
  • Endereço: Rua 2, Quadra 2, Lote 1 - São Jorge
  • Preços para os fins de semana: R$ 185 por casal para o chalé, com café da manhã incluso

Camping Taiuá
  • É, de longe, o local mais charmoso da vila. A área comum tem casas nas árvores (com colchões para deitar e observar o céu), um espaço para meditação que lembra uma pirâmide, cozinha, banheiros e lanchonete (que serve até marmitas). Você pode levar a sua barraca, alugar as do camping —  eles deixam a barraca montada, com colchões e roupas de cama à espera dos clientes —  ou ainda ficar em um chalé ou suíte da propriedade. Não tem café da manhã incluso. Destaque para os shows promovidos pelo Taiuá, que são abertos para quem não é hóspede.
  • E-mail para reservas: campingtaiua@gmail.com
  • Tel: (61) 9822-9666
  • Endereço: Rua 6, Quadra 8, Lote 2 - São Jorge
  • Preços para fins de semana: R$ 50 por pessoa no camping; R$ 65 por pessoa no camping para alugar uma barraca da propriedade; R$ 160 por casal na suíte simples; R$ 190 por casal para a suíte master; R$ 185 por casal para o chalé.

Laísa Queiroz/CB/D.A Press


Roteiro das cascatas

Alto Paraíso/São Jorge

  • Cachoeira do Segredo
  • Raizama
  • Morada do Sol
  • Abismo
  • Loquinhas
  • Cataratas dos Couros
  • Cachoeira do Rio Cristal

Cavalcante
  • Poço Encantado
  • São Bartolomeu
  • Véu de Noiva
  • Veredas
  • Barroco
  • Rio Prata

Siga tranquilo
Alguns cuidados são importantes na hora de fazer uma trilha:
  • Tome um café da manhã reforçado
  • Leve bastante água, comidas leves (frutas, castanhas, biscoitos), protetor solar e repelente. Evite excesso de peso, pois terá que carregar tudo por muito tempo
  • Use uma roupa confortável e fresca, tênis e boné ou chapéu. Só use chinelos em trilhas muito curtas e fáceis, como a do Vale da Lua
  • Leve um saco para trazer o lixo de volta

 

De um azul exuberante

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

Depois de Alto Paraíso e da vila de São Jorge, a cidade que mais atrai turistas na Chapada dos Veadeiros é Cavalcante (GO), 90km mais distante. Para quem pode ficar apenas o fim de semana, o ideal é escolher entre uma cidade ou outra. Quem optar por Cavalcante deve visitar as duas cachoeiras pertencentes ao território dos Kalunga. O povoado goiano, localizado no Engenho 2 (é aconselhável parar no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) para perguntar como chegar), representa o maior quilombo do Brasil.

Fundada por ex-escravos há cerca de 300 anos, a comunidade só teve contato com o mundo exterior (e descobriu que a escravidão havia sido, oficialmente, abolida) há pouco mais de 30 anos. Conversar com os moradores já é uma experiência cultural e histórica muito interessante. Além disso, quem vai até lá tem o privilégio de conhecer uma das cachoeiras mais exuberantes da Chapada: a Santa Bárbara. Famosa pela água azul (ressaltada pelo fundo bem claro) é um cenário paradisíaco que surpreende até os turistas mais exigentes. Conheça a também incrível Cachoeira da Capivara. Com uma queda e um poço maiores e água esverdeada, é a melhor para banho.

Cada visitante paga R$ 20 para conhecer as duas quedas d’água, mais R$ 70 pelo guia obrigatório (o valor pode ser dividido entre várias pessoas, dependendo do tamanho do grupo). O ideal é visitar a Santa Bárbara primeiro, já que ela fica no meio de paredões e recebe pouco sol. Por volta das 11h30, ela fica mais iluminada. Depois, vá à Capivara e nade à vontade o resto do dia. Para chegar de carro o mais próximo possível, o ideal é ter um veículo alto com tração nas quatro rodas —  para conseguir atravessar poças de água relativamente fundas no caminho. Mas dá para ir a pé, sem muita dificuldade: são cerca de 6km em uma trilha plana.

Antes de fazer o passeio, ainda na recepção, deixe seu almoço (que você pode marcar para o fim da tarde) reservado. Os Kalunga produzem os próprios alimentos, livres de agrotóxico. A comida caseira é simples e muito saborosa. Aproveite para passar na lojinha e levar alguns deles (como arroz e feijão) para casa. Destaque para o doce de abóbora.

Amanda Rodrigues/Divulgação
 

 

 

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