VIDA MARINHA

Baleias do SeaWorld vão ganhar tanques com o dobro das dimensões atuais

Parques do SeaWorld, nos Estados Unidos, ganham tanques maiores para melhorar a vida dos animais e recuperar a simpatia dos turistas, depois de amargar fortes prejuízos

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postado em 25/09/2015 19:00 / atualizado em 25/09/2015 15:57

Gustavo Perucci

SeaWorld/Divulgação

Um projeto ambicioso vai dobrar o tamanho dos tanques que abrigam as orcas nos três parques do SeaWorld. Batizado de Blue World, a iniciativa tem o objetivo de fortalecer a imagem do cuidado da empresa com seus animais e melhorar a experiência dos visitantes dos parques. O primeiro a receber o novo hábitat será o de San Diego, na Califórna. Com um volume total de 38 milhões de litros de água — quase o dobro do atual —, e 16 metros de profundidade, o novo tanque terá área de superfície de 6 mil metros quadrados, com mais de 106 metros de comprimento. Um vidro com 12 metros de altura proporcionará uma bela visão aos turistas, e será a maior área para observação subaquática de orcas do mundo.

Com previsão de conclusão das obras em San Diego para 2018, o novo hábitat promete proporcionar uma vida melhor aos animais. Um dos recursos previstos no projeto é uma corrente de águas rápidas, que fará com que as orcas nadem contra o fluxo da água, ajudando-as a desenvolver a agilidade. Estão planejado investimentos na área de reprodução e cuidados dos animais, facilitando o acesso dos treinadores e veterinários. Como parte do projeto Blue World, o SeaWorld disponibilizou US$ 10 milhões a iniciativas de preservação às baleias que estão na natureza.

O SeaWorld sofreu alguns duros golpes em sua reputação nos últimos anos que chegaram, inclusive, a afetar o movimento e o lucro de seus parques. E a proposta da empresa para recuperar simpatia e credibilidade vem por meio de uma intensa campanha de marketing, que tem como objetivo abrir e dar publicidade ao trabalho e às pesquisas realizados pela empresa em mais de 50 anos de existência. Segundo maior mercado dos parques em venda de ingressos pela internet, atrás somente do Reino Unido, o Brasil também é um importante foco das ações de reconquistar o público da rede.

SeaWorld/Divulgação

Em agosto, o grupo anunciou uma queda de 84% nos lucros do segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. A explicação (decréscimo de US$ 37,4 milhões, em 2014, para US$ 5,8 milhões, em 2015) se dá, além da queda de 1,6% no público e diminuição do faturamento, pelo aumento dos gastos com marketing.

Show
Primeiro foi a morte da treinadora Dawn Brancheau, em 24 de fevereiro de 2010, após ataque da orca Tilikum, durante uma apresentação no parque de Orlando, na Flórida. Depois, toda a repercussão negativa do documentário Blackfish, de 2013, dirigido por Gabriela Cowperthewaite, que, por meio do acidente com a adestradora, questiona as condições e as razões de se manter esses animais em cativeiro. Grupos de defesa dos direitos animais aproveitaram o momento e também voltaram suas forças contra os parques do grupo.

A transparência foi a forma encontrada para rebater as críticas. Reforçar a conscientização que o contato com animais gera nas pessoas foi um dos argumentos apresentados pela veterinária brasileira Gisele Montano, do centro de pesquisa de reprodução do SeaWorld Parks & Entertainment, em evento realizado em Belo Horizonte (MG). “O show é muito importante, porque o expectador sai das apresentações apaixonado pelos animais. Mas também é bem importante para a própria orca, o exercício físico e estímulo mental são cruciais para o bem-estar dela”, explica.

SeaWorld/Divulgação

Desde o acidente que resultou na morte da treinadora Dawn Brancheau, não é mais permitida a interação dos adestradores com as orcas durante as apresentações. “O novo show foi montado de uma maneira bem flexível, deixando o ambiente bem estimulante para as orcas. Se uma delas não está se sentindo bem ou não quer participar, não a obrigamos. E não existe nenhum tipo de castigo ou punição.”

Preservação
A rede de parques reforça a visibilidade de suas ações de cuidados e preservação da vida selvagem. Nesses 51 anos de existência, já foram resgatados e recuperados mais de 26 mil animais. Todos passam por um processo de reabilitação e, depois, são devolvidos à natureza. Uma pequena parcela desses animais, sem condições de serem reinseridos em seu hábitat, ficam sob os cuidados do parque.

Outra ação importante do grupo é o Fundo de Preservação do SeaWorld e Bush Gardens, que apoia, por meio de aporte financeiro, organizações de preservação animal em ambientes selvagens. Criado em 2003, o fundo já gerou US$ 11 milhões em doações para mais de 800 organizações pelo mundo. No Brasil, o projeto Tatu-Canastra, que atua no Pantanal, foi um dos beneficiados.
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