ENOTURISMO

Mesmo com a popularidade do saquê, japoneses apostam no vinho nacional

Harmonizado com pratos da culinária japonesa, o vinho tenta conquistar espaço no mercado nacional. Em cidades como Tóquio, ele é aliado da bebida tradicional à base de arroz

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postado em 27/09/2015 10:00 / atualizado em 25/09/2015 15:54

Koshu of Japan/Reprodução

Condições climáticas difíceis ao sul, invernos longos e intensos ao norte, dificuldade de irrigação, solo ácido e alto custo de produção. Erguer um vinhedo no Japão parece impossível, mas não é. A saída encontrada pelos produtores é investir em uvas híbridas. O resultado são vinhos tão bons quanto os importados — entre eles, alguns de classe superior (sémillon, chardonnay, cabernet, merlot e koshu). Quem visita o país oriental em busca dos sabores do sushi não deve perder a oportunidade de degustar vinhos. Restaurantes especializados oferecem dicas de harmonização com qualquer prato típico.

O aumento no consumo de vinho no Japão começou na década de 1980, com a chegada do rótulo francês Beaujolais Nouveau ao país. Dez anos depois, os responsáveis por incitar a comercialização da bebida foram os anúncios que divulgavam os benefícios de beber vinho tinto. Embora o saquê (bebida fermentada à base de arroz) seja o preferido de muitos japoneses, em cidades cosmopolitas como Tóquio, a preferência por vinhos é superior, se comparada a localidades mais afastadas e tradicionais.

Situado a oeste de Tóquio, o templo Daizenji, em Katsunuma, é o lar espiritual do vinho japonês. Diz a lenda que um monge interessado no poder curativo do fruto da videira plantou as primeiras mudas do lugar no século 8. Apesar de antiga, a fabricação sempre foi voltada para uvas de mesa. O país produz cerca de 80 milhões de litros por ano, em mais de 110 vinícolas. O distrito de Katsunuma merece destaque, pois responde por 27% do total. Também há vinhedos em Nagano (a oeste de Katsunuma), em Yamagata e em Hokkaido.

Katsunuma também é famosa pelas plantações de uvas, pêssegos e ameixas. Em outubro, turistas vão ao local para participar da colheita. O Turismo selecionou vinícolas japonesas onde é possível degustar vinhos de personalidade.

Château Mercian/Reprodução

Château Mercian
Essa é uma das cinco marcas que dominam o mercado japonês de vinhos. Lançada em 1949, a Mercian foi uma das primeiras a se afirmar como autêntica representante do vinho nacional. Nos vinhedos, o passeio é clássico: um pouco de história ilustra as etapas de fabricação da bebida dos deuses — da fermentação ao engarrafamento. Há edições limitadas que podem ser adquiridas apenas na adega da vinícola.

Panoramio/Reprodução

Marufuji
A vinícola oferece um leque de experiências aos visitantes. Em meados de abril, é possível deliciar-se com os pêssegos espalhados nos arredores da propriedade. A Marufuji oferece o concerto Rubaiyat toda primavera. Durante a festa, os convidados experimentam os vinhos feitos um ano antes, acompanhados de pratos caseiros. Aproveite para conhecer o Rubaiyat Koshu, vinho branco feito a partir da casta de uva genuinamente japonesa, a koshu.

Wine Terroirs/Reprodução

Château Lumière
A propriedade está em Yamanashi há 130 anos e é conhecida por fornecer vinhos de alto padrão. A produção anual chega a 300 mil litros de vinho — todos são feitos com o método tradicional de produção do champanhe, com duas fases de fermentação. Seja no restaurante, seja na adega, peça o tinto Lumière Histoire. Ele leva mais tempo para envelhecer nos barris: cerca de 29 meses.
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