Mistura de chocolate e carimbó que chama a atenção de grandes chefs

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postado em 07/10/2015 18:56 / atualizado em 07/10/2015 18:55

Isa Stacciarini

Ana Lee/Divulgação

No Norte do país, a produção de cacau transforma o Pará no segundo estado de referência nacional em chocolate. Em Belém, cidade que completa 400 anos em 2016, a amêndoa da fruta promove o turismo, o desenvolvimento, a agroindústria, a gastronomia e as oportunidades de negócio para a cidade de 2,4 milhões de habitantes. A presença forte do cacau demonstra que, assim como o açaí, o cupuaçu, a castanha e o bacuri, as amêndoas também se tornaram marca registrada do estado.

 

A produção da fruta no Pará só perde para a Bahia. Enquanto no Norte são 100 mil toneladas de cacau por ano, que representam quase 31% de toda a produção nacional, no Nordeste do país o índice chega a 60%. Uma explosão de sabores de chocolate que variam o teor de cacau de 30% até 100% da fruta. Quanto maior a porcentagem, mais puro o produto.


Produtores e empreendedores apostam no chocolate como estímulo e visão de mercado. Na contramão da crise financeira, eles investem em inovações, beleza, produtos diferenciados, boa qualidade e misturas que se transformam em prazeres. A partir do cacau surgem ideias que unem frutas e comidas típicas da região. O resultado é pasta de chocolate com castanha-do-brasil, chocolate com cupuaçu, coco, nibs e geleia de cacau. A folha da planta também é aproveitada, utilizada para decoração e na gastronomia.


Essa é a filosofia do master chef e sommelier Fábio Sicília, que começou no mundo do chocolate em 2004. Há 11 anos ele percebeu que o paraense não reconhecia o cacau como o açaí. E decidiu investir no mercado. No ano passado criou a marca Gaudens. “É um nome que leva ao prazer. E nada como o chocolate para receber esse registro. A inspiração é em um mercado de luxo, exclusivo e personalizado”.


A proposta de Fábio é lançar coleções. A preocupação é focar na qualidade. Por isso, o objetivo é fazer chocolates com o mínimo de 50% de cacau. “Vamos investir em um mercado exclusivo, que mescle sensualidade e sexualidade. É o caso de chocolate com queijo Marajó, chocolate com jasmim, mel, menta. Vamos desenvolver coleções que expressem um perfil sexual. A intenção é criar conceitos novos”, destacou.


A empresa surgiu na terceira edição do Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia e a 13ª edição do Festival Flor Pará que ocorreu em setembro em Belém. O evento explorou a tríade chocolate, flores e joias.

Ana Lee/Divulgação

Flores comestíveis
Dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) revelam que, anualmente, a área cultivada de cacau no Pará cresce 13% e a produção aumenta 10%. A maior parte da produção, cerca de 80%, é de agricultores familiares.


 E não são só o chocolate e as frutas da terra que transformam a vida dos moradores de Belém. As flores incorporam o trabalho dos paraenses. Julieta Saito, 72 anos, quis investir no mercado. “Quando comecei a pesquisar, vi que a maioria das plantas da região amazônica são comestíveis”, explicou. “Gosto de floresta há muito tempo. O lugar sempre foi a minha distração. Em lugares como Estados Unidos, China, Japão e até mesmo São Paulo já é prática consumir plantas alimentícias não convencionais”, contou.  (IS)

 

Festival

O terceiro Festival Internacional do Chocolate e Cacau e a edição 13ª Flor Pará 2015 reuniram a trilogia da sedução: chocolate, flores e jóias. O evento recebeu a visita de 25 mil pessoas, de 17 a 20 de setembro, e contou com exposição de marcas de chocolate gourmet, expositores de flores tropicais cultivadas na Amazônia, ciclo de palestras, rodadas de negócios, workshops, concursos, desfile de jóias fabricadas no Polo Joalheiro do Pará, atrações culturais, atividades para crianças e um circuito gastronômico que uniu alguns dos melhores restaurantes de Belém que fazem parte da Associação Brasileira de Restaurantes (Abrasel).

 

 Premiado

O empresário Alex Atala, proprietário do restaurante D.O.M., em São Paulo, ficou conhecido em todo o mundo a partir de 2006, quando foi eleito omelhor chef do ano, pelo Guia Quatro Rodas. Em 2013, foi indicado em sexto lugar na lista dos 50 melhores restaurantes da América do Sul.

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