BELÉM

Círio de Nazaré: a festa da devoção à Virgem que atrai milhares de turistas

No segundo domingo de outubro, milhares de pessoas acompanham a procissão da Virgem, numa festa de fé e tradição, por quatro quilômetros, até a Basílica: religiosidade é característica do paraense

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postado em 07/10/2015 18:57 / atualizado em 07/10/2015 18:55

Ana Lee/Divulgação

Um dos pontos fortes da cultura paraense é a religiosidade, em especial a cristã, que movimenta grande parte do mercado turístico do estado. É o caso da tradicional festa católica que há 222 anos é comemorada no segundo domingo de outubro: o Círio de Nazaré.


O secretário de Turismo do Pará, Adenauer Goés, afirma que o período do Círio de Nazaré é o principal evento da capital. Segundo ele, 84 mil turistas de fora do estado chegam a Belém durante o período festivo, com o objetivo de acompanhar a procissão em homenagem à Virgem de Nazaré, que reúne cerca de 2 milhões de pessoas, em um percurso de quatro quilômetros desde a Catedral Metropolitana até a Basílica de Nazaré. “Belém é referência em turismo religioso, ambiental e ecoturismo, além do turismo cultural. O visitante é todo aquele que vem ao estado do Pará e agrega valor”, ressaltou.
A capital paraense respira tradição, cultura e história. Na praça dom Frei Caetano Brandão, no bairro Cidade Velha, espaços culturais são um polo de visitação. Turistas e moradores aproveitam para conhecer as tradições. Cada um deles carrega a memória e a história de antepassados. Os detalhes permitem aos visitantes uma viagem no tempo.


O Complexo Turístico Feliz Lusitânia é uma das referências no turismo do Pará. O local abriga o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, o Forte do Presépio, a Igreja de Santo Alexandre, hoje transformada em Museu de Arte Sacra, e a Catedral Metropolitana de Belém — todos abertos à visitação. Além deles, há o tradicional Espaço São José Liberto, onde fica o Polo Joalheiro de Belém.


Erguida no século 18, a Casa das Onze Janelas é símbolo de beleza e um marco na história da urbanização de Belém. O espaço, que tem 11 janelas apenas na fachada (e, por isso, a origem do nome), foi comprado de um rico proprietário de açúcar, Domingos da Costa Bacelar, para a instalação de um hospital. Funcionou como unidade de saúde por 20 anos, mas depois foi usado como depósito de armas e munição pelas Forças Armadas. Em 2001, o Governo do Estado do Pará e o Exército Brasileiro assinaram um convênio para a alienação em favor do estado. Hoje serve como espaço cultural para artes modernas e contemporâneas, além de ser usado por casais de noivos e formandos como cenário para fotos e filmagens.


REUTERS/Paulo Santos

Fósseis
No Museu Forte do Presépio, localizado no mesmo complexo, há exposição de artesanato da Amazônia, como cerâmicas Marajoaras. Os objetos espalhados pelo local tratam-se de peças construídas ou utilizadas pelo homem na Amazônia. O espaço cultural é dividido em antes e após a colonização. Segundo o artista visual Sancler Gonçalves Dias, que trabalha no local como educador há 10 anos, o museu nasceu a partir de experiências arqueológicas feitas no espaço.


“Quando escavaram, encontraram dois fósseis de tartaruga com carvão e pedaços de cerâmica. Os objetos aqui expostos tratam do que era utilizado pelo homem da Amazônia seis mil anos antes dos nossos dias. O que resistiu ao tempo foram as pedras. Existem, ainda, as gravuras deixadas por colonizadores”, contou. O espaço funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h. O valor da inteira custa R$ 4 e a meia, R$ 2.


A igreja de Santo Alexandre é hoje utilizada como museu onde há, inclusive, objetos de arte contemporânea. Construída em 1850, o espaço era utilizado por padres jesuítas. Primeiro, o local teve função de igreja, com colégio e aposentos para os religiosos. Na década de 1950, acabou fechada e permaneceu sem atividade por 40 anos, até o governo firmar convênio para transformá-la em museu. O estilo barroco predomina na arquitetura com altares parentais cobertos com folha de ouro. A mão de obra principal para a construção dos detalhes foi a indígena. Hoje o local não tem mais função paroquial serve como museu e espaço cultural, mas pode ser alugado para eventos como casamentos. No interior do espaço, os pontos que contam os dogmas da igreja católica são iluminados.


O espaço São José Liberto atrai pela diversidade. Ele abriga o Museu de Gemas do Pará, o Laboratório Gemológico, o Coliseu das Artes, a Casa do Artesão, além de lojas, uma capela e o jardim da liberdade. O espaço funciona desde 2002 como ponto de visitação, inclusive como acervo arqueológico e histórico.

 

Encontro da fé
No ano de 1700, um morador encontrou uma imagem próximo a um igarapé e levou-a para casa. Depois de limpá-la, colocou-a em um pequeno altar. A imagem da santa, no entanto, voltou — inexplicavelmente — ao igarapé (localizado onde hoje é o fundo da Basílica de Nazaré). O resgate e a volta ao igarapé ocorreram por diversas vezes, até que a história se espalhou e a população corria até o local, onde foi erguida uma ermida, para render graças à santa. Em 1974, a imagem foi levada a Portugal para ser restaurada e, na volta, foi recebida pelos fiéis, que a acompanharam do porto até a igreja. Desde então, criou-se a tradição da procissão, que foi considerada o primeiro Círio.

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