RIO GRANDE DO SUL

Alimento para a alma, as uvas da Serra Gaúcha caíram no gosto do turista

Foi-se o tempo em que o vinho ficava restrito ao consumo dos padres, boêmios ou dos que conseguiam pagar por uma boa garrafa. A produção nacional oferece qualidade e opções para todos os gostos e bolsos

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postado em 14/10/2015 18:30 / atualizado em 14/10/2015 16:04

Bernardo Bittar /

Alfredo Duraes/EM/D.A Press - 19/8/14

Chegando ao Rio Grande do Sul, coloque o pé na estrada. Independentemente do que você gosta de beber, de quem quiser ver e do quanto puder gastar, na rota do vinho tem pra todo mundo. São municípios vizinhos da capital, Porto Alegre, onde tudo gira em torno das uvas, muitas delas desenvolvidas há décadas por imigrantes que vieram ganhar a vida no Brasil, e, claro, das bebidas produzidas na região. Trata-se, hoje, de uma espécie de show business enológico. E, tão bem amarrada quanto a indústria do entretenimento norte-americana, consegue apresentar deliciosos produtos para diferentes paladares.

 

Com as malas desfeitas, Bento Gonçalves é o lugar para começar. Lá, existem charmosas vinícolas familiares abertas ao público, incluindo grifes maiores, como a Miolo e a Salton, além da propositalmente reduzida Dal Pizzol. Na sequência, se o itinerário permitir, vale experimentar rótulos borbulhantes em Garibaldi, onde funciona a tradicional produtora de vinhos Peterlongo, a única brasileira autorizada a dizer que faz champanhe no país. Em Pinto Bandeira, encontramos cave da família Geisse, especializada em espumantes — vendidos em restaurantes estrelados mundo afora —, a cooperativa Aurora e o restô-hotel Don Giovanni.


Além de descarregar os cachos de uva, as vinícolas desenvolveram maneiras inusitadas de encher as taças dos visitantes. Nos endereços citados, por exemplo, há programação (algumas, inclusive, gratuitas) diária para os turistas. Muitas vezes, os funcionários bilíngues são chamados para atender estrangeiros. A todo momento, guias turísticos ou enólogos fazem questão de não apenas demonstrar os itens produzidos na região, mas também divertir quem se dispõe a fazer essa incursão etílica.

 

Tanto reboliço para atrair turistas se deve, em parte, à tensão que produtores dizem enfrentar na tributação dos vinhos. “Pagamos muitas taxas para vender no Brasil. Por isso, a indústria se desenvolveu tanto”, informou o empresário Rinaldo Dal Pizzol, proprietário da Dal Pizzol. “Vinho não é apenas alimento ou produto de diversão. É, sim, um produto que fortalece nossa alma”, declarou.

Shirley Pacelli/EM/D.A Press - 19/8/14

Além de boa vontade, é possível experimentar cerca de 10 mercadorias, incluindo sucos, por empresa, fazendo os passeios mais exclusivos, como visitas às adegas, museus de vinho e trilhas enológicas. A conta pode ficar ainda maior se forem incluídos almoços e degustações guiadas. Muitos espaços têm sua própria sala de experimentação, e há vinícolas que, mediante combinação prévia, ensinam o visitante a criar seu próprio rótulo. Ele é produzido em escala reduzida e ganha vida a partir de assamblages (misturas) de vinhos-base.

» O repórter viajou a convite da Associação Brasileira de Enologia

 

Alfredo Duraes/EM/D.A Press - 31/3/14

Quatro estações

Por causa do clima imprevisível, algumas opções de lazer ocorrem dentro das próprias caves. Embora seja possível adiantar-se à chuva olhando a previsão do tempo na internet, São Pedro costuma pregar peças e desafiar a meteorologia. Eventualmente, em um único dia, a sensação é de ter presenciado as quatro estações. Embora seja incômodo para quem saiu do hotel sem o casaco em mãos, é exatamente por conta desse clima que as uvas ficam tão saborosas e têm tanta facilidade em sobreviver.

 

Curiosidade

Quase 90% das empresas vitivinícolas brasileiras estão localizadas na região. O levantamento é do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), cujos cálculos apontam que, apenas este ano, houve aumento de 16% na safra de 2015

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