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Templo das árvores: a beleza dos monumentos invadidos pela natureza

Em Ta Prohm, a natureza interagiu com a construção. Troncos gigantescos se incorporaram às paredes de pedra, tornando-se parte do monumento que impressiona e encanta quem visita a cidade

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postado em 29/10/2015 15:56 / atualizado em 29/10/2015 15:56

Bertha Maakaroun

Isachenko/Divulgação

De repente você será transportado para o mundo milenar de Brahma, que se mistura com as entranhas da natureza sob a forma de poderosas raízes de gigantescas Tetrameles. Ta Prohm, um monastério budista do século 12, em Angkor, foi erguido no reinado de Jayavarman VII para homenagear a “mãe do rei”. Em sânscrito, a descrição de seu esplendor está em uma estela de pedra: havia 3.140 vilas em seu entorno, 79.365 pessoas se encarregavam de sua manutenção, entre as quais 18 sacerdotes, 2.140 oficiais, 2.202 assistentes e 615 dançarinas. Foi sepultado lentamente pela selva à proporção em que o Império Khmer definhava.


No topo de um morro, o complexo do tempo é formado por um conjunto de prédios de pedra circundados por um muro retangular de laterita. A entrada pelo portal Oeste segue por um caminho entre a floresta até um terraço de pedra, com um formato de uma cruz, onde leões, balaustradas de najas e criaturas míticas observam e guardam o templo. Ainda é possível reconhecer uma grande torre de pedra, com os quatro rostos misteriosos que são encontrados em Angkor Thom. Aqui, em Ta Prohm, eles também miram para os pontos cardeais.


Imagens de Buda recuperadas das ruínas saúdam os visitantes. Um fascinante salão de dançarinas celestiais se abre. Sobre pilares quadrados está fincado o prédio de arenito, decorado com falsas entradas e maravilhosas apsaras, gravadas em baixo-relevo. Ao percorrermos o conjunto de galerias de pedras, dividimos as passagens estreitas também com as sumaúmas ou árvores da seda. Numa edificação simples, a oeste, está o santuário central.


Ao longo dos séculos, a natureza interagiu com a obra e a transformou em um misterioso Templo das árvores. Pelos tetos do monumento elas formam telhados. Brotando por todos os lados, se incorporaram às paredes de pedra, tornando-se parte integral do monumento. Se removidas, as “escoras” naturais levarão ao chão o templo. Isso explica por que os colonizadores franceses, que no século 19 anunciaram ao Ocidente a “descoberta” dos templos perdidos da civilização Khmer, não ousaram restaurá-lo. Esse ainda é um desafio aos arqueólogos.

 

Diego Delso/Divulgação

Monastério
Ancestral de Brama é a tradução literal de Ta Prohm. Trata-se do primeiro deus da trindade do hinduísmo. Representa a força criadora ativa no cosmos. Esse monastério budista do século 7 foi destacado pelo blog 1.001 Lugares pra se viver como um dos lugares incríveis do mundo para se conhecer e encantar.
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