HOSPEDAGEM

Alugar imóvel pela internet é mergulhar no cotidiano de uma cidade

Os brasileiros já descobriram as vantagens de dispensar os serviços de hotelaria e agir como um "nativo"

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postado em 06/11/2015 10:00 / atualizado em 05/11/2015 17:13

Vítor Vinicius / Arquivo pessoal

Já imaginou passar as próximas férias dormindo em um castelo alugado só para você? E em um iglu, reservado pela internet com apenas alguns cliques? Quem já viveu experiências como essas sabe que os estilos convencionais de hospedagem mudaram ao longo do tempo. Há turistas que preferem abrir mão de se hospedar em hotéis (mesmo que o serviço de camareira seja impecável) para ficar em casas, quartos, flats, apartamentos, barcos e até ilhas de proprietários nativos. Em alguns casos, os preços são mais convidativos que os de hotelaria tradicional.

Além de economizar, quem escolhe passar férias em um espaço alugado pode acompanhar de perto o dia a dia de alguém que mora na própria cidade e, de quebra, fazer novos amigos. Quem recebe visitantes, por sua vez, ganha dinheiro extra. Os meios de hospedagem alternativos são uma opção para atender aos diversos perfis de turistas que viajam pelo Brasil e pelo mundo. Na medida em que ampliam o leque de ofertas, aumentam a competitividade do mercado turístico, de acordo com o Ministério do Turismo.

Sites especializados no serviço de “bed and breakfast” — cama e café da manhã — têm um quê de imobiliárias, mas funcionam na web, com estrutura semelhante à das redes sociais. A inspiração vem de um serviço similar, o Couchsurfing. Para alugar (tanto como anfitrião quanto como inquilino), é preciso criar um perfil e entrar na rede. As transações são feitas diretamente, sem intermediação de agentes. Os usuários se avaliam e vão criando sua reputação no site, mas, diferentemente do Couchsurfing, precisam pagar para usar o espaço.

No Airbnb, site do ramo, os brasileiros podem usar métodos de pagamento locais: cartões de crédito nacional e boletos. O site começou a funcionar no Brasil há três anos, com cerca de 3.500 anúncios nacionais. Hoje há mais de 45 mil espaços disponíveis para aluguel no país. Por meio da plataforma, turistas brasileiros já viajaram para mais de 100 países diferentes e foram anfitriões de quase meio milhão de turistas.

 

Conforto e economia na rede

 

Airbnb/Reprodução

Corajosos o suficiente para dormir em uma casa-barco por uma noite e econômicos o bastante para ficar em um apartamento de Amsterdã por quatro dias, Roberta Silva e Vítor Vinícius foram à cidade em maio deste ano e optaram por usar o Airbnb. Para o casal, conhecer a capital da Holanda foi a realização de um sonho. “A Roberta nunca tinha saído do país e, ao vermos fotos do Parque Keukenhof, ficamos encantados”, lembra Vítor. Ele afirma ter pago, em seis diárias, cerca de US$ 425. Para se ter uma ideia, o preço de uma diária em um hotel três estrelas de Amsterdã varia entre R$ 400 e R$ 600.

Para Roberta, a vantagem de usar o Airbnb é ter a oportunidade de cultivar relações mais humanas durante a estadia. “Quem trata do aluguel é o maior interessado no serviço. Temos um relacionamento mais próximo. Isso faz toda a diferença”. Na opinião de Vítor, a viagem superou as expectativas. “Mesmo vendo as fotos no site, a gente sempre fica um pouco receoso”, pondera. O balanço final da viagem a dois é positivo. “Ao chegar e ver o local, percebemos que tudo o que a gente leu era verdade.”

Apesar de ser um tipo alternativo de hospedagem, isso não significa que as opções oferecidas por sites do ramo sejam restritas. O Airbnb, por exemplo, disponibiliza espaços em mais de 34 mil cidades em 190 países, incluindo 80 mil vilas, 4 mil castelos, 2,8 mil casas na árvore, 1 mil ilhas, 9 mil barcos, 700 iglus e 500 faróis.


"Mesmo vendo as fotos no site, a gente sempre fica um pouco receoso. Ao chegar e ver o local, percebemos que o que lemos era verdade”
Vítor Vinícius, estudante que contratou hospedagem por meio do site Airbnb

 

Alternativo e vantajoso

O serviço de aluguel de casas e quartos pela web não se enquadra na Lei nº 11.771/2008, a Lei Geral do Turismo. Por esse motivo, o MTur não monitora o comportamento do setor no país. Uma pesquisa, a Sondagem do Consumidor —Intenção de Viagem, é realizada todos os meses para medir o interesse dos brasileiros em realizar viagens e saber como eles pretendem se alojar.

Em setembro, 46,6% dos entrevistados disseram ter intenção de ficar em hotéis e pousadas, contra 39,5% que pretendiam usar casas de parentes e amigos. A opção “outros” foi escolhida por 13,9% dos participantes. Em relação mesmo período do ano passado, houve aumento de 5,3% entre os que responderam “outros”. O Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo considera, nessa opção, meios de hospedagem como o programa “cama e café”, como também aluguel de imóvel por temporada.

Além do Airbnb, sites como o Roomorama e o Wimdu se especializaram no negócio. De coberturas em Nova York a casas de veraneio em ilhas paradisíacas da Europa, o Wimdu oferece 300 mil propriedades em mais de 100 países. O site, em funcionamento desde 2011, já tem cerca de um milhão de usuários registrados em 150 países.

Fundadora de outra empresa do ramo, a Roomorama, Jia En Teo diz que o Brasil é atraente para a empresa por conta do tamanho do território e da influência. No site, os brasileiros são mais visitantes do que anfitriões. “Geralmente, eles fazem reservas em lugares como Miami e Nova York”. Estima-se que a participação nacional no site tenha crescido mais de 50% de 2014 para cá. Os usuários do site têm direito a regalias como jantares com nativos, descontos em tours por várias cidades e em aluguel de carros. (Com informações de Rafaella Panceri)

 

Anfitriões dão as dicas

Gustavo Moreno/CB/D.A Press
 

Lucas Castro já utilizou o serviço três vezes e destaca os pontos positivos de ter contato direto com o anfitrião. “É legal ter acesso a alguém que mora no local. A pessoa te dá dicas de restaurantes, festas e lugares aonde os turistas não vão muito”, conta. Em uma das viagens, ele foi visitar uma amiga em Porto Alegre. Antes de ir, porém, notou que o bairro em que queria ficar tinha apenas um hotel e que a localização não era estratégica. “No meio do bairro passa um rio. E a ponte para atravessar e chegar ao hotel ficava distante de tudo. Eu teria que pegar táxi toda hora ou andar muito”. Ele preferiu alugar um espaço mais próximo dos locais que visitaria. O resultado? Praticidade e economia. Ele afirma ter gastado, por diária, cerca R$ 110. O preço médio em um hotel três estrelas de Porto Alegre é de R$ 180 por noite.

Pensando em todas as experiências que teve com o Airbnb, ele destaca duas vantagens. A primeira delas, o preço. Quando ficou hospedado em Ipanema, no Rio de Janeiro, pagou R$ 130 por dia para usar um apartamento completo. Em um hotel das redondezas, ele afirma que teria saído mais caro, cerca de R$ 900. Outra vantagem era a cozinha. “Pude comer em casa. É muito mais fácil.”


 

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