TOCANTINS

Jalapão, no Tocantins, cenário deslumbrante nas quatro estações

Chova ou faça sol, as paisagens e as atrações de uma das regiões onde a natureza se mostra mais rica e exuberante, no centro do país

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postado em 11/11/2015 18:30 / atualizado em 11/11/2015 16:12

Guilherme Araújo , Especial para o Correio

Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press

Desbravar o interior do Brasil se revela uma boa opção quando o dólar está nas alturas. Turistas aventureiros e amantes da natureza certamente se encantarão com a beleza do Jalapão: região localizada a 180 quilômetros de Palmas, capital de Tocantins. Esse deserto do cerrado ocupa uma área de 34 mil quilômetros quadrados, formada por oito pequenos municípios: Lagoa do Tocantins, Novo Acordo, Lizarda, Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins, Santa Tereza do Tocantins e São Félix do Tocantins. A região é uma unidade de conservação ambiental do estado do Tocantins.

O Turismo desbravou por quatro dias essa reserva numa caminhonete 4x4. Cada ponto turístico é surpreendente em suas características e belezas naturais. Em uma só região, a natureza reuniu água em abundância, montanhas de areia, chapadões, serra, misteriosas grutas, vegetação deslumbrante e o povo remanescente dos quilombolas, que guarda tradição dos primeiros viventes daquela terra.

As várias opções de roteiros fazem com que o Jalapão ofereça programação ao longo do ano, nas diversas estações. Ao mesmo tempo em que o ecoturismo e o turismo de aventura são bastante explorados, há uma grande preocupação na preservação e conservação das riquezas naturais, com a criação de vários parque como o Parque Estadual do Jalapão, o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba; a Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins; a Área de Preservação Ambiental (APA) Serra da Tabatinga; e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão.

Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press

Capim dourado  
O Jalapão é famoso também pelas plantações de capim dourado. As comunidades quilombolas da região aproveitam esse bem natural como geração de renda. É o caso de Josilene da Silva Tavares, 39 anos. Ela mora em Mumbuca —  povoado de quilombolas localizado a 35 quilômetros do povoado de Mateiros. Dona Josilene é casada e tem três filhos. Para sustentar a família, produz bolsas, brincos, pulseiras, chapéus, mandalas, cestas e diversos objetos de decoração utilizando o capim dourado.

A movimentação do comércio, estimulado pelos turistas que visitam a comunidade de até 200 pessoas, consegue gerar uma renda mensal de R$ 700 para a família, graças à venda das peças produzidas com o material dourado pela natureza. “Todo mundo quer levar uma lembrança de capim dourado para casa. Demoro uns três dias para fabricar um vaso de flores, por exemplo. Acaba sendo uma terapia”, garante a artesã.

O dinheiro é muito bem-vindo, pois representa a base do orçamento familiar. Para sobreviver, é preciso reforço financeiro, já que os produtos de consumo chegam à região com valores superfaturados devido a distância. “O litro de óleo aqui custa uns R$ 6. É muito caro. Para ajudar nas despesas de casa, meu marido planta mandioca, feijão, abóbora e arroz. Ele ainda toca violão feito de buritis por aí afora para ganhar uns trocados”, completou.

Governo do Tocantins/Divulgação

Berço de ouro 
O capim dourado só brota nas veredas do Jalapão. O que a população chama de capim dourado (Syngonanthus nitens) são as hastes de um flor pequenina, da família das sempre-vivas. A arte de trabalhar as hastes, transformando-as em objetos de decoração, bijuterias, cestas, chapéus etc., foi ensinada às mulheres do Jalapão por dona Miúda, uma matriarca do povoado de Mumbuca, no município de Mateiros, que aprendeu com sua mãe — que por sua vez, aprendeu com a mãe dela a técnica desenvolvida pelos índios que habitavam a região.
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