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Número de passageiros aéreos cresceu 210% de 2000 a 2014, diz CNT

O órgão afirmou que um dos motivos do crescimento foi a redução nas tarifas em 43,1%. Alto preço do combustível e problemas de infraestrutura ainda são obstáculos

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postado em 11/11/2015 17:07 / atualizado em 11/11/2015 17:07

Laisa Queiroz /

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou um estudo, nesta quarta-feira (11/11), chamado Transporte e Economia – Transporte Aéreo de Passageiros. Foram disponibilizados dados e análises do desempenho recente do setor aéreo no país. O crescimento do número de passageiros transportados foi de 210,8% entre os anos 2000 (32,92 milhões de pessoas por ano) e 2014 (102,32 milhões de passageiros).

 

O levantamento ressalta os preços das passagens aéreas como impulsionador das viagens: houve uma redução de 43,1% nas tarifas nos últimos 12 anos. A meta do governo é transportar 600 milhões por ano de pessoas até 2034.

 

A CNT apontou obstáculos para a continuação do crescimento, como o preço elevados dos combustíveis e problemas de infraestrutura. “O aumento da demanda deve ser devidamente acompanhado pelo incremento das infraestruturas aeroportuária e aeronáutica. Solucionar os atuais entraves e promover ações planejadas são iniciativas essenciais para que o setor continue atraindo mais passageiros”, destacou o presidente do órgão, Clésio Andrade.

 

Combustível

 

O valor do QAV (querosene da aviação) é considerado um dos obstáculos à operação eficiente do transporte aéreo regular no país, pois representa 37,3% do custo total das empresas, e, no Brasil, é mais caro que em outros países. Isso contribui para que passagens domésticas sejam mais caras que as de alguns voos internacionais, segundo o relatório.

 

O custo do galão, saindo de Guarulhos, por exemplo, é de US$ 4,60 para um voo necional e de US$ 3,38 para um destino fora do país. O mesmo acontece no Galeão, cujos galões custam US$ 3,87 e US$ 3,37, respectivamente. O relatório aponta o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cuja alíquota varia de 11% a 25%, conforme o estado, como um empecilho. A CNT defende uma alíquota máxima de 12%. Outros custos principais das empresas são arrendamento, manutenção e seguro das aeronaves (17%) e tripulação (9,6%).

 

Aeroportos concessionados

 

A CNT afirma que embora o objetivo do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) seja desenvolver e fomentar a aviação civil e infraestruturas aeroportuária e aeronáutica em todos os aeroportos do país, cinco terminais concedidos - Viracopos (SP), Guarulhos (SP), Brasília (DF), Galeão (RJ) e Confins (MG) - recebem, juntos, 60,4% do total de recursos investidos. Isso significa que os outros 60 aeroportos administrados pela Infraero recebem apenas 39,6%.

 

Aviação regional

 
Os recursos previstos para a implementação de novas rotas regionais pelo Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional (Pdar) podem ser insuficientes. Conforme cálculo da CNT, somente nos cinco primeiros anos do programa, seriam investidos R$ 4,5 bilhões - mais da metade dos recursos disponíveis do Fnac - para as rotas já operadas. Sobrariam apenas R$ 2,4 bilhões para as novas ligações. A estimativa leva em consideração os assentos subsidiáveis, a frequência, o consumo de combustível por assento, a distância das rotas e o preço do combustível da aviação.

 

Para o órgão, neste primeiro momento, deveriam ser subsidiados apenas os trechos comprovadamente deficitários e os da Amazônia Legal, com 30% dos recursos do Fnac. Em relação à infraestrutura, que envolve construção, modernização e adequação dos aeroportos regionais, o governo anunciou investimento de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos.  Após três anos do lançamento do Pdar, nenhum aeroporto regional saiu do papel. Segundo a SAC (Secretaria de Aviação Civil), a infraestrutura está em fase final de planejamento. Existem 22 aeroportos em estudos de viabilidade técnica, 19 em estudos complementares, 145 em estudos preliminares e 87 em anteprojeto para licenciamento ambiental.

 

Viagens aumentaram

 
Em 2000, a média anual de viagens de avião era de 0,19 por pessoa - como se 19% da população tivesse viajado uma única vez ao ano. Em 2014, o índice atingiu 0,5, evolução de 163,2% no período. Mas na comparação com outros países, o mercado aéreo brasileiro ainda pode crescer mais. Na Austrália, o índice é de 2,44 viagens por ano e nos Estados Unidos, 2,10. Diante do cenário, as companhias aéreas tiveram um aumento no aproveitamento dos voos dentro do Brasil (assentos ocupados / assentos oferecidos) de 24,7% de 2000 para 2014. Em 2000, as empresas aéreas registravam 64,4% dos assentos ocupados. No ano passado, o índice foi de 80,3%.

 

CNT/Reprodução

 

Infraestrutura

 

São necessários pelo menos 200 projetos para melhorar o transporte aéreo de cargas e passageiros no Brasil, de acordo com a CNT. Isso totalizaria R$ 24,9 bilhões, se o nível de investimento federal for mantido, seriam necessários cerca de 15 anos para a realização das melhorias. Uma forma de acelerar a transformação do segmento aéreo, para o órgão, é incentivar a colaboração do setor privado.

 

Alguns aeroportos brasileiros ainda apresentam terminais de passageiros saturados ou em situação de alerta. Entre os de maior movimento, os mais prejudicados são o de Congonhas (SP), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Vitória (ES) e Goiânia (GO). É considerado saturado o aeroporto em que o número de passageiros atendidos extrapola em 100% a capacidade instalada e quando chega a 80%, a situação é de alerta. A deficiência
na infraestrutura aeroportuária é um dos maiores gargalos nesses casos. Isso prejudica o atendimento; as acomodações
são insuficientes para atender o fluxo, há longas filas para o check-in, demora na restituição de bagagens, aumento de atrasos, entre outros problemas.

 

Brasil melhora no FEM

 

Após aumento dos investimentos nos aeroportos concessionados e na rede Infraero, o Brasil melhorou 18 posições no ranking do Fórum Econômico Mundial (FEM). Em 2015, o país ocupa a posição 95ª, entre 140 países avaliados. Em 2014, ocupava o 113º lugar. Entre 2013 e 2015, foram investidos R$ 8,4 bilhões pelas concessionárias em cinco aeroportos. No mesmo período, o governo federal investiu R$ 8,3 bilhões em seus 60 aeroportos, segundo o relatório. Mesmo com o avanço, o Brasil ainda possui aeroportos menos eficientes que países como Argentina (92ª), Chile (36ª) e África do Sul (14ª).

 

Mais barato

 

Em 2002, o valor médio de comercialização das passagens era de R$ 580,58. Em 2014, passou para R$ 330,25, uma queda de 43,1% em 12 anos. A diminuição pode ser ainda maior se forem considerados os preços das passagens por faixas de valores. Em 2002, 33,7% dos bilhetes foram vendidos por até R$ 400, percentual que chegou a 72,8% em 2014. Isso que significa que mais pessoas estão voando pagando tarifas menores.

 

CNT/Reprodução

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