TURISMO

Descubra por quê dormir em aeroportos pode ser uma aventura e tanto

Muita gente opta por dormir no aeroporto, por economia ou necessidade. No Brasil, apenas dois possuem áreas de descanso, e elas são pagas. Entre malas e cadeiras pouco confortáveis, a dica é relaxar e sonhar com o próximo destino

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postado em 12/11/2015 17:05 / atualizado em 12/11/2015 17:05

REUTERS/Mikhail Voskresensky

Voos marcados para as primeiras horas da manhã, escalas com longo tempo de espera, cancelamentos, atrasos e condições climáticas adversas são algumas das razões para ver viajantes dormindo no saguão de aeroportos no mundo inteiro. Além da emoção das chegadas e partidas, tirar um cochilo nos terminais faz parte do roteiro de viagens na vida real e no cinema.

 

Quem fica preso em um aeroporto precisa improvisar e ser criativo para ocupar o tempo e driblar o desconforto, como mostrou Víktor Navorski, personagem interpretado por Tom Hanks no filme O Terminal. Cidadão da Europa Oriental, Víktor tenta desembarcar em Nova York, mas fica preso no aeroporto da cidade, sem permissão para entrar nos Estados Unidos ou voltar para seu país natal. Ele não só dorme no aeroporto, como vive ali por meses.

Hoje em dia, a estadia de Víktor poderia ser mais confortável: aeroportos como o de Abu Dhabi oferecem aos passageiros os Sleeping Pods, espécie de casulos projetado para guardar a bagagem e descansar. A estrutura comporta uma cama dobrável, tomadas e acesso à internet. Dormir em um Sleeping Pod pode custar até 48 Emirados Árabes Unidos Dirham (AED), cerca de R$ 50 por hora. No Brasil e em outros países, essas estruturas não são tão sofisticadas. Muitos aeroportos não têm áreas de descanso nem wi-fi grátis.

Excelência
Os aeroportos brasileiros estão entre os melhores e os piores da América Latina, de acordo com um ranking organizado pelo site Sleeping in airports, em 2014. Entre os campeões em excelência, o Aeroporto Internacional de Brasília ocupa a 9ª posição, seguido do Aeroporto Internacional do Recife, em 10º lugar. Entre os piores, o terceiro é o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O Aeroporto Internacional de Manaus ocupa a quarta posição entre os de pior qualidade.

Se você pretende passar a noite em um aeroporto do Brasil, saiba que apenas dois, entre todos, possuem áreas para descanso nos terminais de passageiros, de acordo com a Infraero: Curitiba e Recife. As áreas comerciais são concedidas por meio de licitação e operadas por empresas que prestam o serviço de hospedagem rápida.

 

Em Recife, há cabines particulares na sala de embarque, equipadas com wi-fi e ar-condicionado. A ocupação é utilizada de forma rotativa, monitorada 24 horas, e os serviços são controlados eletronicamente. Em Curitiba, há 16 quartos: dois com cama de casal, oito beliches e quatro individuais. Também é possível descansar em uma área reservada com poltronas. Os ambientes possuem tevê, wi-fi e ar-condicionado.

Atualmente, não há previsão de novas áreas nesse modelo, segundo a Infraero, mas a empresa informou, por meio da assessoria, que tem procurado aperfeiçoar as condições de conforto para os passageiros. E acrescentou  que, caso haja disponibilidade de local e organizações interessadas em explorar a área, será realizada licitação pública para exploração comercial.

 

Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press

Onde arrumar sua cama

Passar 12 horas em um aeroporto não é tarefa fácil. Danilo Carmino, 21 anos, estudante de relações internacionais, passou todo esse tempo no Aeroporto da Portela, em Portugal (também chamado de Aeroporto de Lisboa), em janeiro, esperando um voo para Coronha, Espanha. “Tinha bastante loja para olhar e passar o tempo, mas chega uma hora que cansa. Ainda mais sem poder comprar nada”, conta. De acordo com Danilo, que viajava com amigos, a estrutura do local era desorganizada e a sinalização, falha. “Ficamos meio perdidos”, reclama. A internet gratuita funcionava por apenas 30 minutos. Esgotado o tempo, era necessário pagar. “Era muito caro. Ficamos 12 horas sem nos comunicar com a família”. A noite de sono, apesar de tudo, foi boa. “Tínhamos cobertores, almofadas e conseguimos um sofá grande para descansar.”

Não muito longe de Lisboa, um mês depois, quem precisou dormir no saguão do Aeroporto Internacional de Roma, na Itália, foi Rivania Sousa, 25, internacionalista. Acompanhada de uma amiga, ela fez o check-out no hotel ao meio-dia, mas tinha passagens compradas para as seis da manhã do dia seguinte. Elas passearam pela cidade até que anoitecesse e, em seguida, foram para o terminal de embarque, onde passaram a noite. “Tinha muitos viajantes lá, dividindo os espaços como podiam. Eu pagaria para ficar num lugar mais confortável, se o valor fosse acessível”, afirma Rivania. A segurança foi a maior preocupação. “Não conhecíamos o local e não sabíamos onde era mais adequado dormir. Observamos onde tinha mais gente e ficamos lá”. Com o aeroporto em obras, foi difícil tirar um cochilo. “A pior parte dessa experiência foi querer dormir e não conseguir.”


Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press


Pensando nos viajantes que decidem dormir em um aeroporto, mas já querem saber o que vão encontrar pela frente, o site Sleeping in airports reúne textos sobre a estrutura de centenas de aeroportos do mundo, além de um ranking anual com os melhores e os piores de todos os continentes (escolhidos por votação). Qualquer pessoa pode enviar um texto contando sua experiência e votar nos aeroportos que participam da competição. O site oferece guias para cada aeroporto visitado. Neles, há informações sobre lounges (salas de descanso), disponibilidade de wi-fi, armários, chuveiros e dicas para ter uma boa noite de sono. “Começou como uma brincadeira, mas, quando as pessoas começaram a ficar interessadas e a enviar mais textos, comecei a adicionar mais conteúdo e conselhos úteis”, afirma Donna McSherry, fundadora do site.

O Aeroporto da Portela, visitado por Danilo Carmino em janeiro, aparece com boas avaliações no site, mas não integra a lista dos 30 melhores do mundo. Uma usuária escreveu: “Não é ruim para passar uma noite aqui, especialmente se você tiver um voo cedo e não quiser gastar dinheiro extra com hotel e táxi”. O Aeroporto Internacional de Roma, visitado por Rivania Sousa em fevereiro, também não compõe o Top 30 e recebe elogios mais modestos: “O serviço é parecido com o de pequenos aeroportos da América do Norte. Não que haja algo de errado nisso, mas pode ser surpreendente para quem espera muito de aeroportos internacionais”, escreveu um usuário do site.

 

Prepare-se para a aventura

Para quem está curioso sobre a ideia de dormir em um terminal e se pergunta: “Posso mesmo fazer isso? Como? O que devo levar comigo?”, o Sleeping in airports dá diversas dicas. Acredite: a primeira delas é “tenha um plano B”. Alguns funcionários não são a favor da ideia de ter pessoas dormindo no saguão. Esteja preparado para responder por que você está ali (e não em um hotel). Não adianta fugir: pedirão provas de que você tem passagem comprada para o dia seguinte.

Outra dica é: esteja preparado e seguro. Leve um kit de sobrevivência para enfrentar possíveis atrasos e cancelamentos: lanches, travesseiros, fones de ouvido e máscara para dormir, roupas adequadas para frio e calor são essenciais. Para dormir em segurança, evite lugares isolados. Fique perto de outros viajantes e saiba onde os funcionários da segurança estão. Cuide dos seus pertences — não só quando for dormir, mas quando usar o banheiro ou fizer alguma refeição.

Chegue cedo!
Tarde da noite, aeroportos podem virar verdadeiros acampamentos. Quem chega primeiro, garante os melhores espaços. Fique atento: muitas vezes, salões de desembarque são mais confortáveis que os de embarque. Logo, antes de escolher sua “cama”, analise bem. Pernoitar na área de descanso do aeroporto pode ser uma boa opção para quem está exausto. O serviço é pago, mas o valor costuma ser acessível. A taxa inclui serviço de buffet, bebidas (alcoólicas, inclusive), wi-fi, chuveiros e cadeiras confortáveis. Alguns lounges oferecem café da manhã e regalias como massagens. 

 

Com informações de Rafaella Panceri

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