Percorra os caminhos da Tocha Olímpica e descubra os tesouros do norte

Até a abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro, a tocha vai percorrer o país, incluindo as cidades do Norte. Acompanhe a trajetória e conheça melhor o território nacional

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postado em 20/12/2015 09:00 / atualizado em 16/12/2015 18:26

 

Rio2016/Divulgação

Com quase quatro milhões de quilômetros quadrados, o Norte do Brasil foi a última das cinco regiões a ser ocupada pelos colonizadores e urbanizada e, proporcionalmente, é até hoje a menos populosa do país — especialmente por abrigar a Floresta Amazônica. A variedade de fauna e de flora na área é marcante e atrai amantes do ecoturismo mundo afora. Mas, mesmo com tantos atributos, o Norte ainda é um mistério para a maior parte da população, que, na hora de fazer turismo, opta, com maior frequência, pelo Sudeste e pelo Nordeste.

No entanto, o quadro é otimista: o número de pernoites na região cresceu 16,2% no primeiro trimestre de 2015 (o maior aumento nos últimos nove anos), segundo boletim da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). O Turismo aponta mais uma razão para ir longe. Até 6 de agosto do ano que vem, na abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro, a tocha vai percorrer o país, incluindo as cidades do Norte. Acompanhe a trajetória e conheça melhor o território nacional.

 

Manaus (AM)

A capital do Amazonas é um dos destinos mais visitados da região —  a quantidade de cruzeiros que passam por ali durante o ano é um dos fatores que ajudam a movimentar o turismo. Porta de entrada para a Floresta Amazônica, com trilhas, cachoeiras e tribos indígenas abertas a visitantes, faz muito sucesso entre os estrangeiros e é destaque no ecoturismo mundial. O encontro das águas dos rios Negro e Solimões é um espetáculo que pode ser visto de barco, especialmente entre os meses de janeiro e julho, período da cheia. No ponto de saída, o Parque do Janauari, também é possível observar as vitórias-régias na água.

 

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press
 

Mas quem pensa que a região é só natureza, engana-se. Manaus é uma cidade grande e diversificada, com mais de 1,7 milhão de habitantes e umidade do ar de mais de 50% praticamente o ano todo. Seu polo industrial, a Zona Franca de Manaus, atrai muita gente em busca de produtos com preços mais baixos, já que o local, criado em 1967, é livre de impostos.

Há diversos locais para visitar, a começar pelo Teatro Amazonas, uma bela e ornamentada construção neoclássica do século 19, que representa com primor a riqueza gerada na região durante o Ciclo da Borracha. Assista a um espetáculo ou apenas visite o interior, que abriga pinturas no teto, de Crispim do Amaral e Domenico de Angelis. O Palácio Rio Negro, que já foi sede do governo, é outro ponto de interesse. Construído como uma residência particular, pertenceu ao barão da borracha, o alemão Waldemar Scholz. Por último, fica um projeto moderno e mais recente: a Arena Amazônia, estádio de futebol inaugurado para a Copa do Mundo de 2014.

Quem vai a Manaus deve, ainda, provar a culinária local: tacacá, peixes de água doce, tucupi, tucumã, folhas de jambu (que anestesiam a boca), cupuaçu, guaraná (não o refrigerante, a fruta) e açaí fazem parte do cardápio mais tradicional, com grande influência indígena. Muitas barracas de rua têm opções deliciosas, mas quem preferir comer em um restaurante, pode ir ao Banzeiro (Rua Libertador, 102), ao Tambaqui de Banda (Av. Tancredo Neves, 9) e, para o happy hour, à Cachaçaria do Dedé & Empório (Manauara Shopping).

 

Boa Vista (RR)

Reynesson Damasceno/Prefeitura de Boa Vista

Inaugurada em 1890, a capital de Roraima tem lindas construções históricas. No Centro Cívico, estão as sedes dos Três Poderes do estado, e o Monumento aos Garimpeiros, em homenagem ao “milagre amarelo”, o grande desenvolvimento, decorrente da exploração de ouro e diamante. Visite o Palácio da Cultura Nenê Macaggi (maior biblioteca pública), o Parque Anauá e a Orla Taumanan, com a Igreja Matriz e o Centro de Artesanato, onde há bares e restaurantes. Não deixe de passear de barco no Rio Branco. Há tours de um dia para visitar as fronteiras com a Guiana e com a Venezuela. Com bom preparo físico e tempo, experimente subir o Monte Roraima. São falésias de mil metros de altura, cavernas e uma vegetação única —  você provavelmente já se deparou com uma releitura desse cenário no filme Up —  Altas Aventuras.

Rio Branco (AC)

Flickr/Divulgação

O Acre guarda uma abundância de recursos naturais e paisagens. Criado em 1903 como um estado independente, passou a pertencer à federação brasileira em 1932 — história que pode ser conferida no Memorial dos Autonomistas, em Rio Branco, cidade de 300 mil habitantes que resulta da miscigenação entre índios, nordestinos, negros e árabes. Entre as principais atrações estão o Parque da Maternidade, a árvore Gameleira (com mais de 100 anos), a Biblioteca da Floresta e o Museu da Borracha. Curiosidade: foi lá que surgiu a Doutrina do Santo Daime, em 1930. A capital mais ocidental do país ainda é porta de entrada para o Peru e a Bolívia, especialmente pela rodovia Interoceânica, que liga Rio Branco a Cusco. Ainda no estado, faça uma visita a Xapuri (a 188km), cidade natal do seringueiro e líder ativista Chico Mendes, cuja casa é conservada.

Porto Velho (RO)

Breno Fortes/CB/D.A Press

Fundada no início do século passado, estimulada pela construção da polêmica Estrada Ferroviária Madeira-Mamoré, que tentou cortar a Floresta Amazônica, a capital de Rondônia ainda é novata no turismo e tem uma estrutura menos equipada que as outras capitais do Norte. A ferrovia (atualmente com vagões abandonados que podem ser visitados) ficou conhecida pela grande quantidade de trabalhadores estrangeiros que morreram no local, por doenças tropicais, geografia perigosa e ataques de índios que não aceitavam o empreendimento. Vá, também, ao Museu Geológico, à Praça das 3 caixas d’água e veja um belíssimo pôr do sol no Rio Madeira.

Belém (PA)

Carlos Vieira/CB/D.A Press

Muito conhecida pelos católicos devido ao Círio de Nazaré, a maior procissão da religião no país, que vai da Catedral da Sé à Basílica, Belém também oferece muitas atrações não religiosas. Uma delas é o Mercado Ver-o-Peso, onde os sabores regionais são encontrados. Frutas, temperos, ervas (como o jambu), tacacá, goma e pato no tucupi são algumas das especialidades. O glamouroso Theatro da Paz, financiado pelos barões no auge do Ciclo da Borracha, também é um marco, assim como o Planetário Sebastião Sodré da Gama (um dos primeiros do Brasil). Visite, ainda, a Estação das Docas, reformada, que conta com atrativos gastronômicos e culturais, e o Mangal das Garças, à beira da orla fluvial, com muitas espécies da fauna e da flora para observar.

Macapá (AP)   

Reprodução/Internet

A cidade cortada pela linha do Equador, que divide os hemisférios Norte e Sul, tem, não por acaso, o Marco Zero como seu principal ponto turístico. Os visitantes costumam subir em um monolito e colocar um pé em cada hemisfério para tirar fotos. A Fortaleza de São José do Macapá, tombada como Patrimônio Histórico, é uma construção com muralhas de 15 metros de altura. Conheça, também, o Complexo Beira Rio (que beira o Rio Amazonas), com quiosques de restaurantes (destaque para as boas opções gastronômicas) e bares com música ao vivo. A cidade recebe, ainda, o Festival Quebramar, evento de música, arte, fotografia e teatro que, neste ano, teve como atração especial o cantor Moraes Moreira.
 

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