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Estado de Minas SETÚBAL

Sob o frescor da costa portuguesa, vinícolas fora da rota Douro-Alentejo

Quintas familiares guardam a história do vinho em uma região repleta de belezas naturais, ao sul do Tejo


postado em 07/01/2016 10:00 / atualizado em 06/01/2016 19:42

(foto: Bruno Barreto/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Bruno Barreto/Esp. CB/D.A Press)

Ao sul do Rio Tejo e a menos de uma hora de Lisboa, a Península de Setúbal guarda a combinação de paisagens bucólicas com a tradição e a história dos vinhos portugueses. Fora dos conhecidos polos de enoturismo do país, o frescor das uvas da área surpreende quem pensava que os grandes vinhos estavam restritos às regiões do Douro (leste) e do Alentejo (centro-sul).

Apesar do ar de novidade para o mercado de enoturismo internacional, Setúbal ocupa o terceiro lugar no 
ranking de consumo de vinho com denominação de origem em Portugal. A produção local vai muito além do conhecido Moscatel de Setúbal, um vinho generoso que costumeiramente é classificado como de sobremesa. “É um perfil diferente do alentejano e do Douro, talvez mais próximo dos do Dão. Os tintos não são tão macios, mas uma das características que mais se aprecia nos vinhos é a persistência, e os vinhos assim não são fáceis”, descreve Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. Os vinhos brancos e os espumantes produzidos na região, porém, apresentam frescor e riqueza aromática perfeitos para acompanhar um passeio por uma das praias de águas cristalinas da região.

A experiência gustativa fica ainda mais rica somada à história e à tradição das quintas mantidas por famílias da região há gerações. Às margens do Rio Sado, a Herdade de Gâmbia abriga 30 hectares de vinha de castas da região —  como touriga nacional, moscatel e castelão —  e 44 hectares de floresta composta por sobreiros (árvore de onde se extrai a cortiça para fazer rolhas) centenários, pinheiros e eucaliptos.

 

A propriedade é gerida por Francisco Borba e pertence à família desde 1917. Apesar de a vinificação não ser realizada na propriedade, é possível conhecer os métodos de cultivo das uvas e observar espécies de pássaros raras na Europa, como flamingos, águas e garças. A prova de vinhos é feita no casarão da família, que data de 1500, e pode ser acompanhada por um queijo de ovelha produzido na propriedade.

As ruelas de pedra da charmosa Palmela escondem adegas tradicionais. Na casa Horácio Simões, é possível provar versões premiadas do Moscatel de Setúbal. A adega foi a principal responsável por recuperar o cultivo da casta moscatel roxo, que quase foi extinta. Apesar de ser mais frágil e ter rendimentos mais baixos em comparação com a uva moscatel tradicional, a mutação roxa apresenta aromas muito mais intensos.


(foto: Bruno Barreto/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Bruno Barreto/Esp. CB/D.A Press)

No alto das colinas, o enólogo Felipe Cardoso decidiu dar um novo rumo ao negócio da família. Apesar de a Quinta do Piloto ser gerida pela quarta geração, apenas há dois anos a casa começou a produzir rótulos próprios. “Queremos que os outros produtores nos sigam, e não façam o que todos já fazem”, diz Cardoso.

Bela vista
Enquanto o enólogo se aventura com as diversas possibilidades da produção de vinho, a estrutura vertical da adega —  montada para que a gravidade ajude no escoamento do mosto nas etapas de esmagamento e fermentação — e a altitude da propriedade garantem uma bela vista para Lisboa e Palmela.

 

(foto: Bruno Barreto/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Bruno Barreto/Esp. CB/D.A Press)

A produção em larga escala da região fica por conta da casa Ermelinda Freitas, que produz 13 milhões de litros de vinho ao ano e cultiva 28 castas de vinho em 440 hectares de propriedade. Por infortúnios do destino, a vinícola é gerida pela quarta geração de mulheres e está sob o comando de Leonor Freitas. “Meus pais me ensinaram a amar a terra mesmo que eu não tenha percebido”, conta Leonor, que deixou a carreira na área da saúde para se dedicar à vinícola e prepara a filha Joana para sucedê-la.

Nas imponentes instalações da adega, é possível aprender sobre as características das diferentes castas utilizadas, além de provar a vasta gama de rótulos produzidos. O enólogo responsável pela marca, Jaime Quendera, define os brancos e os espumantes da casa como frescos e os tintos como poderosos, mas com perfis para gostos variados.

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