AVENTURA

De moto pela estrada: o sonho de conhecer o deserto em duas rodas

Desconhecidos com uma vontade em comum, eles se uniram por meio das redes sociais para pilotar até o Atacama, no Chile. Grupo de 22 brasilienses vai percorrer quase 9 mil quilômetros em 15 dias

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postado em 16/01/2016 06:00 / atualizado em 14/01/2016 17:11

Carlos Moura/CB/D.A Press

Conhecer outros lugares, outras culturas, se deparar com o novo é sempre uma satisfação. As viagens de avião até podem nos levar de forma mais rápida e cômoda para passeios imperdíveis, mas não nos permitem apreciar as belezas do caminho. Uma opção para colocar o pé na estrada é de moto. Uma grande viagem é um estímulo que consegue reunir até quem não se conhece. É o caso de um grupo de Brasília, que vai percorrer aproximadamente 9 mil quilômetros até o Deserto de Atacama, no Chile, em uma expedição de 15 dias apenas pelo prazer de sair, viajar e pilotar sobre duas rodas pelas mais diversas estradas.

O grupo de 22 pessoas — entre motociclistas, caronas, apoio e guias — formou-se apenas pela vontade de viajar. Eles partirão da capital federal hoje (16) e percorrerão cerca de 3,5 mil quilômetros até San Pedro de Atacama. A caravana passará por São José do Rio Preto (SP), Foz do Iguaçu (PR), Corrientes e Salta, na Argentina, até chegar na cidade chilena. A ida está prevista para durar cinco dias.

O Atacama como destino da expedição foi um nome sugerido pelo servidor público Paulo Stangler, 54 anos. Além de motociclista, ele é o idealizador da viagem. Dono de uma BMW F 800 GS, Paulo já percorreu mais de 160 mil quilômetros de moto e visitou o deserto duas vezes. De acordo com o motociclista, o Atacama é um oásis para os amantes de motos. “O deserto tem riquezas que não vemos no Brasil. O local é muito belo. Além disso, é um dos destinos mais procurados pelos motociclistas. Todo mundo que gosta de viajar de moto, ou já foi, ou tem desejo de conhecê-lo”, garante.

 

Carlos Moura/CB/D.A Press

Esta é a primeira fez que Paulo monta uma expedição. Ele contou com o apoio do também motociclista e dono de uma agência de turismo Maurício Tosta. Eles divulgaram a ideia nas redes sociais para quem se interessasse pela viagem poder participar. O gerente de sistemas da informação Marcelo Augusto da Silva, 38, proprietário de uma BMW R 1200 GS, viu o post sobre a caravana e se interessou. “Sempre tive vontade de fazer uma viagem dessa. Quando vi a postagem, fui atrás de quem estava organizando para ver se poderia participar também”, conta.

Silva pilota há 20 anos. Apesar de tanto tempo de estrada, nunca fez uma viagem tão extensa. Mais acostumado a percorrer pequenas distâncias, esta será a primeira vez que sairá do país numa viagem de moto. A expectativa é tão grande que o gerente de sistemas fez um treino para participar da expedição. “Fui até Belo Horizonte para me preparar, pois a distância de Brasília à capital mineira  — 736km — é quase a mesma que vamos percorrer por dia”, afirma.

 

Fora da garupa, elas vão mais longe 

Carlos Moura/CB/D.A Press
 

De todos os participantes da caravana, sete são mulheres, mas apenas três vão pilotar. É o caso da administradora Edilene Gravia, 48, dona de uma Harley Davidson Deluxe, e da economiária Cristiane Sade, 37, que também tem uma Harley, modelo Fat Boy Special. Elas representam os dois extremos da expedição. Enquanto Cristiane já rodou mais de 160 mil quilômetros por estradas do Brasil, América do Sul e Estados Unidos, Edilene pilota há menos de um ano e meio e nunca fez uma viagem tão longa.


A administradora sempre andou de motocicleta, mas na garupa, até que resolveu pilotar. “A liberdade que se tem quando se está no comando da moto é muito maior. Você pode ir para onde quiser sem depender de ninguém. A garupa também tem suas vantagens, mas nada comparado a pilotar”. Para ela, a expectativa da jornada é grande, tanto em relação ao destino, quanto ao percurso. “Além do próprio deserto, vamos passar por belas paisagens. Viajar de moto é uma terapia. Percorrer esses oito mil quilômetros será um bálsamo”, afirma.

 

Thiago Fagundes/CB/D.A Press

Para Cristiane, em viagens de moto, o destino não é o principal. “Legal é curtir o caminho. O mais importante é o roteiro. Se juntar um bom percurso a um destino legal, melhor ainda”. Apesar da grande experiência em viagens — ela já  viajou quase toda a América do Sul, além de ter feito a Rota 66, que liga Chicago a Califórnia (a mais famosa das rodovias americanas) e a Tail of the Dragon (Cauda do Dragão), rodovia com 318 curvas em 18km, ambas nos Estados Unidos — nunca foi ao Atacama. “Só conheço o deserto por fotos, sempre achei muito lindo”.

Passeios

Juliana A. Saad/Divulgação

Ao chegar ao deserto, a base do grupo será a cidade de San Pedro de Atacama, por cinco dias. Em quatro deles, os brasilienses farão passeios. De acordo com Maurício Tosta, no primeiro dia, a caravana irá até Laguna Tebinquiche (lagoa de sal próxima à base) e Ojos Del Salar (duas crateras cobertas de água doce).

No segundo dia, os destinos são Vale da Lua (região com formações rochosas de areia e sal), Laguna Miscanti (a cerca de 120 quilômetros de San Pedro, a lagoa está a mais de 4,1 mil metros de altitude) e o Vulcão Lascar (um dos diversos do Chile, com 5,6 mil metros de altura e ainda ativo).

 

Juliana A. Saad/Divulgação

O terceiro dia será de trajetos mais distantes. O grupo percorrerá cerca de 780km no deserto até a cidade costeira de Antofagasta. Lá, um dos locais a ser visitado é La Mano del Desierto (A Mão do Deserto), uma escultura do artista chileno Mario Irarrázabal, em formato de mão saindo da areia na margem da rodovia que dá acesso ao vilarejo. Outro destino é o monumento de La Portada (formação rochosa natural à beira-mar).

 

O último passeio será para o Salar de Tara, a 4,4 mil metros de altitude dentro da Reserva Nacional dos Flamingos, a cerca de 150 quilômetros de San Pedro de Atacama. O quinto dia no deserto será livre. O grupo retorna a Brasília pelo mesmo caminho da ida e deve chegar em 31 de janeiro.

Cuidados

Geison Guedes/Esp. CB/D.A Press

Além dos guias, a caravana contará com o apoio do mecânico Eduardo Teles, 56. Com 40 anos de experiência, ele afirma que, para uma jornada grande como essa, é importante todas as motos estarem rigorosamente revisadas. “Como as motos são novas, é pouco provável ocorrer algo grave”. Segundo Teles, a maior preocupação são os pneus. “O mais comum em viagens longas são os furos”.

No carro de apoio, uma série de equipamentos, ferramentas para cada tipo de moto, além de material para remendo de pneus. Kits de primeiro socorros, barracas, água e uma carreta para o caso de uma moto quebrar também estão incluídos na bagagem.

 

Frio e calor extremos


Com 105 mil quilômetros quadrados de área, o Deserto de Atacama é o mais seco e alto do mundo — o ponto mais elevado é o vulcão Ojos del Salado (Olhos Salgados, em tradução livre), a 6,9 mil metros de altitude. A principal extensão territorial está dentro do Chile, mas ele conta com regiões circundantes, que abrangem a Argentina, a Bolívia e o Peru. Próximo à fronteira com a Bolívia, San Pedro de Atacama é a cidade mais conhecida do local. O vilarejo tem cerca de 3 mil habitantes e está a 2,4 mil metros em relação ao nível do mar. Nas áreas mais planas, a temperatura do deserto varia de 0ºC, à noite, a 40ºC, durante o dia. Nas regiões montanhosas, a mínima passa dos 10ºC negativos.

 

 

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