MÉXICO

Mergulho na história: passeio pela rica e bela cultura mexicana

Na região de Quintana Roo, em cidades vizinhas a Cancún - e menos badaladas - na Riviera Maia com praias e importantes sítios arqueológicos, os destaques são Tulum e Cobá

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postado em 22/01/2016 09:00

Cristiane Silva/EM/D.A Press

Praias de mar azul-turquesa, resorts, vida noturna agitada e compras. É isso que a maioria dos brasileiros (e turistas do resto do mundo) procura quando vai a Cancún, no litoral sudeste do México. A partir da década de 1970, o que era uma pequena cidade, com pouco mais de 1 mil habitantes, transformou-se em um grande centro turístico graças aos investimentos da indústria hoteleira. No entanto, a região litorânea do estado de Quintana Roo tem muito mais atrações. Apesar do tamanho, Cancún e sua vizinha mais tranquila, na região da Riviera Maia, oferecem um mergulho na história do México, que guarda uma cultura riquíssima. Nas ruas, no comércio, nos parques, é possível encontrar a influência da cultura maia e dos conquistadores espanhóis.

Banhada pelo Mar do Caribe (assim como Cancún), a Riviera Maia é uma região que se estende por cerca de 120 quilômetros entre as cidades de Puerto Morelos e Punta Allen, bem ao sul. Segundo a Fundação de Promoção Turística da Riviera Maia, a região tem mais de 400 hotéis, ocupados por famílias e pessoas que querem um destino mais tranquilo. Quase metade dos turistas é de norte-americanos e europeus.

Riviera foi um importante centro religioso e comercial da civilização maia no período chamado pelos historiadores de pós-clássico, de 1.000 a 1.550 d.C., que se comunicava com outras populações por meio do oceano. A região abriga importantes sítios arqueológicos, com destaque para Tulum e Cobá — este último com uma pirâmide de mais de 40 metros de altura.
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A 60 quilômetros de Playa del Carmen, principal cidade da Riviera Maia, e 128 quilômetros de Cancún, fica Tulum. Com descendência maia e cercada por uma muralha — que dá nome ao local —, está de frente para o Mar do Caribe. O contraste rende belas fotos. Os destaques são as construções mais baixas e largas do que as encontradas normalmente em outros sítios. Estima-se que, em seu apogeu, a população chegava a 10 mil pessoas que viviam basicamente da agricultura.

Residências
Além dos templos — com destaque para El Castillo, uma das maiores construções remanescentes no local —, outras edificações preservam vestígios das cores originais (vermelha e azul). Os grandes espaços gramados vistos do lado de dentro da muralha eram ocupados pelas casas de palha do povo comum. As cidades tinham estruturas para evitar os perigos de um fenômeno comum na região do Caribe: os furacões.

 

Cristiane Silva/EM/D.A Press

Apesar da localização estratégica e da beleza do local, a cidade foi abandonada pelos maias por volta do século 16, por motivos que até hoje intrigam os historiadores. O local fica aberto das 8h às 16h30 e o ingresso custa 64 pesos. Os guias falam vários idiomas e dão detalhes importantes sobre cada construção, os hábitos da população e a relação com a religião e o universo. Água, protetor solar, chapéu, roupas leves e calçado confortável são essenciais para a visita, devido ao forte calor e ao terreno acidentado em alguns locais. Aproveite também e coloque a roupa de banho na lista, porque, depois do passeio, você pode dar um mergulho na Praia de Tulum e admirar, do mar, a vista do Templo del Viento. Imperdível.

Onde nasce o ceú

Cristiane Silva/EM/D.A Press
 

Se depois de passar por Tulum ainda estiver com disposição para mais cultura maia e aventura, pode ir mais ao sul, onde fica a Reserva de La Biosfera de Sian Ka’an. São mais de 500 hectares de vegetação, com selva, pântanos e praias. O passeio é mantido por uma cooperativa formada por moradores da reserva, descendentes da antiga civilização. O valor arrecadado com os tours é revertido para a comunidade. Em Sian Ka’an, que significa “onde nasce o céu”, também há sítios arqueológicos.

Um dos melhores passeios é a passagem pelos canais da Laguna Muyil. Eles foram abertos pelos maias, escavados em paredes de lodo facilmente confundidas com pedras, dando acesso ao mar. A travessia da lagoa é feita em barcos a motor. Entrando nos canais, a velocidade diminui e os guias dão uma verdadeira aula sobre a biodiversidade na região, que abriga diversas espécies de aves, répteis, peixes e felinos. Após 20 minutos, o barco alcança um píer, onde há um pequeno templo maia. Lá, usando um colete salva-vidas, você pode saltar e flutuar pelo canal, conduzido pela leve correnteza. A profundidade chega a, no máximo, dois metros. O passeio relaxante dura meia hora.


Lugares para visitar em Cancún


Museu da Tequila

Cristiane Silva/EM/D.A Press

Quer saber mais sobre a história da bebida símbolo do México? Este é o lugar. Fica no segundo piso do shopping Plaza Kukulkan. Misto de museu com loja de suvenires, na Hacienda Tequila, um guia mostra as etapas da produção, desde a colheita do agave-azul (ingrediente principal), até o envelhecimento da bebida. E ainda tem degustação. Vale passear pelas prateleiras, que contam com mais de 500 marcas. As garrafas são uma atração à parte. Há de cerâmica, lembrando os azulejos portugueses, em formatos de pirâmides maias, bolsas, sapatos. Até com prata e ouro comestíveis. Aberto de segunda a domingo, das 9h às 22h —  www.haciendatequila.sacom.mx

 

Coco Bongo

Coco Bongo/Reprodução

Uma das baladas mais famosas do mundo, cenário do filme O Máskara (1994), é um dos lugares pelos quais você precisa passar em Cancún, se gosta de diversão, música e open bar. A grande atração da boate são os shows com covers de grandes artistas, como Michael Jackson, Madonna e Queen, além de homenagens ao cinema, com apresentações inspiradas em Piratas do Caribe, Moulin rouge, Os fantasmas se divertem e até Tron: o legado. É possível comprar ingressos pela internet.
www.cocobongo.com.mx/

 

Cenotes

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

Os cenotes, grandes cavernas com lagos de água doce, são um grande atrativo. As formações eram muito importantes para os maias, porque, além de fonte de água potável, eram cenários de cerimônias religiosas, sendo considerados portais para o inframundo (o mundo dos mortos). Hoje, é possível se aventurar e sentir um pouco da energia e beleza dos lagos, entre a Riviera Maya e Cancún. É possível contratar o pacote do Tour Xenotes Oasis Maya e visitar alguns deles entre Cancún e Puerto Morelos.   www.xenotes.com.

 

Isla Mujeres

Laísa Queiroz/CB/D.A Press

A Isla Mujeres está tão perto de Cancún que é possível vê-la da praia. É uma boa opção para ir a um balneário com clima de interior. Para chegar, é preciso embarcar em um ferry em Puerto Juárez ou Playa Tortugas. A viagem leva cerca de meia hora.  Em algumas horas, você pode visitar a Isla, da Punta Sur à Playa Norte. Punta Sur é o ponto mais alto da península de Yucatán e o primeiro lugar onde o sol nasce no México. Lá, estão ruínas de um templo dedicado a Ixche, depois do Jardim das Esculturas, que abriga obras contemporâneas de artistas.

Puerto Madero
No Boulevard Kukulcan, um restaurante especializado em carne e frutos do mar. Tem vista para a Laguna Nichupté e um cardápio excelente. www.puertomaderorestaurantes.com

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El chicle

Sian Ka’an também oferece um passeio curioso para conhecer como era feito o chiclete. Na época dos maias, a atual guloseima era usada para higiene: a goma era mascada para limpar os dentes. Anos depois, a extração da matéria-prima virou fonte de renda para milhares de pessoas, que se embrenhavam na selva por meses para extrair “el chicle” da Sapota zapotilla (conhecida no Brasil como sapotizeiro), que era vendido às distribuidoras até chegar à indústria. A seiva da planta é extraída por meio de cortes no tronco, assim como o látex. Depois de recolhida, é fervida em grandes panelas, resfriada e mexida até ganhar a consistência do chiclete.

Nesse passeio, além do cuidado com os calçados, não se esqueça do repelente para insetos – indispensável para caminhar na floresta. Por último, o turista pode desfrutar de um almoço delicioso com comida típica mexicana. Destaque para o Tikin Xic, peixe assado ao estilo maia, com laranja, urucum e enrolado em folha de bananeira, e fajitas de frango temperadas com pimentão e servidas com arroz, nachos, frijoles (pasta de feijão) e as tradicionais tortillas.
 

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