Patrimônio preservado: frevo tem museu, história e é do Recife

Conheça alguns dos principais museus da capital pernambucana, como o Paço do Frevo e o Cais do Sertão. Depois, caia na folia. Escolha uma das 2 mil apresentações programadas

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postado em 28/01/2016 14:00 / atualizado em 28/01/2016 15:05

Márcia Delgado/CB/D.A Press

“Pernambuco tem uma dança/Que nenhuma terra tem/Quando a gente entra na dança/ Não se lembra de ninguém”. O verso, eternizado pela música É frevo, meu bem, de Capiba, um dos cantores e compositores de frevo mais famosos do estado, não deixa dúvidas de que o frevo é patrimônio de Pernambuco.

E tem um museu todinho para ele. Fica no Bairro do Recife, também conhecido como Recife Antigo. Inaugurado há dois, anos traz, entre outras curiosidades, uma linha do tempo sobre uma das mais importantes e conhecidas manifestações populares do nosso país.

Os primeiros registros do frevo datam de 1906. Em 2007, foi considerado patrimônio cultural e imaterial da cidade e, cinco anos depois, patrimônio cultural e imaterial da humanidade pela Unesco. O Paço do Frevo também mostra como a dança surgiu, exibe depoimentos de artistas como Geraldo Azevedo e maestro Duda que ajudam a contar a história da dança.

O paço tem escolas de música e dança, que ajudam a difundir o frevo. Se você quer conhecer esse espaço de grande acervo cultural, pode deixar uma mensagem na parede. E na Praça do Frevo, no mezanino, vislumbrar de cima essa charmosa área do Recife.

A poucos metros do Paço do Frevo, você encontra outro ponto cultural inaugurado em 2014. Depois da praia, pode ter um encontro com o “Rei do Baião” no Cais do Sertão. Logo na entrada, já se vê as roupas usadas por Luiz Gonzaga. Algumas são originais. A discografia completa do artista também está lá.

Márcia Delgado/CB/D.A Press

O museu traz a história do povo do sertão e mostra muito além da seca. É ideal para toda a família. As crianças, como a pequena Kézia Elias, de 6 anos, podem construir as próprias historinhas. Os adultos interagem com o espaço, fazendo, por exemplo, mixagem com as músicas de Gonzagão. “Aqui é um espaço para experimentar de fato a vivência do povo do sertão”, diz Romero Araújo, que trabalha no lugar.


Anota aí

Paço do Frevo

Terças a sextas — aberto das 9h às 17h
Sábados e domingos — Das 14h às 18h
Entrada: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)

Cais do Sertão
Aberto de terça a domingo — das 11h às 17h
Entrada: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Quinta-feira — acesso gratuito

Mais da história

Museu da Cidade do Recife
Foi erguido originalmente em 1630, pelos holandeses. O acervo contém fotografias, mapas e fragmentos arqueológicos que representam a história da evolução urbana do Recife do século 17 aos dias atuais.
» Onde fica: Forte das Cinco Pontas, Bairro de São José
» Funcionamento: de terça-feira a sábado, das 9h às 17h

Museu de Arte Popular
Possui um acervo representativo de todos os estados do Nordeste brasileiro. Obras em madeira, gesso e cerâmica (barro) compõem a coleção do MAP.
» Onde fica: Pátio de São Pedro, casa 49, Bairro de São José, Recife
» Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h

Instituto Ricardo Brennand
Abriga o Museu de Armas Castelo São João, criado pelo colecionador pernambucano Ricardo Brennand, que há mais de 50 anos vem adquirindo obras de arte das mais diferentes procedências e épocas. Possui um rico acervo de armas brancas.
» Onde fica: Alameda Antônio Brennand, São João, Várzea, Recife
» Horário: de terça a domingo, das 13h às 17h. Aberto para grupos agendados às quartas-feiras de manhã.

Artesanato
Não deixe de conhecer, no Recife antigo: o Centro de Artesanato de Pernambuco, aberto de segunda a sábado, das 8h às 18h, e aos domingos, das 9h às 17h, e o Marco Zero, um dos lugares preferidos do escritor Ariano Suassuna na capital. Ele contava que, de lá, viu o pai sair em um navio e nunca mais voltar. Suassuna tinha 3 anos. O pai, João Urbano Pessoa de Vasconcelos, foi assassinado no Rio de Janeiro por questões políticas, às vésperas da Revolução de 1930.

Márcia Delgado/CB/D.A Press

Catamarã
Outro roteiro imperdível no Recife é o passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe e suas cinco pontes. Saia no fim de tarde para ver a cidade toda iluminada na volta. Vale a pena. No caminho, história... Muita história sobre as construções antigas, as pontes e a cultura da cidade. A tradição manda que o turista, ao passar debaixo de cada ponte, faça bastante barulho e seus pedidos. As moças solteiras aproveitam para pedir a Santo Antônio uma ajudinha extra para encontrar sua cara-metade. Além das explicações do guia, você pode se divertir com músicas que falam sobre o Recife, também chamada de a “Veneza brasileira”. O passeio custa entre R$ 40 e R$ 45, dependendo do horário. O ponto de partida é o Cais das Cinco Pontas.


Explosão de alegria nas ruas
A programação oficial tem data certa — de 5 a 9 de fevereiro. Mas Recife respira carnaval o ano todo. Os preparativos e o esquenta começam bem antes, tudo para alegrar os milhares de foliões que saem às ruas em uma das maiores e mais emocionantes manifestações populares do estado. Este ano, a capital pernambucana deve receber 900 mil visitantes. Se você já comprou o seu passaporte para a alegria ou ainda está na dúvida para onde ir, siga para o Recife e se prepare para escolher entre mais de 2 mil apresentações carnavalescas.

A festa será predominantemente comandada por artistas locais. Entre eles, o Maestro Forró, um dos homenageados do carnaval deste ano (ao lado de Maracatu Nação Porto Rico e do Clube Carnavalesco Misto Pão Duro). Músico, compositor e arranjador, Francisco Amâncio da Silva, o Maestro Forró, fundou a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, um bairro popular da zona norte de Recife. Bem antes, aos 5 anos, já se apresentava tocando zabumba ao lado do pai, Zé Amâncio do Coco. Depois veio o primeiro contato com a música erudita: o irmão mais velho, Givanildo Amâncio (Maestro Gil), tornou-se pianista.

Márcia Delgado/CB/D.A Press

O apelido “forró” surgiu durante sua passagem pelas aulas do Colégio Dom Vital, em Casa Amarela, onde fazia parte da banda de música. O Correio encontrou com Maestro Forró no último dia 15, no Paço do Frevo. Ele participava de uma gravação para a  tevê, ao lado de outros artistas locais, como Ayrton Montarroyos, um dos finalistas do The Voice Brasil, exibido no ano passado pela Rede Globo.

Maestro Forró falou da emoção de ser um dos homenageados do carnaval. “É um sentimento de responsabilidade e de muita alegria, por estar ao lado de duas entidades centenárias”, disse. Ele conta que esteve na capital do país algumas vezes e tocou frevo no Suvaco da Asa e no Galinho de Brasília. “Fiquei surpreso e impactado positivamente, pois o pessoal de Brasília tem frevo no pé”, ressaltou. Veja o vídeo:



O Clube Carnavalesco Misto Pão Duro também será reverenciado durante a folia em Recife. Surgiu em 1916, a partir da brincadeira de um grupo de rapazes que aproveitavam a Praia do Pina. Com fome, eles saíram à procura de comida na padaria do bairro, mas lá só encontraram pão velho e duro. Um dos rapazes, fazendo graça, colocou um pão numa vara e saiu pulando e cantando pela rua. Daí surgiu a Troça Carnavalesca Pão Duro.

Márcia Delgado/CB/D.A Press

Perto de completar 100 anos, o Maracatu Nação Porto Rico receberá todas as honras no carnaval do Recife. Ao longo de sua existência, o grupo passou por momentos de dificuldade. Devido à falta de incentivo e à forte repressão imposta às festas populares no país nos anos 1950, o maracatu quase foi extinto. Mas ressurgiu na década seguinte sob a tutela de Zé Ferida, no bairro de Água Fria.

Tradicional baile
Um dos esquentas do carnaval será o 52º Baile Municipal do Recife, que mantém a tradição e vem rasgando no frevo. A festa será no próximo dia 30, no Classic Hall, a partir das 21h. Maestro Forró, Clube Carnavalesco Misto Pão Duro e o Maracatu Porto Rico são presenças confirmadas. Eles farão um grande show com a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Lenine, Gerlane Lops e Geraldinho Lins. Também são atrações confirmadas: Elba Ramalho, Nena Queiroga, André Rio, Marrom Brasileiro e Almir Rouche. Os ingressos custam de R$ 50 a R$ 600.

Considerado o maior bloco de rua do mundo pelo Guiness Book, o Galo da Madrugada abre a folia no sábado de Zé Pereira. Este ano, homenageia Chico Science. O Galo virá estiloso. Usará óculos escuros em alusão a Maestro Forró.
 

Confira a programação do carnaval 


 

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