PESCARIA

Vamos pescar? Entre anzóis e iscas, muitas histórias e diversão

Com vasta costa litorânea e mais de 10% da água doce do planeta, o Brasil é o paraíso de quem pratica a pesca amadora. A atividade virou um negócio para empresas e está atraindo cada vez mais adeptos

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postado em 03/02/2016 20:00

Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press

“Você está me matando, peixe — pensou o velho pescador. Mas tem o direito de fazê-lo. Nunca vi nada mais bonito, mais sereno ou mais nobre do que você, meu irmão.” O trecho do livro O velho e o mar, escrito por Ernest Hemingway em 1951, ilustra, com sensibilidade, a relação entre a pesca e o pescador. Apesar do cansaço (e da paciência) de esperar por horas, a recompensa é válida: fisgar o peixe, tirar uma bela foto e depois devolvê-lo ao seu hábitat. Depois, tudo outra vez.

Os amantes da pesca esportiva conhecem bem essa sensação. Relaxar, usufruir de momentos em grupo e se desligar do mundo, além daquele universo particular de rios, varas, linhas e carretilhas, são motivos que levam milhares de turistas a escolherem destinos de acordo com a disponibilidade de peixes — e, claro, de estrutura para pegá-los.

No Brasil, quem é adepto à pescaria se dá bem. O país é um paraíso para os apaixonados pela atividade, afinal, concentra mais de 10% da água doce do mundo. O resultado disso? Mais de 4 mil espécies de peixe. Para o Ministério do Turismo, o segmento está entre os mais crescentes aqui e no exterior.

 

Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press
 

Em território nacional, dá para praticar nos rios, em lagos, alto-mar, manguezais, praias, costões e reservatórios. A Amazônia e o Pantanal se destacam, com rios caudalosos e vegetação única, ao lado do litoral que vai do Rio de Janeiro à Bahia. Não é preciso muito: bastam vara, linha, anzol e licença de pesca, obtida no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Tranquilidade
Além do prazer de viajar ao lado de amigos, o coronel da reserva da PM Jair Tedeschi, 68 anos, vai em busca de tranquilidade. “O que mais me atrai na pesca é o sossego. Eu tenho uma vida muito agitada. Nessas viagens, a gente desliga o celular, não assiste à televisão. Fica assim por uma semana”, conta o militar, que já foi secretário de Segurança do DF e diretor do DFTRans, e agora está à frente da Associação dos Oficiais da Reserva da corporação. “Já fui a lugares em que, para tomar um café, tinha de rodar 65km. A cidade mais próxima ficava a mais de 100km”, diz o militar, que pesca desde criança.

Entre as viagens preferidas, ele destaca Barcelos, na Amazônia: “Você volta relaxado. É um encontro com paz, natureza, Deus, tudo. Pode até ter mordida de mosquito, mas hoje já temos repelente”, brinca. Para chegar ao município, Jair foi de avião para Manaus e depois pegou um barco, onde viajou por cerca de uma hora. “Não vale a pena só pelo peixe, o tucunaré, porque a gente não leva nenhum para casa. A paisagem é maravilhosa.”

 

Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press
 

Experiente, Jair dá dicas a quem quer se arriscar na pescaria. A primeira delas tem a ver com segurança. “Infelizmente, nem todo mundo usa colete”, diz. E alerta para as saídas noturnas. “Tem que tomar cuidado para não bater em pedras e em outra embarcação.” Por isso, é importante ter um piloto confiável e experiente, para que o passeio siga sem preocupações, acrescenta o militar.

 

Recorde

Ricardo Oliveira/CB/D.A Press

O município está em um ponto estratégico na Amazônia, pois é zona de encontro de diversos afluentes. Cercado por água e com uma vegetação repleta de orquídeas e bromélias, o lugar tem como atração principal a pesca esportiva, mas a produção e a  exportação de peixes ornamentais também se destacam. Para completar, Barcelos é conhecida pelo recorde mundial do tucunaré-açu. O maior peixe da espécie foi encontrado lá, em 2010, durante uma expedição de pesca.

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