INTERCÂMBIO DE TRABALHO

Plataforma work exchange: vagas para quem quer trocar trabalho por estadia

Além de baratear os custos da viagem, é uma forma de ficar em contato direto com a cultura local

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postado em 16/02/2016 09:00 / atualizado em 26/02/2016 16:48

Arquivo Pessoal

“Recepcionista com ou sem experiência para trabalhar de quatro a seis horas por dia em hostel paradisíaco. Salário: hospedagem, alimentação e folga em dias variáveis.” Pode até parecer, mas o anúncio não é uma oferta de emprego comum. A vaga é para work exchange (intercâmbio de trabalho), uma modalidade que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. Funciona assim: você se candidata para trabalhar voluntariamente por algumas horas por dia e, em troca, ganha hospedagem e alimentação.

 

Companheiros desde 2009, os brasilienses Guigo Lopes, 33 anos, e Marcela Souza, 32 (foto), viram no sistema a oportunidade de realizar um sonho antigo. “Depois de uma vida inteira morando na mesma cidade, o desejo de mudar acabou apertando e esse sonho veio à tona, com força. Depois de muita pesquisa, encontramos o work exchange e vimos várias opções que poderiam viabilizar a nossa viagem”, relata Guigo.


Após três anos de muita conversa e depois de juntar algum dinheiro, o casal decidiu que era a hora de realizar o sonho e embarcou para a Califórnia, nos Estados Unidos, para ver se a nova modalidade funcionava. O que eles desconheciam era que o estado norte-americano seria o primeiro destino de uma jornada de mais de 500 dias, 26 cidades, 12 moradias e centenas de amigos. “É uma imersão total na cultura. Você vive com os moradores, observa a rotina e os costumes deles”, diz Marcela. “Além da possibilidade de se conectar com pessoas de outras culturas, é uma oportunidade única para aprender ou praticar um idioma”, completa Guigo.

 

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Atualmente, o casal se mantém em outras cidades graças ao intercâmbio de trabalho. “Nós basicamente vivemos de work exchange e das economias que juntamos nos anos que antecederam a viagem. Também estamos trabalhando com alguns projetos on-line, como o Dias Vivos, um blog em que contamos a nossa história e damos algumas dicas para viajantes”, ressalta Guido.

 

Experiência em terras tupiniquins

 

Assim como o casal brasiliense, a jornalista Gabriella Avila, 23 anos, resolveu se aventurar na nova modalidade. Em 2015, ela tirou um ano sabático para fazer uma jornada de autoconhecimento e testar algumas ferramentas colaborativas. “Trabalhei como recepcionista em dois hostels: o Ô de Casa, em São Paulo, e o Hostel Colonial, em Buenos Aires. A experiência foi muito bacana, porque todos os dias eu tinha contato com gente diferente”, relembra.

 

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Ela conta que cada albergue tinha o seu próprio sistema de trabalho. “No de São Paulo, eu trabalhava três horas por dia. Em Buenos Aires, os horários eram variáveis. Depois de cumprir a carga horária, tinha a liberdade de sair e conhecer a cidade”, relata.

 

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Para Gabriella, a estalagem paulista leva a melhor quando comparada à dos hermanos. “Eu achei o de São Paulo mais organizado. Talvez por já estarem acostumados a receber voluntários e já lidarem melhor com esse programa de work exchange. O pessoal de Buenos Aires estava começando. Eles eram bem legais, mas não eram tão organizados com a questão de horas.”


Apesar de estar animada e se sentindo confiante com a troca de serviços, Gabriella tomou alguns cuidados antes de se candidatar para os hostels. “O processo é bem simples. Primeiro, você manda uma carta explicando com o que você pode contribuir. Depois, tem um bate-papo, um primeiro contato por Skype. Eu confiei bastante nessa entrevista. Antes de decidir, dei uma olhada naqueles sites de avaliação para saber como era o ambiente do hostel e como os hóspedes avaliavam, para não chegar lá e acabar sendo o albergue daquele filme, né?!”, brinca.


Guigo e Marcela também dão algumas dicas sobre detalhes a que se deve ficar atento antes de se aventurar em um work exchange. “O processo para escolher onde vai ser o voluntariado é bem importante. É bom dedicar um tempo para olhar os perfis e encontrar alguma coisa com a qual você realmente tenha afinidade”, aconselham.

 

Há vagas por perto

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O Hostel Catavento, em Alto Paraíso de Goiás, está de portas abertas para quem quiser trocar quatro horas de trabalho diários por estadia e café da manhã. “São 20 horas semanais e dois dias de folga. Os voluntários podem auxiliar na organização do café da manhã, atender clientes, cobrir os horários de descanso de outros funcionários e ficar a cargo de atividades gerais”, explica Ivan Anjos, 44 anos, gerente da estalagem. “Como o horário não é contínuo, essas quatro horas diárias são divididas. A pessoa pode, por exemplo, ficar duas horas cuidando do café da manhã e as outras duas na organização do jantar”, completa.


Para Ivan, o work exchange conta com benefícios tanto para os voluntários quanto para os empregadores. “É uma boa oportunidade para os jovens que querem viajar e não têm tantas condições. Só de eliminar os gastos com hospedagem e praticamente zerar os custos com alimentação, o valor da viagem chega a cair pela metade. Nós também ganhamos porque o hostel sempre vai ter voluntários animados e cheios de gás.”  


Quem se candidatar para trabalhar no Catavento deve estar planejando ficar por pelo menos duas semanas, saber lidar com pessoas e ter conhecimento básico em internet. “Na maioria dos casos, são jovens de 20 a 30 anos que ficam conosco por até dois meses. Acho que 70% dos voluntários que já recebemos eram mulheres”, conta. Ivan ressalta que, apesar de todas as facilidades, o voluntário está ali para trabalhar. “Tivemos problema com uma moça que não se adaptou muito bem aos horários. Ela queria cumprir as obrigações o mais rápido possível para poder desfrutar da Chapada. Durante a semana, precisamos de gente que esteja disponível para trabalhar. Os dias de folga já estão aí justamente para isso”, alerta. O contato do hostel é (62) 3446.1434. (Com informações de Álef Calado).

 

Eco Caminhos Nova Friburgo, RJ)

EcoCaminhos/Divulgação

Para quem curte contato com a natureza e não tem medo de pôr a mão na massa, o Eco Caminhos é o projeto ideal. Eles precisam de voluntários para ajudar na construção de biocasas e trabalhar por 40 horas semanais na criação e edição de vídeos, aulas de inglês e ajuda no cultivo de plantas  verduras. Em troca, o voluntário erá direito a uma cama quentinha, rês refeições por dia e lavanderia.  preciso saber falar inglês.

 

Bluekay Kabanas (Mahahual, México)

EcoCaminhos/Divulgação

E que tal aproveitar as paradisíacas praias mexicanas? O Bluekay Kabanas, em Mahahual, precisa de alguém que ajude no atendimento aos hóspedes, tenha habilidades com pintura e jardinagem ou fique por conta da emissão de notas fiscais. São seis horas diárias e duas folgas na semana. É preciso saber inglês e espanhol intermediários.

 

Green Haven Hostel (Ubatuba, São Paulo)

EcoCaminhos/Divulgação

Em frente à praia do Perequê-Açu, o Green Haven Hostel procura voluntários para aprender como administrar um hostel e, principalmente, se divertir durante o processo. São seis horas diárias ajudando na recepção e na organização de festas e trabalhando na limpeza das áreas de convívio. Cama em dormitório compartilhado e lavanderia fazem parte do pacote para os candidatos.

 

Bangkok Bed and Bike (Tailândia)

EcoCaminhos/Divulgação

O Bangkok Bed and Bike, na Tailândia, procura um “amigo” para ficar na recepção, organizar eventos
 e dar uma ajudinha ao pessoal da cozinha. Em troca, oferece cama em dormitório compartilhado, café da manhã e lavanderia. São cinco horas por dia e duas folgas por semana. É preciso inglês intermediário.

 

Suspense
No filme O albergue,ois estudantes universitários americanos fazem um ochilão pela Europa. Pelo caminho, cruzam com o islandêsOli, que lhes sugere uma visitaa um sítio que descreve como o paraíso. À chegada, os dois amigos se perdem de amores pelas exóticas Natalya e Svetlana. Mas, quando tudo parece demasiado fácil, rapidamente se veem envolvidos em situações cada vez mais sinistras e perigosas. 

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