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Passar horas sentado na mesma posição pode causar a "Síndrome do Viajante"

Entenda o risco de ficar parado por muito tempo em viagens aéreas e rodoviárias. Levantar para dar uma voltinha ativa a circulação, reduz o desconforto, previne doenças fatais e ajuda a passar o tempo

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postado em 28/03/2016 09:00 / atualizado em 30/03/2016 16:21

Fernando Lopes/CB/D.A Press

Espaço é algo raro na experiência de voar pela classe econômica, mas não é desculpa para ficar parado. Quanto mais longa a jornada, maior a necessidade de movimentar o corpo. Quem viaja de carro ou de ônibus também deve ficar atento, pois uma doença comum pega os desavisados de surpresa. É o tromboembolismo venoso, ou Síndrome do Viajante — combinação fatal entre trombose e embolia pulmonar, causada pelo acúmulo de sangue nas veias.

 

O grupo mais propenso ao problema é formado por mulheres que fazem terapia hormonal ou tomam anticoncepcionais, mas a predisposição genética também conta. Segundo o cirurgião vascular Antônio Carlos de Souza, pessoas que fizeram alguma cirurgia ortopédica no joelho ou no quadril, estão acima do peso, fazem quimioterapia ou têm câncer ativo também precisam seguir os métodos de prevenção à risca.

 

Para qualquer um, seja qual for a idade ou o estado de saúde, o conselho é esticar as pernas de tempos em tempos. O médico recomenda movimentos de flexão e extensão dos pés a cada hora para ativar a circulação sanguínea dos membros inferiores. No avião, a dica é aproveitar o espaço abaixo da poltrona à sua frente. Há uma peça de metal móvel ali, própria para apoiar os pés.

 

Caminhar  e beber muita água (para deixar o sangue mais fluido) ajuda. Se você gosta de uma cervejinha a bordo, saiba a hora de parar. Em grandes quantidades, o álcool tende a provocar sonolência e, portanto, inércia. O mesmo vale para os medicamentos conhecidos como sossega-leão. Pessoas mais propensas à síndrome devem investir em meias elásticas. Elas comprimem as veias da perna e garantem a continuidade do fluxo sanguíneo.

 

Carlos Vieira/CB/D.A Press

Mesmo sem ter conhecimento dos riscos de ficar parada por muitas horas, Alane Martins, 21 anos, é daquelas que gostam de passear durante voos longos. Para ela, pedir licença aos vizinhos de poltrona para uma caminhada não é motivo de constrangimento. Pelo contrário: vale tudo em prol da saúde. A universitária foi de Brasília a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em setembro de 2012. A viagem durou 14 horas e não rendeu recordações muito boas. “O espaço entre as poltronas não é muito bom, é razoável. A viagem foi desconfortável, mas eu sempre levantava para dar um passeio”, lembra.

 

Quando o viajante não se movimenta, o sangue se acumula nas veias das pernas e forma coágulos que podem migrar para o pulmão e gerar a embolia pulmonar — obstrução das veias do órgão. Combinada à trombose (acúmulo de sangue nas veias), a embolia gera o chamado tromboembolismo venoso, que é fatal. “As companhias aéreas devem alertar os passageiros sobre os riscos, por uma questão de segurança. Tem gente que viaja e nem sabe disso”, alerta Alane.

 

» Coração na batata

Não vale mexer outra parte do corpo? Explicando: o coração bombeia sangue para todo o corpo, por meio das artérias. Para que o sangue volte, é preciso que as veias entrem em ação, com ajuda dos músculos. Nas pernas, parte mais distante do músculo cardíaco, as panturrilhas cumprem esse papel. “Elas são o nosso coração periférico”, explica o cirurgião vascular Antônio Carlos de Souza. A função da batata da perna é empurrar o sangue de volta ao coração.

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