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Etiqueta nas alturas: dicas para evitar gafes e ser elegante a bordo

Divirta-se com histórias de passageiros mal comportados e aprenda a não ser um deles. Especialista dá dicas para voar com elegância

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postado em 02/04/2016 09:00 / atualizado em 05/04/2016 16:53

Rafael Ohana/CB/D.A Press

"Trate os outros como gostaria de ser tratado”. Essa é a essência da ética da reciprocidade, também conhecida como regra de ouro. Inspiração para alguns, clichê para outros, a frase serve para guiar os mais perdidos quando o assunto é etiqueta.

 

Em um avião, o espaço é reduzido. Logo, culturas e pontos de vista se misturam — mais que as bagagens em sentido literal. Mas há saída. A consultora de boas maneiras e ex-comissária de bordo Sofia Rossi resume os pré-requisitos para ter boas maneiras em uma aeronave (e na vida) em duas palavras: bom senso. “Acima de tudo, o respeito ao próximo”, completa.

 

Falando assim, parece fácil. Tente se colocar no lugar de alguém que precisa descansar durante um voo. Enquanto isso, duas pessoas falam alto e soltam gargalhadas ensurdecedoras na poltrona ao lado. O que fazer? Reclamar diretamente com os barulhentos não é a melhor das soluções, pois é impossível prever quando uma briga pode começar. Se os ânimos não se acalmarem, o comandante pode intervir.

 

Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ele pode impedir o embarque ou desembarcar um passageiro indisciplinado. Se necessário, o comandante tem autonomia para acionar a Polícia Federal ou o órgão responsável pelas atividades de polícia no aeródromo. Felizmente, nem toda situação de indisciplina chega a esse ponto. Muitas das confusões a bordo têm a ver com simples detalhes, corrigidos com cordialidade.

 

Para Sofia Rossi, é importante evitar a fadiga o quanto antes. “É melhor chamar o comissariado para evitar conflitos”. Se soubesse disso, Keully Guimarães, 26 anos, teria evitado estresse em uma jornada por cinco países europeus, feita em fevereiro deste ano. A funcionária pública viajava de Lisboa para Londres e teve a má sorte de se acomodar perto de um grupo de amigas tagarelas. Elas conversaram e riram durante todo o voo. O volume era perturbador.

 

“Olhei para as pessoas no avião. Elas estavam incomodadas também, mas ninguém disse nada”. Na opinião de Keully, essa foi a melhor das atitudes. “A gente viaja com gente de lugares diferentes. Um pouco de educação é bom para não constranger outras pessoas.”

 

Delicadeza

Ela presenciou outra situação que, além de cômica, deixou a tripulação aflita. Voltando para o Brasil em um voo que saiu da França, Keully percebeu que, aparentemente, quatro rapazes se recusavam a seguir as regras básicas de segurança. “Quando era para apertar o cinto, eles estavam em pé. Não entendiam o que as aeromoças diziam. Durante uma turbulência, um deles tirou uma caixa do bagageiro. O grupo começou a jogar cartas no meio do corredor, usando o objeto como mesa”, lembra.

Arquivo Pessoal
 

A consultora Sofia Rossi avalia que os anos dourados da aviação já se foram. “O lanche é reduzido; as passagens, mais em conta. Cabe ao pessoal de bordo servir com delicadeza e presteza. Às pessoas, é de bom tom tratá-las com respeito”. Ela destaca que as “broncas” não são à toa e resume: “Todo comissário se preocupa com a segurança do passageiro. É uma profissão fantástica”.

 

Na prática, o segredo é o respeito

Você tem medo de avião? Os mais experientes respondem rápido: não. Para eles, a sensação de voar pela primeira vez já foi esquecida. Gente experiente não sua frio na decolagem e no pouso, não sente o coração acelerar, não sabe o que é náusea. A ex-comissária de bordo Sofia Rossi pensa de outro modo. “Todo mundo tem medo. Nós (comissários) estamos acostumados.” Os viajantes frequentes, também. Para ela, esse é o motivo da aglomeração de pessoas nos corredores, assim que a aeronave é estacionada. “Todo mundo quer ir embora logo”, brinca.


Além da pressa para sair do avião, os passageiros cometem outras “gafes” no universo das boas maneiras. “Tem de tudo: o passageiro que pede sucrilhos e não quer cereal, gente que confunde pão escuro com goiabada. Uma senhora queria caviar, mas sem as bolinhas pretas. Tive que servir tudo para ela, menos caviar”, lembra Sofia. “É comum que os passageiros levem coletes salva-vidas para casa, talheres, cobertores, travesseiros, copos e até xícaras”. Ser excêntrico não é um problema, desde que algumas regras sejam respeitadas. Veja dicas:

 

Ao se acomodar

» Encontre seu assento pelo número indicado no bilhete aéreo. Você pode pedir para trocar de lugar com alguém, mas não crie constrangimento caso a resposta seja negativa;

» Se houver assentos vazios, é permitido trocar de poltrona antes da decolagem. Pergunte à tripulação se o assento está mesmo disponível, para evitar mal-entendidos.

Arquivo Pessoal
  

Durante o voo

» Não reclame do serviço de bordo. As companhias aéreas servem lanches que costumam ser pequenos. Não conte com isso para matar a fome;

» Respeite as regras de uso do celular. Ele pode interferir nos sistemas de navegação do avião;

» Você pode se levantar para ir ao banheiro ou para esticar o corpo, mas não fique passeando ou conversando em pé;

» Caso esteja viajando com uma criança, não permita que ela circule sozinha pelo corredor. É perigoso;

» Não passeie pelo corredor do avião durante o serviço de bordo;

» Se precisar de ajuda, chame o serviço de bordo pelo botão instalado no painel e espere o comissário aparecer. Não grite por ele;

» Não converse alto. Ninguém é obrigado a escutar suas conversas;

» Não insista em puxar assunto com seu vizinho de poltrona;

» Não invada o espaço da pessoa ao seu lado durante o voo, seja com cotovelos, seja com objetos — livros, bolsas e agasalhos;

» Evite tirar os sapatos e deixar o ambiente “perfumado” com o temido chulé;

» Não monopolize o banheiro;

» Não coloque os pés na poltrona à sua frente;

» Não escute música com volume alto. Use os fones de ouvido.

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