FESTAS JUNINAS

Forró de primeira e passeios imperdíveis na cidade pernambucana de Caruaru

A comemoração é grandiosa e disputa com Campina Grande o título de maior são-joão do mundo. Vá para Caruaru e curta as atrações, de desfiles de comidas gigantes a shows como o de Elba Ramalho

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/05/2016 10:00 / atualizado em 27/05/2016 13:24

Inês Campelo/DP/D.A Press

Tudo começou em 1972 na Rua São Roque, no centro de Caruaru. O odontólogo Agripino Pereira decidiu organizar uma festa junina familiar. Ele gostava de cuidar de cada detalhe mas, depois, por motivos pessoais e profissionais, deixou a missão para as irmãs. Até que em 1993, a prefeitura decidiu assumir a festa, hoje transformada no “maior e melhor são-joão do mundo” (título também reivindicado por Campina Grande). Por quase 30 dias, a cidade pernambucana se transforma na capital do forró e atrai 1,5 milhão de pessoas de todos os cantos do país e do mundo.

Marque no seu calendário: de 4 a 29 de junho é o período programado para a alegria explodir em Caruaru. O palco central das atrações é o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, ou Pátio do Forró. É lá que Elba Ramalho e Flávio José, um cantor de forró típico nordestino, vão abrir o São João. Elba vai participar da abertura pelo nono ano consecutivo. Ao Correio, ela traduz a sua emoção, renovada a cada apresentação em Caruaru. “É uma grande honra e uma grande responsabilidade também”, diz a cantora paraibana, que prepara surpresas para o público. “Asseguro que é uma grande produção”, ressalta (leia Entrevista).

Gigantes

Prefeitura de Caruaru/Divulgação

Os preparativos para o são-joão estão a todo o vapor. A expectativa da prefeitura é de que tudo esteja prontinho até o 30 de maio, quando o Pátio Luiz Gonzaga receberá o calor da Tocha Olímpica. O símbolo dos jogos internacionais percorrerá cerca de 9km até chegar ao pátio, onde haverá uma celebração especial. A tocha percorrerá 328 cidades brasileiras até chegar em 5 de agosto ao Rio de Janeiro, sede das competições.

Entre os diferenciais da festa junina, um calendário de comidas gigantes produzidas em vários bairros, com direito a desfile pelas ruas. A apresentação mais famosa é do Maior Cuscuz do Mundo, em 12 de junho, Dia dos Namorados. Pensa que é só se fartar com essa delícia? Quem acompanhar o cortejo pode se divertir com shows musicais e trios elétricos de forró pé de serra. A multidão que segue o cuscuz gigante chega a quase 100 mil pessoas. A programação começa em 28 de maio e vai até 29 de junho.

 

Entrevista// Elba Ramalho 

Inês Campelo/DP/D.A Press

Há quanto tempo você se apresenta na abertura da festa de Caruaru? Como é o seu sentimento e sua emoção a cada ano?

Desde o lançamento dos meus primeiros discos, me apresento no São João de Caruaru. Na maioria das vezes, na abertura, para começarmos com força total. Já houve ocasiões em que me queriam no dia 24 de junho, que é o dia de São João. Há mais de 30 anos, estou presente em Caruaru e isso é uma grande honra e uma grande responsabilidade também.

O que os moradores e turistas podem esperar do seu show na abertura deste ano?
As surpresas eu não vou contar não, mas asseguro que é uma grande produção. Eu faço um repertório de muito bom gosto, valorizando o tradicional e dando espaço para a renovação. Admito que é um desafio preparar esse espetáculo. A minha trajetória é longa e, felizmente, foi muito bem construída. Quando ninguém utilizava sopros no forró, eu comecei a colocar os sopros. Quando ninguém conhecia fogos indoor e explosões, o meu show apresentava. Até bailarinos sobre pernas de pau já participaram. No centenário de Luiz Gonzaga, levei a sanfona branca do mestre Gonzagão para o palco de Caruaru, o instrumento original mesmo. A cada ano, eu e minha equipe nos esforçamos muito para levar um grande espetáculo e honrar a tradição.

Para você, que se apresenta em outras festas juninas tradicionais, como o São João de Campina Grande, qual a principal característica do São João de Caruaru que faz com que seja diferente dos demais?
A rivalidade entre Campina Grande e Caruaru é saudável e quem ganha é o público. Sou suspeita, mas recomendo ao turista que visite as duas festas, dance muito forró, prove as delícias da culinária típica, faça suas orações para os santos do mês de junho e, depois, tire as suas próprias conclusões.

 

Guarde a lembrança 

Alexandre Gondim/DP/D.A Press

Imortalizada na voz de Gonzagão, a Feira de Caruaru é visita obrigatória para quem for se divertir no são-joão da cidade do agreste pernambucano. Surgiu com o município e está instalada no Parque 18 de Maio. São 40 mil metros quadrados, onde a feira é dividida em três espaços distintos. O que mais chama a atenção é o espaço de artesanato. Lá, o visitante vai encontrar peças artesanais produzidas por artistas locais com barro, madeira, metal, palha, coco, cordas, couro, rede, bordados, lã, latas, entre outros. Não esqueça: o horário de funcionamento é das 8h às 17h.


O outro espaço é a Feira da Sulanca. Também muito procurada pelas confecções com  bons preços para revenda. São mais de 10 mil barracas que atendem por dia, em média, mais de 40 mil pessoas, com faturamento de R$ 1 milhão. Mas atenção: o espaço só abre às terças-feiras, a partir das 5h.

A Feira Livre integra o complexo que movimenta a economia da cidade. A diversidade de produtos seduz qualquer visitante. Lá, é possível encontrar de panelas a calçados, raízes, ervas e roupas. Tem ainda a Feira do Troca-troca, onde não se usa dinheiro. Aves são trocados por discos, relógios por rádios, bicicletas por animais, e assim por diante.

“A Feira de Caruaru, faz gosto a gente vê. De tudo que há no mundo/Nela tem pra vendê. Na feira de Caruaru/Tem massa de mandioca, batata assada, tem ovo cru, banana, laranja, manga, batata, doce, queijo e caju, cenoura, jabuticaba, guiné, galinha, pato e peru/Tem bode, carneiro, porco/Se duvidá... inté cururu...”, cantou o rei do baião. Duvida? É só ir lá para ver. 

Não deixe também de conhecer o Bairro Alto do Moura. Fica a 7km do centro de Caruaru e concentra diversos ateliês de ceramistas, museus, bares, restaurantes, pousadas, grupos musicais e de danças regionais. Tudo começou com Mestre Vitalino (1909-1963), que ainda criança, numa brincadeira pueril, criou peças como boizinhos e cavalinhos de argila. Seu pai trabalhava na roça e a mãe o ajudava. Era também artesã louceira. 

O menino cresceu, prosseguiu com a arte e, adulto, casou-se com Joana Maria da Conceição. Era católico devoto de Padre Cícero. Com Joaninha, teve seis filhos, dos quais cinco continuaram com o ofício do pai e um dos cinco — Severino Vitalino — ainda hoje pode ser encontrado reproduzindo as peças do pai na Casa-Museu Mestre Vitalino.

Como chegar

Não há voos diretos de Brasília para Caruaru. Escolha Recife ou então João Pessoa como destino. A capital de Pernambuco é mais próxima, fica a 135km, e a capital paraibana, a cerca de 230km. 

 

Onde se hospedar
» Pousada Lengotengo 
(Alto do Moura) 
(81) 3722-1803

» Caruaru Park Hotel 
(81) 3722-9191

» Hotel Village Premium Caruaru
(81) 3722-5544

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.