PARÁ

Vila paraense de Alter do Chão é recanto do folclore e do pôr do sol

O paraíso fica a 38 quilômetros de Santarém e revela diversidade de ritmos, sabores e paisagens

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postado em 01/07/2016 09:00 / atualizado em 30/06/2016 12:44

Paulino Menezes/MTur

O lugar onde as praias de água doce fazem bonito perto de qualquer balneário caribenho também oferece música animada, preserva o sossego de cidades pequenas e guarda lendas como parte de sua história. Distrito de Santarém, Alter, como é conhecida, tem barcos como principal meio de transporte. O píer que recebe as embarcações fica no centro, ponto de partida para recantos de água pura e morna, praticamente desertos, bem perto de uma estrutura completa de pousadas e restaurantes.

O lugar mais procurado por turistas é a Ilha do Amor, responsável pela fama de Alter do Chão dentro e fora do Brasil. A ilha é, na verdade, um banco de areia do Rio Tapajós, a poucos metros de distância da orla. De agosto a novembro, período de estiagem, o paraíso fica ainda mais atraente. A faixa de areia aumenta, pois o nível das águas começa a baixar. De onde se viam coberturas de palha, surgem estruturas completas — casinhas fincadas no fundo do rio, usadas como barracas de praia. A madeira é resistente à água, mas deve ser substituída a cada cinco ou 10 anos, a depender da espécie.

Culto ao Sol

Paulino Menezes/MTur

O leito do Tapajós é cenário para o amanhecer e para o anoitecer. Famoso entre fotógrafos e noivas, o pôr do sol dá nome a um projeto coordenado pela Prefeitura Municipal de Santarém e a Subprefeitura de Alter do Chão. A ideia é deixar o microfone aberto para apresentações de artistas locais e até internacionais. As ruas ao redor da Praça Borari, no centro, ficam fechadas para veículos aos fins de semana — vantagem para os vendedores de artesanato e curiosos que passam por lá.

O palco tem lugar para todos os estilos musicais. O mais tradicional é o carimbó, representado no Çairé — festival folclórico que se espalha pelo oeste do Pará em setembro. Da letra das músicas às danças, o boto rosado e o tucuxi (cinzento) são os personagens principais, ao lado de elementos que representam a região — o remo, os catraieiros (condutores de catraias, tipo de barco), a farinha de mandioca, o Lago Verde, entre outros.


O Çairé começa na manhã de uma quinta-feira. A tradição é levantar mastros que ficarão em pé durante cinco dias de festa. Eles representam a parte “sagrada” do Çairé. À noite, é a vez do profano. Os botos cor-de-rosa e tucuxi se apresentam ao lado das rainhas da festa e embalam os casais. As mulheres usam saia rodada, e os homens não têm vestimenta específica, mas precisam caprichar na desenvoltura.


Encontro

Carlos Silva/ImaPress

Cercado por praias de areias brancas e frequentado por embarcações de todos os tipos, o Lago Verde tem formato de V. O vértice é o ponto de encontro entre o lago o Rio Tapajós. A união se dá em época de cheia. Na estiagem, o nível da água fica mais baixo e o lago se separa do rio por uma barra fluvial de cerca de um quilômetro de extensão.

Para saber mais

A orla pode ser comparada a qualquer balneário caribenho

Conta-se que os botos se transformavam em homens para seduzir moças de comunidades ribeirinhas em noites de Lua Cheia. Depois de nove meses, nasceria o resultado da união. A lenda foi bastante utilizada para explicar gestações fora do casamento, mas hoje é contada com bom humor pelos nativos, como símbolo da cultura local.

 

(Viagem a convite do Ministério do Turismo) 

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