PARÁ

Comunidades ribeirinhas de Anã e Urucureá têm estrutura para visitantes

Povoados fazem do turismo de base comunitária uma fonte alternativa de sustento. Quem visita pode aprender a pescar, a plantar e até a criar abelhas

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postado em 02/07/2016 09:00 / atualizado em 30/06/2016 12:44

Paulino Menezes/MTur

Por ser extenso e circundado por cursos d’água, o território do oeste paraense acaba por esconder grupos de pessoas que vivem de maneiras bem próprias, isolados em plena Floresta Amazônica. Devido à distância entre a mata e a urbanização das cidades, ribeirinhos da Comunidade de Anã, a 30 minutos de barco da vila de Alter do Chão, produzem alimentos e criam animais para consumo próprio. Receber turistas é uma alternativa para movimentar a economia local e trocar experiências — é o chamado Turismo de Base Comunitária (TBC).

 

Em Urucureá, comunidade próxima, a realidade é parecida. Mulheres, principalmente, produzem cestarias tingidas com pigmento natural e recebem visitantes, que podem aprender sobre a confecção dos objetos. Os dois povoados fazem parte da Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta — Turiarte, que também atua como agência de turismo. Os dois passeios podem ser feitos no mesmo dia.

 

Ponta do Icuxi

Caso esteja em Alter do Chão, a melhor maneira de chegar à Comunidade de Anã é de barco. Faça uma pausa para mergulhar na Ponta do Icuxi, faixa de areia que faz parte do leito do Rio Arapiuns. A área é circundada por água morna e transparente. Renovadas as energias, são poucos minutos até a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, onde moram 350 pessoas, divididas em 102 famílias. O espaço é uma unidade de conservação ambiental gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Quem sai de Santarém percorre 8 quilômetros de carro.

 

Piscicultura faz a região crescer

Paulino Menezes/MTur

Em Anã, o isolamento existe apenas em termos geográficos. Há uma escola e um centro de inclusão digital instalados na reserva. Os computadores não funcionam, mas não são desculpa para estagnação. Os moradores buscam o acesso à web em Alter do Chão ou Santarém. Alguns vão a Belém, capital do estado, para estudar na universidade.

 

Sempre que necessário, os nativos buscam cursos de aperfeiçoamento em regiões próximas, conta Maria Odila Duarte, 65 anos, presidente da Turiarte. Ela é pioneira na piscicultura desenvolvida no Rio Arapiuns desde 2005. “Os peixes ajudam na nossa alimentação, rendem um dinheirinho no bolso e fazem parte do cardápio dos visitantes que vêm à Comunidade de Anã”, conta.

 

Os visitantes podem chegar próximo aos tanques, abastecidos com centenas de peixes. É a primeira parte do passeio, feita ainda dentro da embarcação. Fora do barco, cuidado onde pisa: arraias costumam ficar enterradas na areia. Por isso, é recomendado usar chinelos e se locomover arrastando os pés no fundo do rio, para espantar os bichos. Um píer de madeira, comum na região, recebe os visitantes com charme. Embaixo dele, crianças costumam nadar o dia inteiro.

 

Paulino Menezes/MTur

Tanto brasileiros quanto estrangeiros vão até lá por curiosidade, para descansar, fazer trilhas e adquirir habilidades como agricultura, pisicultura e meliponicultura — criação de abelhas sem ferrão. Os produtos excedentes são vendidos para mercados em Santarém, a 8km dali. Há quem prefira dormir no local. A estrutura de hospedaria é simples: um redário com armários individuais e capacidade para 20 pessoas. Os banheiros e a cozinha são coletivos. Há energia elétrica, gerada por captadores de luz solar.

 

» Conheça Anã
www.turiarteamazonia.wordpress.com
Diárias a partir de R$ 50

 

» Para saber mais
O Turismo de Base Comunitária (TBC) abrange iniciativas protagonizadas por comunidades locais. Quando ordenadas e bem estruturadas, as atividades agregam valor aos roteiros como fonte de experiência para os visitantes, e geram emprego e renda para a região.

 

Linhas e cores 

Paulino Menezes/MTur

Vermelho, amarelo, laranja, roxo, e preto são algumas das cores das cestarias produzidas na comunidade de Urucureá, a 15 quilômetros do centro de Santarém. O trançado de palha pode até parecer pintado a tinta, mas os pigmentos vêm da floresta. As mulheres do povoado fervem vários tipos de folhas encontradas no quintal de casa em tachos de alumínio. Com o calor, os vegetais liberam colorações vivas e cem por cento naturais. A depender da cor, são utilizadas frutas e sementes, como o urucum.

 

A palha seca de tucumã recebe as tinturas. A palmeira, encontrada em toda a região, é versátil: suas folhas também são usadas para cobrir casas. Cerca de 50 famílias se dedicam ao artesanato em palha, famoso em eventos nacionais e internacionais em Nova York e Paris, por exemplo.

 

Quem visita o local pode ir de barco — direto para o centro de produção de cestarias — ou deixá-lo na beira do rio e seguir uma trilha até lá. Nos três quilômetros de caminhada na floresta é possível observar pássaros, macacos e espécies da flora nativa. A helicônia, ou bananeira-do-mato, cresce por toda parte e acrescenta pontos de cor na paisagem onde predomina o verde.

 

Na comunidade, os nativos explicam como produzem o artesanato e abrem espaço para um bate-papo descontraído. Prepare a carteira: é possível comprar as peças de palha, que custam a partir de R$ 30. No Centro de Artesanato Cristo Rei, em Santarém, objetos com o mesmo estilo são encontrados pela metade do preço.

 

» Artesanato
A Comunidade de Urucureá é parte do Projeto de Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande, região do oeste paraense. Cerca de 40 mulheres do povoado integram a TucumArte, grupo de artesanato que reúne artistas de toda a Amazônia. Os produtos podem ser adquiridos pelo site.

 

» Agende sua visita

Telefone: (93) 3064-8000

Preço: R$ 15 

 

(Viagem a convite do Ministério do Turismo) 

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