CENTRO-OESTE

Passeios em Goiás Velho proporcionam uma viagem ao Brasil Colônia

Sem roteiro predefinido, caminhe pelas ruas da cidade e descubra as riquezas da antiga capital do estado. Resquícios do período colonial estão em todo canto

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postado em 06/07/2016 19:00

João Bosco Saramago/Flickr

Cidade de Goiás — Pirenópolis é a queridinha dos brasilienses. Pelos casarios, pelas cachoeiras e pela proximidade com a capital. Mas Goiás tem outra cidade mais bela, mais aconchegante, mais tranquila, mais rica em história, com mais museus e mais barata. Só é preciso andar um pouco mais para chegar até lá. A viagem vale cada quilômetro.

 

O lugar em questão é a Cidade de Goiás, mais conhecida como Goiás Velho. A 320km de Brasília e a 140km de Piri, ela foi a primeira capital do estado. Desde 2001, ostenta o título de Patrimônio Mundial, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original. Uma vitrine do Brasil do século 18. Tudo em meio a um vale envolvido pelos morros verdes e ao sopé da lendária Serra Dourada.

Sem a agitação de Piri, Goiás tem uma atmosfera bucólica. Suas ruas silenciosas e o seu casario colonial bem conservado convidam para longas e prazerosas caminhadas, sem roteiros predefinidos. Feitas de pau a pique, sem muros ou grades e unidas umas às outras, as casas centenárias do centro histórico chamam a atenção de quem está acostumado com asfalto e arranha-céus.

O calçamento de pedra — construído com o suor e o sangue de escravos — e a arquitetura são testemunhas de outros tempos, iniciados com o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva. Mais conhecido como Anhanguera, ele liderou um grupo de desbravadores do Brasil Central que capturavam índios e buscavam ouro para enriquecer os colonizadores portugueses.

Goiás cresceu às margens do Rio Vermelho, se tornando um dos primeiros municípios fundados no Brasil colonial. A cidade foi a capital do estado de Goiás por mais de 200 anos. Perdeu o posto com a inauguração de Goiânia, em 1933.

Sem pressa

Renato Alves/CB/D.A Press

Os moradores de Goiás Velho parecem não conhecer a pressa e a violência. É comum ver janelas e portas abertas, com gente sentada em uma cadeira, na calçada, batendo papo com o vizinho e vendo os passantes, sempre disposta a conversar com qualquer um.

 

Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press

A Cidade de Goiás, que originalmente se chamava Vila Boa, também oferece aos turistas riquíssima arte sacra nas seculares igrejas e nos museus. De todos, o mais visitado é o Museu Casa de Cora Coralina, também conhecido como Casa Velha da Ponte. Ele fica à margem do Rio Vermelho e é a antiga casa da poetisa Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, a Cora Coralina.

Famosa pelos inúmeros versos sobre a Cidade de Goiás (1889-1985), após a morte da poetisa, amigos e parentes se reuniram e criaram, em 1989, o museu em sua homenagem. A família doou o acervo: objetos pessoais, fotos, utensílios domésticos, livros e imóveis.

 

Legítimos quitutes goianos

Renato Alves/CB/D.A Press

Além do casario, dos museus e das belezas sacras, em relação a Pirenópolis, Goiás Velho tem como atrativo os preços. Em comparação com a badalada Piri, as diárias na cidade de Cora Coralina chegam a custar quase metade em hospedarias com estruturas equivalentes. Restaurantes e lanchonetes de Goiás também cobram bem menos pelas bebidas e pelos quitutes e pratos.

Devido ao menor fluxo de turistas (o que barateia tudo), as opções para comprar, almoçar e jantar em Goiás Velho são poucas. Algumas casas transformadas em lojinhas vendem quitutes e artesanatos. Outras poucas abrigam restaurantes, lanchonetes e cafés. As mesas são colocadas nos cômodos, na calçada e no quintal.

Quando chega a fome, o visitante pode experimentar as comidas regionais, como o empadão goiano, a pamonha ou o bolo de arroz, encontrados na maioria dos estabelecimentos, onde o turista desembolsa de R$ 20 a R$ 40 por um prato farto. O Mercado Central é outra opção. Lá, o turista encontra de comida típica a lojinhas de artesanatos.

Aliás, nenhuma outra cidade goiana oferece o legítimo empadão goiano, criado em Goiás Velho, onde tem a receita original seguida à risca (com seu substancioso recheio que mistura linguiça, palmito, frango, queijo e um tipo de palmito amargo, a guariroba).

Doces portugueses
Outra antiga tradição da cidade são os alfenins, doces de origem portuguesa, preparados com açúcar e polvilho e que vem em simpáticos formatos de animais. Os doces de frutas cristalizadas também são famosos e os visitantes podem acompanhar o trabalho das doceiras.

Nos doces e nas manifestações religiosas, como a Procissão do Fogaréu da Semana Santa, permanecem as raízes culturais do passado. Para quem gosta de curtir a natureza, são organizadas caminhadas na reserva ambiental da Serra Dourada, em um dos lados da cidade.

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