MONUMENTOS

Patrimônios Culturais da Humanidade estão espalhados por todo o Brasil

O mais recente deles é o Complexo da Pampulha, inspiração para o Plano Piloto, que também detém o título

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postado em 31/07/2016 09:00 / atualizado em 28/07/2016 12:52

Beto Novaes/EM/D.A Press

Preservar a história, a identidade e a cultura do país é o objetivo do título de Patrimônio Mundial concedido pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas (Unesco). A lista tem 1.052 sítios espalhados em diversas partes do mundo — 20 estão no Brasil, sendo 13 deles culturais.

 

O Plano Piloto, em Brasília, é um desses patrimônios. A integração entre arte, arquitetura e urbanismo, idealizada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer, resultou em uma cidade inovadora, característica essencial para a escolha da Unesco, em 1987. A conquista brasileira mais recente foi o Complexo da Pampulha, em Belo Horizonte, a capital mineira, que foi considerado Patrimônio Cultural da Humanidade em 17 de julho. Construído entre 1942 e 1943, o conjunto arquitetônico, assim como Brasília, foi desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, sob encomenda de Juscelino Kubitschek. Também como na capital, o paisagismo é obra de Roberto Burle Marx.

 

» Relíquia
O título de Patrimônio Cultural concedido a Brasília prevê a proteção de monumentos, edifícios ou sítios que tenham valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou antropológico.

 

A Pampulha é composta pela Igreja de São Francisco de Assis; o Museu da Pampulha — inaugurado como um cassino —; a Casa do Baile, atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte; o Iate Clube; a Lagoa da Pampulha e sua orla. Para manter o título, toda a região precisa ser preservada — inclusive os elementos paisagísticos. Vale a pena andar em volta da lagoa e conhecer essas relíquias.

Para conceder o título, a Unesco levou em conta três critérios, estabelecidos na Convenção do Patrimônio Mundial em 1972. O primeiro foi o caráter precursor e inovador do conjunto, que integra arquitetura, arte e paisagismo. Em segundo lugar está a influência nacional e mundial do complexo. Segundo a Unesco, a Pampulha serviu de inspiração para a arquitetura de Brasília, por exemplo. Por último, o patrimônio foi construído em um momento significativo da história. O projeto foi desenvolvido após a independência de países da América Latina, constituição de novas repúblicas e a crise de 1929. Mas há outros tesouros mineiros que são tombados como Patrimônio Cultural e que merecem uma visita. Confira:

 

Preciosidades mineiras

Ouro Preto

Antonio Klaus Kaarsberg/Flickr

Em 1980, o Brasil entrou, pela primeira vez, na seleta lista da Unesco. Ouro Preto, a cidade construída no fim do século 17, foi reconhecida mundialmente por manter a maior parte de suas características originais, como a arquitetura religiosa e a civil. Mesmo com a expansão de seu entorno, o centro histórico preserva edifícios, oratórios, capelas, pontes e chafarizes da época da construção da cidade. Não deixe de conhecer essa pérola mineira.

Congonhas

Mapio/Reprodução

Outro Patrimônio de Minas Gerais é o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, que fica muito próximo de Belo Horizonte. O monumento, construído no século 18, recebeu o título em 1985. É formado por uma igreja de estilo rococó, decorada com estátuas de pedra-sabão dos Doze Profetas em sua escadaria externa, e por seis capelas, que representam as Estações da Cruz e abrigam esculturas de Aleijadinho.

Diamantina

Marcelo Feijó/Divulgação

O centro histórico da cidade mineira de Diamantina, perto da capital mineira, também entrou para a lista mundial. Com modelo cultural português, os bem-preservados edifícios foram construídos em volta de uma praça que representava o centro do poder político e religioso da época. As igrejas e casarios são conhecidos por seus frontões em madeira de diversas cores e com elementos talhados.

 

Relíquias nordestinas

Mazé Parchen/Flickr

O Nordeste brasileiro também está bem representado na lista de Patrimônios Culturais da Unesco, que podem ser considerados da humanidade. A primeira cidade nordestina a receber o reconhecimento foi Olinda, em Pernambuco. O centro histórico passou por poucas mudanças após dois séculos de sua inauguração, sendo esse um dos motivos para a escolha pela organização, em 1982.

O local remete ao século 16, período de ouro da economia de cana de açúcar da colônia portuguesa. A área considerada Patrimônio Mundial Cultural é de 1,2km² e abrange mais de mil imóveis de estilo colonial com fachadas de azulejos dos séculos 18 e 19. O centro de Olinda também é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

Adenilson Nunes/Secom Bahia

Três anos depois, foi a vez de o centro histórico de Salvador, outra herança do período colonial, ser considerado um sítio de preservação. As riquezas trazidas pela lavoura açucareira, no século 17, refletiram na arquitetura de edifícios do centro baiano. A Catedral de Salvador, o Palácio do Governador e o Largo do Pelourinho são algumas das construções que fazem parte da área de preservação da Unesco.

 

Mariana Costa/Secom UnB

Por preservar o seu conjunto arquitetônico original do século 17, apesar de expansão urbana, o centro histórico de São Luís do Maranhão foi considerado Patrimônio Mundial em 1997. Quatro mil imóveis — entre eles, o Convento das Mercês, o Teatro Artur Azevedo e a Igreja do Carmo — mantêm características como o aproveitamento máximo da sombra e da ventilação proveniente dos mares.

 

Sergipe também tem um título para chamar de seu. Há seis anos, a Praça de São Francisco, na cidade de São Cristóvão, ganhou o status de Patrimônio Mundial. Visitar o Convento de São Francisco, a Igreja e a Santa Casa de Misericórdia, o Palácio Provincial é uma imersão no período em que as coroas portuguesa e espanhola se uniram no Brasil.

 

Vestígios arqueológicos

O Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, foi criado em 1979 para preservar os registros pré-históricos encontrados na região. A delimitação da área também contribuiu para a pesquisa da fauna, flora e da história do povo que viveu no local. A demarcação total do parque foi encerrada em 1990, apenas um ano antes de a Unesco incluir a região na lista.

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