ÁSIA

Linda e apaixonante: conheça Mianmar, terra dourada do continente asiático

Explore o país budista, recheado de belos templos, cidades históricas e natureza exuberante. A alegria e a receptividade do povo impressionam. A infraestrutura deixa a desejar

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 17/08/2016 12:57 / atualizado em 26/08/2016 19:10

João Tajra/Especial para o Correio


Depois de décadas de isolamento, Mianmar lentamente se abre para o mundo. Foram 50 anos sob a ditadura militar, isolado do resto do mundo, até a gradual volta da democracia (confira o Para saber mais). Com isso, o número de visitantes se multiplicou. A antiga Birmânia foi redescoberta pelos turistas.

Cidades históricas, milhares de templos budistas, natureza exuberante, caminhadas por vilarejos nas montanhas: tudo isso aguarda pelo viajante que tenha um pouco de paciência para chegar até Yangon, a capital do pequeno país asiático, e enfrentar a situação ainda precária da maior parte da infraestrutura turística.

Mas as recompensas são muitas. A primeira impressão é o quase opressivo ar quente e úmido, típico de regiões equatoriais. Mas a segunda e permanente impressão, a que fica, é a hospitalidade e a alegria do povo. A cada passo dado, o visitante recebe um sorriso e a saudação minglabá (olá, na língua local), que pode parecer estranha a princípio, mas, com o tempo, soará como música aos ouvidos.

 

João Tajra/Especial para o Correio


Mianmar tem 90% da sua população budista praticante, e quase todos, homens e mulheres, passaram algum período como monges em algum dos inúmeros monastérios do país. Dessa tradição budista vem a principal atração do país: uma infinidade de pagodas ou pagodes (templos), muitos dos quais ainda em uso religioso. É impossível não se encantar com esse país localizado no sudeste asiático, também conhecido como terra dourada, por causa dos seus templos cobertos em ouro. Embarque nessa aventura.

A terra dos templos

Yangon, a capital de Mianmar, pode parecer caótica à primeira vista, mas tem muito a oferecer. Lá estão localizados os melhores hotéis e restaurantes, diversos mercados tradicionais e também um dos templos mais impressionantes do mundo: a Shwedagon Pagoda, erguido de modo contínuo desde o século 6, hoje tem 105 metros e dezenas de toneladas de ouro. O mercado Bogyoke, com centenas de pequenas lojas, vende desde tecidos de seda até artesanato budista. Para relaxar após o dia caminhando pela cidade, nada melhor que um jantar no Strand, tradicional hotel da época colonial.

Bagan é a principal atração do país, com seus mais de 3 mil templos, pagodes e estupas (templos) pontuando a larga planície ao longo do Rio Irauádi. Construídos entre os séculos 11 e 12, quando Bagan era a cidade mais importante da região, muitos dos templos continuam em uso religioso e dão um contraste entre novo e antigo, religião e história. Para circular por Bagan, nada melhor do que alugar uma scooter elétrica e perder-se pelas trilhas entre os templos. O fim do dia e o amanhecer são as horas ideais para visitar os poucos templos que podem ser escalados, para se ter uma visão geral do lugar. Melhor que isso, só um voo de balão sobre a planície.

 

João Tajra/Especial para o Correio

 

Segunda maior cidade de Mianmar, localizada no centro do país, Mandalay foi a última capital imperial do império Birmanês. Muitos viajantes preferem passar mais dias em Bagan ou Inle Lake, mas a cidade vale a visita. O Palácio Real, dentro de muralhas e cercado por um fosso de água, é o cartão de visitas. Mas é no templo Mahamuni que está a atração mais impressionante: diariamente, milhares de fiéis e devotos passam pelo local para reverenciar uma gigantesca estátua do Buda e aplicar sobre ela finas lâminas de ouro — tantas que a imagem cresce em tamanho ano após ano, com as sucessivas camadas.

Para saber mais
Abertura política

Ex-colônia britânica, Mianmar tornou-se independente em 1948. Em 1962, um golpe comunista depôs o governo civil e instaurou um regime militar. Em março deste ano, ocorreram eleições no país e o intelectual Htin Kyaw (membro do partido LND) foi empossado como presidente, após 54 anos de ditadura. Ele assumiu o lugar de Thein Sein, general que ocupava o país desde 2011. O resultado representa um passo importante no processo de redemocratização do país e um momento histórico: o primeiro governo civil em décadas.

A escolha de Htin Kyaw também representa uma vitória da líder política Aung Suu Kyi, a birmanesa mais famosa do mundo e um dos maiores símbolos de luta da democracia no país. No governo recém-eleito, Aung San foi escolhida ministra das Relações Exteriores e chefe da presidência, tendo grande influência no governo do antigo aliado.

Aung San Suu Kyi (pronuncia-se Aung San Sú Tchi) ganhou o Nobel da Paz em 1991 por sua luta pela democracia e pelos direitos humanos. Foi prisioneira política, tendo sido libertada em 2010, após mais de 15 anos de prisão domiciliar. Durante todo esse período, tornou-se importante ativista para denunciar o que ocorria no país.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.