Seul: harmonia do tempo, onde prédios milenares e futurísticos se unem

Na capital da Coreia do Sul, as ruas mostram anos de cultura e conhecimento, além de ousadia na busca pelo futuro

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postado em 24/08/2016 20:00 / atualizado em 24/08/2016 18:20

Gabriela Walker/CB/D.A Press
 

Andar pelas ruas da capital sul-coreana é ver de perto o contraste de culturas milenares com recentes avanços tecnológicos, possíveis graças ao incrível crescimento econômico das últimas décadas. Seul, cidade que reúne um quinto da população total do país, o que equivale a 10 milhões de pessoas, guarda as marcas de invasões e guerras regionais e traz consigo a tradição de dinastias que regeram a península coreana por séculos. Ao mesmo tempo, a cidade vibra com novas tecnologias, com um árduo sentimento de competitividade e com o crescimento do chiclete K-Pop, que ultrapassa a barreira linguística e coleciona fãs ao redor do mundo.

Templos budistas e arranha-céus convivem com admirável harmonia na capital, uma cidade empenhada em solucionar problemas comuns a qualquer grande metrópole. Seul se transformou em exemplo ao revitalizar com sucesso o canal Cheonggyecheon, que fica no coração da área financeira. Engolido pelo crescimento urbano, o córrego voltou à vida no começo dos anos 2000, quando a prefeitura demoliu cerca de 600 mil toneladas de concreto e asfalto para resgatá-lo. Com o esforço, ele foi despoluído, se tornou um orgulho nacional e recebe centenas de visitantes, especialmente nos fins de semana.

Para aliviar o tráfego intenso, que gera quilômetros de congestionamento diário, Seul oferece alternativas de transporte coletivo. Linhas de metrô e ônibus ligam praticamente todos os cantos da capital e proporcionam segurança e rapidez aos usuários. Os coreanos também se deslocam muito a pé e dãodestaque, cada vez mais, para o uso de bicicletas. Em todo o país são mais de 2mil km de ciclovias, algumas intermunicipais.

 

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press

Berço de grandes marcas como Samsung, Kia e Hyundai, a Coreia do Sul é apontada como uma das nações mais inovadoras na área da economia. Inovação parece estar no sangue nas novas gerações. Segundo dados oficiais, quase 85% da população tinha acesso à internet em 2013 e quase 98% dos jovens entre 18 e 24 anos usavam smartphones.

Passado e presente
Caminhe pela Praça Gwanghwa-moon, um imenso passeio no meio da Sae Jong Road, e mergulhe em 600 anos de história da Coreia do Sul. Encravada no centro de Seul, a área de 20 mil metros quadrados incorpora sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e devoção à cultura de um povo. No mesmo local, é possível se surpreender com um pequeno regato de água corrente limpa, que flui a perder de vista.

Na capital da Coreia do Sul, passado e presente coabitam de forma harmônica na interação entre os colossos de concreto e os monumentos. No fim da Sae Jong Road, uma imponente construção desponta ao longe, diante de montanhas. Construído em 1395, três anos após a fundação da Dinastia Joseon, o Gyeongbokgung é o maior e mais impressionante dos “Cinco Grandes Palácios” de Seul. Durante mais de cinco séculos, serviu de abrigo à família real. Reduzido a cinzas após um incêndio durante a Guerra de Imjin — marcada pela invasão japonesa, entre 1592 e 1598 —, foi restaurado pelo príncipe regente Heungseon Daewongun. As muralhas de 5m de altura se estendem por 2.404m e comportam quatro portais: Geonnchunmun (leste), Gwanghwamun (norte), Yeongchumun (oeste) e Sinmumun (norte).

 

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press
 

Quase todos os dias, é possível avistar jovens sul-coreanas, vestidas com trajes típicos, caminhando pelos pátios e pavilhões do complexo. Caprichosamente maquiadas e com enfeites nos cabelos, elas esbanjam simpatia e se deixam fotografar com os turistas. Na porção esquerda da área palaciana, vale a pena ver a casa utilizada pelos reis em festas luxuosas. Foi erguida no meio de um lago artificial, cercado de árvores plantadas sobre canteiros em forma de ilhas. O complexo inclui uma residência para concubinas e “senhoras da corte”.

Cheonggyecheon
Ao sair do cenário bucólico de Gyeongbokgung, volte a passear pela Sae Jong Road, em sentido oposto, até chegar a Cheonggyecheon, um idílico regato de água limpa que corre por entre as pedras e os arranha-céus de Seul, transformado no maior parque urbano do planeta. No início do século 20, o local era uma favela de palafitas erguida no meio do esgoto. Entre 2003 e 2005, o então prefeito Lee Myung-bak investiu cerca de US$ 280 milhões para revitalizar o ambiente. Hoje, é comum ver famílias sentadas às margens do riacho, conversando e se refrescando em fins de semana de calor. Ao longo do calçadão que margeia o regato, apresentações artísticas, além de campanhas de conscientização ecológica. Cheonggyecheon impressiona pela limpeza impecável e pela decoração com muitas flores e rosas.

 

Rodrigo Craveiro/CB/D.A Press
 

Vasos com plantas coloridas, suspensos no ar por uma linha quase transparente, flutuam sobre o riacho conferindo graça e harmonia nos 5,8km de arroio, que flui de oeste para leste e deságua no Rio Han. No local, é possível apreciar cascatas artificiais, peixes e aves. Um monumento em particular chama a atenção de turistas e de sul-coreanos: uma pequena “fonte dos desejos”, onde, ao sol, brilham milhares de moedas depositadas pelos visitantes. “Muitos turistas estrangeiros e domésticos lançam moedas na fonte, enquanto fazem um pedido. Essas moedas são, eventualmente, coletadas e usadas para ajudar nossos vizinhos não afortunados. Por favor, não retire as moedas da fonte. Obrigado por sua cooperação”, afirma uma placa no local, referindo-se aos raros mendigos que perambulam pelas ruas de Seul — em uma semana de visita à capital sul-coreana, o repórter viu  apenas um.

 

Os repórteres viajaram a convite da Embaixada da Coreia do Sul e da TV Arirang

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