OLIMPÍADAS

Um palco chamado Tóquio: o que esperar da próxima sede dos Jogos Olímpicos

A capital japonesa oferece muito mais que sushi, cosplay e Pokémon. O Turismo selecionou alguns locais especiais para você começar a sonhar com um roteiro esportivo e turístico por lá

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postado em 28/08/2016 10:00 / atualizado em 30/08/2016 16:57

Andrea Garbin/Reprodução

Quem é brasileiro e quer apreciar as próximas Olimpíadas de perto já pode se preparar para torcer pelos atletas de casa do outro lado do mundo. Tóquio fica bem distante do Brasil, mas nem por isso tem sua cultura desconhecida em território nacional. A maior comunidade japonesa fora do Japão vive aqui — além de cerca de 1,6 milhão de nipo-brasileiros concentrados majoritariamente na cidade de São Paulo. É um prato cheio para misturas culturais que passam pela gastronomia, música, cinema, jogos como Pokémon e práticas como Cosplay — quando alguém se veste idêntico ao personagem favorito de desenho animado.

 

A cultura nipônica tem muitas peculiaridades e pode até parecer excêntrica; o comportamento dos nativos, por sua vez, pode ajudar na organização de um evento com as dimensões dos Jogos Olímpicos, em 2020. Os japoneses são conhecidos por trabalhar duro e zelar pela organização e limpeza dos ambientes. Além disso, têm fama de metódicos. Durante as Olimpíadas do Rio, não foi raro ver os atletas do país recolhendo o lixo que ficava nos estádios após as competições.

 

Também teve espaço para demonstração de amizade. Os atletas japoneses entraram no Estádio do Maracanã, durante a cerimônia de abertura, balançando bandeirinhas dos dois países. As expectativas para os próximos Jogos são muitas, mas só quem estiver na capital japonesa terá a chance de ver o jeito japonês de se fazer uma Olimpíada.

 

Rafaella Panceri/Esp.CB/D.A Press

O voluntário Bruno Szanto Borring, 19 anos, trabalha no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) recepcionando delegações esportivas desde 18 de julho. Não é raro esbarrar com personalidades como Simone Biles e Usain Bolt nos corredores do local. Ele conta que o combustível para trabalhar sem retorno financeiro é a vontade de se comunicar e conhecer pessoas diferentes de todo o planeta. Em Tóquio, daqui quatro anos, ele acredita que o evento será mais organizado, com menos problemas técnicos e operacionais. “Quero estar lá. Para organizar uma Olimpíada, é preciso muita força de vontade”. Ainda assim, parabeniza quem é de casa. “O evento foi muito bom. Calou a boca de muita gente. Superou todas as expectativas”.

 

Cultura pra todo lado

O Governo de Tóquio caprichou na escolha de shows tradicionais japoneses para mostrar ao mundo na Cidade Maravilhosa. Com esses aperitivos, dá para imaginar como será a Cerimônia de Abertura dos próximos Jogos. O palco Rio Live Stage, nas praças XV e Mauá, no centro do Rio de Janeiro, foram tomadas por espetáculos como o “Tokyo e Tohoku”, encenado para agradecer o apoio dado aos japoneses após o terremoto e tsunami que devastaram a região de Tohoku em 2011.

 

Casa Tóquio/Divulgação

Outras apresentações — das mais tradicionais às ultramodernas —  serviram de pista para os mais curiosos em saber como Tóquio se prepara para o evento de 2020. Teve de tudo, a começar pelo Onikenbai — dança com máscaras —, passando pela Iwaki Jangara Nenbutsu Odori — dança com tambores —, chegando à performance de Megumi Kudo, japonesa passista de escola de samba. Houve também shows de malabarismo com bola de futebol e Cosplays.

 

Entre as competições

Se, por um lado, Tóquio é uma das maiores megalópoles do planeta, com centenas de quilômetros de linhas de trem e metrô, edifícios imponentes — muitos deles sedes de multinacionais — e milhares de pessoas andando nas ruas, por outro, a cidade tem seu quê de tranquilidade. Não se ouvem buzinas no trânsito, as ruas são conservadas, limpas, e o povo parece se comportar de acordo com uma máxima: respeito ao próximo. Os pontos turísticos para visitar são vários. Vale a pena reservar alguns dias para entrar no clima japonês com as atrações selecionadas pelo Turismo:

 

Nezu Museum

Daniel Neubauer/Reprodução

Localizado no bairro de Aoyama, conhecido por seus restaurantes e lojas de luxo, o espaço é a antiga casa de um milionário japonês. Ele deixou uma coleção de antiguidades asiáticas como herança. A família transformou o espaço em um museu. O acervo de sete mil peças tem como destaque peças de bronze chinesas. A vegetação ao redor — árvores, lagos e pequenas casas de chá — se mescla com a casa, que tem paredes de vidro. Para visitar, a única vestimenta permitida é o quimono. O clima é tão japonês que a sensação é de que o Ocidente nunca passou por ali.

 

Jardim Nacional de Shinjuku Gyoen

Japão entre amigos/Reprodução

Qualquer caminhada fica especial quando cercada de cerejeiras e jardins impecáveis. Durante todo o ano, esse espaço é muito popular em Tóquio — um oásis em meio à agitação da metrópole. Quem visita no fim de março observa o início da floração das árvores. Em abril, as pétalas começam a cair. O efeito é de neve cor-de-rosa. Não esqueça a toalha e a cesta de piquenique.

 

Santuário de Meiji Jingu

Carlos Donderis/Reprodução

O melhor dia para visitar um dos santuários mais queridos de Tóquio é domingo. Pela manhã, as chances de ver a celebração de um casamento xintoísta são altas. O local foi construído em homenagem ao imperador Meiji, destruído durante a Segunda Guerra Mundial e reerguido da década de 1950. Na entrada, é costume beber água da fonte com uma concha de madeira. Dentro do santuário, visitantes escrevem pedidos em pedacinhos de papel e amarram na parede ou inscrevem o desejo em uma placa de madeira (chamada de ema) e penduram em frente à cânfora, árvore gigante.

 

Torre de Tóquio

GregorioZ/Reprodução

Inspirado na Torre Eiffel de Paris, o monumento de 333 metros de altura (nove a mais que a torre francesa) oferece vista panorâmica da cidade. Foi criada para ser a torre mais alta do mundo e em 1957 simbolizou a recuperação do poder econômico do Japão no período pós guerra. No Foot Town, base da torre, há um museu de cera, um parque de diversões para crianças e um dos maiores aquários do mundo.

 

Como chegar

Tóquio está conectada a todo o país por linhas de trem-bala e trens locais administrados pela Japan Rail. Quem sai do Brasil pode viajar de avião por companhias como ANA e Japan Airlines, que operam voos a partir dos aeroportos de Haneda e Narita. Para ir do aeroporto ao centro de Tóquio, o meio de transporte mais recomendado é o trem.

 

» Para saber mais

Japão no Rio

Mais uma característica dos japoneses foi reiterada durante os Jogos, na cidade do Rio de Janeiro: a hospitalidade. Assim como os brasileiros, é comum para os nipônicos recepcionar bem e oferecer o melhor a seus visitantes. Isso foi exposto na Tokyo 2020 Japan House (Casa Japão), localizada no bairro da Barra da Tijuca. A ideia do espaço foi simular a experiência de um Ryokan, hospedaria típica japonesa.

 

Casa Tóquio/Divulgação

Em seu país de origem, os ryokans são excelentes escolhas de hospedagem para quem deseja conhecer o estilo de vida local a fundo. Os visitantes passam a noite em quartos com nome de flores, deitados em um futon — espécie de colchonete posicionado em cima de um tatame (tapete de palha). É costume vestir o yukata, vestimenta japonesa de verão parecida com o quimono. Muitos rituais podem ser experienciados em locais como esse. Além de degustar café da manhã e jantar típicos, servidos no quarto, é comum beber chá durante as refeições. Esse último ritual foi recriado na Casa Japão.

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