PERNAMBUCO

Palácio do Campo das Princesas proporciona uma aula de história brasileira

No bairro de Santo Antônio, em Recife, está a sede do governo pernambucano. O edifício histórico do século 19 guarda lembranças de grandes momentos políticos do Brasil, além da beleza arquitetônica

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/10/2016 09:00 / atualizado em 28/09/2016 14:49

Roberto Albuquerque/Flickr

Participar de uma visita guiada ao Palácio do Campo das Princesas, na Praça da República, no bairro de Santo Antônio, é uma verdadeira aula de história de Pernambuco e também brasileira. A atividade é gratuita. O edifício histórico do século 19 voltou a receber turistas, estudantes e demais interessados após passar por uma profunda restauração, iniciada em 2011.

 

Apesar de toda beleza e importância histórica do local, quem pretende fazer o programa deve ficar atento. Embora o calor costumeiro da capital nordestina exija roupas frescas, nada de shorts, bermudas ou chinelos nas visitas durante a semana. Já aos domingos, o uniforme de turista fica liberado.

 

As visitas guiadas são realizadas por monitores capacitados sobre a história de Pernambuco e do edifício. Todos são estudantes universitários. Em algumas visitas há também a participação do coordenador, o professor Fernando Guerra.

 

Dulce Reis/DP/D.A Press

Para começar, Guerra explica ao visitante que os estilos arquitetônicos predominantes da construção são o eclético e o neoclássico. “O gosto predominante é o francês, mas também há uma mistura de estilos, como o greco-romano”, explica. Para comparar, ele mostra que o Palácio da Justiça, do outro lado da Praça da República, é diferente, por ter um estilo italiano.

 

Ainda no hall de entrada do palácio, o visitante se depara com um imenso vitral que permite a luz natural iluminar a escadaria principal. O painel de vidro colorido retrata a Revolução Pernambucana de 1817. “O vitral apresenta importantes elementos da história de Pernambuco, como a figura feminina, que retrata a República, e o leão, usado desde o século 19 como símbolo da bravura do povo pernambucano. Note que o animal está com sua pata em cima da coroa portuguesa”, ressalta o coordenador.

 

Ao seguir para o segundo andar, o visitante encontra outro vitral na escada. Ele é uma homenagem à República. As imagens, todas femininas, representam Pernambuco, a república, o Brasil e as duas revoluções pernambucanas. Chegando ao segundo andar, é possível passear pela sala de recepção. “O piso geométrico é uma referência dos palácios franceses. O mobiliário também tem inspiração francesa. As cópias foram feitas no século 19 e reproduzem os móveis dos reis Luís XIV, XV e XVI da França”, explica o professor.

 

A próxima parada é na sala das embaixatrizes, onde a primeira-dama do estado pode receber visitantes oficiais. A área também é decorada com mobiliário copiado dos palácios franceses. Em seguida, é a vez dos visitantes entrarem no grande salão, local destinado a solenidades acompanhadas pelo som de um piano. O ambiente possui objetos de decoração, como vasos de porcelana e esculturas de bronze no estilo art nouveau.

 

História contada nos ambientes

No grande salão, é importante dar atenção aos detalhes, como as colunas arrematadas com folhas de ouro. “Durante a restauração, foram descobertas entre seis e oito camadas de tintas por cima delas”, conta Guerra. Além disso, o teto também é digno de um olhar mais apurado. O gesso cheio de relevos perdeu as camadas de tinta e voltou ao monocromático original.

 

Já na ala residencial, a última a ser construída, entre 1912 e 1918, o mobiliário é inglês, fabricado em mogno. O primeiro quarto da ala é o cômodo onde morreu o governador Agamenon Magalhães, conta o coordenador. “Isso rendeu muitas lendas. Tem gente que diz que o espírito do governador anda pelos corredores do palácio”. O político pernambucano foi deputado estadual, deputado federal, ministro do Trabalho e governou o estado de 1937 a 1950.

 

Em seguida, é possível conhecer o quarto dos filhos do governador — também com mobiliário inglês — com duas camas e dois guarda-roupas. O próximo cômodo é o quarto do governador, que segue a decoração dos demais, com móveis ingleses.

 

Seguindo pelos corredores do palácio, o visitante chega ao terraço na parte de trás, onde se tem uma vista privilegiada do Bairro do Recife e da Rua da Aurora. Dá até para ver a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Olhando para baixo, descortina-se mais uma obra de arte com um jardim criado pelo artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx.

 

Dulce Reis/DP/D.A Press

A próxima parada é o salão de banquete, com capacidade para receber até 35 pessoas por refeição. A sala possui uma extensa mesa para convidados, além de uma cômoda e duas cristaleiras, onde são guardados talheres, louças e taças de cristais a serem usados pelos comensais. Ao descer para o primeiro andar, o coordenador chama a atenção para uma claraboia, que proporciona iluminação natural na escada.

 

No primeiro andar está o salão das bandeiras, onde fica a mesa em que o governador assina documentos importantes durante solenidades. Ainda nesse local, o visitante pode ver dois móveis de cedro e espelho de cristal que serviam para receber as cinzas de cigarros e charutos, numa época em que a maioria das pessoas fumava.

É no salão, evidentemente, que estão as bandeiras de todos os estados brasileiros que dão nome ao ambiente. Um espaço dessa sala está reservado para receber uma mesa projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O móvel está em processo de restauração antes de integrar a decoração. Nas paredes principais do cômodo estão dispostos dois brasões do estado de Pernambuco. O coordenador lembra que o governador Miguel Arraes, um dos mais importantes políticos brasileiros — por três vezes governador de Pernambuco (a última, de 1995 a 1998) e avô do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo quando era candidato à presidência em agosto de 2014 —, fazia seus discursos, em uma das sacadas, para multidões em frente ao palácio.

 

Dulce Reis/DP/D.A Press

A visita guiada chega ao fim, mas o turista pode aproveitar a proximidade com outros locais importantes para complementar o passeio. De um lado está o Bairro do Recife. Do outro, a Rua da Aurora. Em frente, tem a Praça da República, com seu baobá centenário, o Palácio da Justiça e o Teatro de Santa Isabel no entorno.

 

» Programe-se

As visitas são oferecidas apenas nas quintas e sextas-feiras, das 9h às 11h e das 14h às 16h, e aos domingos, das 10h às 12h. O limite é de 75 visitantes por turno. Por isso, é importante fazer o agendamento pelo e-mail visitapalacio@governadoria.pe. gov.br. Os grupos formados por estudantes de arquitetura podem solicitar que o monitoramento da atividade seja feito pelo próprio coordenador de visitas. A visitação é gratuita.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.