REGIÕES DESÉRTICAS

Com areia por todo lado e uma imensidão sem fim, desertos encantam turistas

Alguns milhões de km² do planeta são de áreas desertificadas. As extensões estéreis são resultado das forças climáticas ou das ações humanas

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postado em 02/10/2016 09:00

Arquivo pessoal

A imensidão do Saara é a primeira imagem que nos vem à cabeça quando falamos em deserto. Assim como o mar, o infinito que se encontra com a linha do horizonte exerce um fascínio inexplicável em todos os visitantes. O terceiro maior e mais antigo deserto do mundo tem uma área aberta de 9,1 milhões de quilômetros quadrados, cujas areias atravessam 11 países africanos. Para se ter uma ideia do tamanho, o território brasileiro tem 8,5 milhões de km², dividido em 26 estados.

 

Apesar da grandiosidade, o Saara não é o único. Aproximadamente 20% da superfície da Terra é de regiões desérticas. A desertificação do solo pode ser consequência da ação do ser humano, que retira parte da vegetação para o cultivo e acaba empobrecendo o solo, ou por ação da própria natureza, com influência direta das condições climáticas. Os baixos índices de chuva também colaboram para a formação dessas áreas.

 

O Deserto do Atacama, por exemplo, surgiu por conta dos pouquíssimos níveis de precipitação no Chile, onde fica. Ele é o mais alto, árido e seco do mundo, com 105 mil km² de solo arenoso. A imensidão quase sem fim encantou o blogueiro Adolfo Nomelini, 28 anos, que passou dez dias de férias no país e aproveitou a viagem para visitar o Atacama. “Sempre lia muito sobre o local, via fotos e ficava morrendo de vontade de conhecer. Além das paisagens naturais, o fato de lá ter um céu muito limpo e cheio de estrelas me deixou com mais vontade de fazer o tour noturno para observar o céu. Pesquisei se seria um bom destino para ir desacompanhado e decidi ir. Foi uma das melhores viagens da minha vida”, garante.

 

Para Adolfo, a experiência é memorável. “Eu recomendo muito. O Deserto do Atacama sempre está na minha listinha de lugares inesquecíveis. Lá, a energia é diferente. Acreditando ou não em Deus, dá para sentir que tem alguma energia maior ali, a gente se sente pequeno perto de toda aquela imensidão. É ótimo para refletir sobre a vida e entender o tamanho do mundo”.

 

» Recomendações

Durante o passeio, Adolfo seguiu algumas dicas dadas pelos guias. “Eles explicam sobre a geografia e a história do local, além de dar orientações, principalmente quando precisamos subir muito e enfrentar a altitude, e algumas pessoas acabam não se sentindo bem. O importante é tomar muita água, usar protetor solar, óculos de sol e lembrar que de dia faz calor, mas à noite a temperatura cai bastante. É recomendável também levar dinheiro vivo porque são poucos caixas eletrônicos disponíveis aos turistas. Melhor não contar com a sorte.”

 

Arquivo pessoal

A blogueira Anna Bárbara, 36, (foto) também teve a oportunidade de conhecer o Atacama, mas se apaixonou mesmo foi pelo Salar de Uyuni, no sudoeste da Bolívia. “O Salar possui 100 mil km² de sal. Você vai andando e parece que aquilo não tem fim, é só uma imensidão branca. Por conta do sol, o chão seca, racha e forma desenhos lindos. Nas épocas de chuva, ele fica refletindo o céu e você perde a noção do que é o quê. É bem bonito”, afirma.

 

Durante o tour, Anna conheceu as Lagunas Salada e Colorada — lagos salgados de águas verdes e vermelhas, respectivamente — e os Geiseres Sol de Manana. “Eles costumam entrar em atividade nas primeiras horas do dia, então, todo mundo vai bem cedinho, às 6 horas. Você consegue ver a ‘erupção’ e pode aproveitar para tomar banho nas águas termais, que são bem frias pela manhã”, explica. A blogueira também encontrou os Geiseres no Deserto do Atacama, mas o destaque ficou com a Laguna Cejar. “É o único lugar que é igual ao Mar Morto. Você tenta mergulhar, mas não consegue afundar na água, por conta da quantidade de sal.”

 

Apesar das belezas naturais e da proximidade entre os dois desertos, as condições dos locais divergem muito. “Eles são praticamente vizinhos, ficam bem pertinho um do outro. A diferença é que Atacama tem mais estrutura para o turista, com hotéis luxuosos, bares e várias opções noturnas. No Uyuni, há uma rede hoteleira bem legal, mas o esquema é mais aventura mesmo, onde você fica 3 ou 4 dias a bordo de um carro e dorme nos alojamentos coletivos. Os dois lugares são bem diferentes e valem a visita”, completa.

 

Além do Saara

Apesar de ser um dos maiores, o Deserto do Saara não é o único a cobrir o planeta com suas areias:

 

» Antártica e Ártico

Alister Doyle/Reuters

Pode parecer estranho, mas as regiões mais gélidas do planeta — Polo Sul e Polo Norte — não são conhecidas como desertos polares à toa. Juntas, elas acumulam mais de 27,5 milhões de km² de área.

 

» Deserto da Arábia

Roba66/Flickr

Localizado nas proximidades da Arábia Saudita, no Oriente Médio, o Deserto da Arábia registra temperaturas que podem variar de 50°C, no dia mais quente, a 5°C, na noite mais fria. São 2,3 milhões de km² de pura areia.

 

» Deserto da Grande Bacia

CDTA/Flickr

A Terra do Tio Sam também conta com imensidões desérticas. O maior deserto “frio” da América do Norte (492 mil km²) fica nos Estados Unidos e está compreendido entre os Estados do Oregon e da Califórnia. Dependendo da época do ano, pode até nevar.

 

» Deserto de Gobi

Rodrigo Werneck/Divulgação

O Deserto de Gobi fica entre a região norte da China e a região sul da Mongólia. Conta com 1,1 milhão de km² de muita areia e temperaturas que variam de -2,5°C a 2,8°C. A palavra “Gobi” significa deserto em mongol.

 

» Deserto da Patagônia

Gilberto Prado Jr/Flickr

Nossos hermanos também têm um deserto para chamar de seu. O da Patagônia é o maior deserto das Américas, com 670 mil km², e está localizado ao sul da Argentina. O solo é rico em ferro e pontos petrolíferos.

 

» Deserto do Kalahari

Elmar Thiel/Wikipedia

O Saara não é o único deserto em terras africanas. O Kalahari, Calaari ou Calaári possui 580 mil km² distribuídos entre as repúblicas da África do Sul, Botswana e Namíbia. O nome pode ser traduzido como “a grande sede”.

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