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ÁFRICA DO SUL

Cafeterias e memórias do apartheid fazem parte do roteiro na Cidade do Cabo

Anualmente, 10 milhões de turistas visitam o novo roteiro africano. Os brasileiros estão na lista dos 10 povos mais presentes. Melhoria para o turismo e para os negócios. Até as cafeterias ganharam novo impulso

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postado em 28/10/2016 09:00

Renan Damasceno

Thais Flaeschen Paranhos/CB/D.A Press

O surgimento de mais de uma centena de cafeterias desde a década passada reflete o espírito cosmopolita e globalizado da cidade, que, a cada quarteirão, apresenta desde grandes redes ao estilo Starbucks — como a Vida e Cafee e pequenas redes com grãos especiais — Deluxe Cofee, por exemplo —, até locais que se dedicam a extrair o melhor sabor de grãos africanos e latino-americanos — como o EspressoLab.

 

“Quando começamos aqui, em maio de 2009, eram duas ou três companhias de café na cidade. Hoje, são entre 100 e 200”, explica o barista Renato Correa, filho de portugueses, que fundou a EspressoLab com a esposa, a sueca Helene Vaerlien. “As pessoas daqui sempre trataram o café somente como uma coisa quente e amarga, mas, nos últimos anos, essa cultura vem mudando, já que passaram a ter contato com sabores diferentes. Creio que é uma mudança no próprio estilo de vida dos africanos”, afirmou.

 

Renan Damasceno/EM/D.A Press

Na Espressolab, a especialidade da casa é uma blend com 25% de café colombiano, 25% queniano e 50% de café brasileiro. “Temos o café da Fazenda Recreio, próxima a Poços de Caldas, mas já tivemos outro de Minas Gerais. São as áreas principais, os melhores que trabalhamos aqui, por serem mais delicados, de maior complexidade, que casam bem com o achocolatado da Colômbia e o aroma doce dos africanos”, explica.

O boom das cafeterias é uma espécie de volta do café à sua origem. Os primeiros registros de cultivo do grão são do século nove, na Etiópia e no Quênia, na parte oriental da África. Ainda hoje, os dois países, com a Ruanda, produzem os melhores cafés do continente, muito em função do solo: por ser região montanhosa e de vulcões desativados, a terra é mais rica.

O Sul da África, como Zimbábue, Malawi e a própria África do Sul, também colhem grãos, mas a variação de temperatura e a baixa altitude não possibilitam colheitas de melhor qualidade. Muitas cafeterias da cidade também usam cafés de Uganda e Mali — como a Kamili Cofee (Shortmarket Street com Long Street, no Centro).

 

» Deguste
EspressoLab

cafeteria com cara de laboratório no Old Biscuit Mill. 375 Albert Road, Woodstock. De segunda a sexta, das 8 às 16h; sábado, das 8h às 14h30.

 

DeluxeCoffee
Rede de cafés especiais, com quatro lojas na cidade. A mais antiga é na 25 Church Street, no Centro. De segunda a sexta, das 7h às 17h.

 

Vida e Caffee
A maior rede de cafeterias do país, com mais de 70 lojas, em vários países da África

 

Memórias da resistência ao apartheid

Renan Damasceno/EM/D.A Press

Muito além dos passeios nos modernos complexos de restaurantes e lojas de Waterfront ou do luxo “meio-Mediterrâneo, meio-Copacabana” de Clifton ou Bantry Bay, a Cidade do Cabo preserva a memória de um dos regimes de segregação mais severos do século passado, o apartheid.

 

Embora Nelson Mandela, líder maior de resistência, tenha nascido em Mvezo, no Cabo Oriental, foi na Cidade do Cabo que ele passou os anos mais difíceis, ao ser condenado à prisão perpétua na Robeen Island, a 25 minutos de barco, saindo de Waterfront. Também foi na cidade que Mandela fez seu primeiro discurso público, depois de 27 anos de prisão, em 11 de fevereiro de 1990, em um dos balcões do prédio da Prefeitura.

 

O apartheid foi um regime de segregação racial vigente na África do Sul até 1994. Embora suas origens remontem ao início do domínio europeu na África, o regime virou lei em 1948 e se baseava em três pilares: a lei de classificação da raça; a lei de casamentos mistos, que proibia casamento entre pessoas de raças diferentes; e a lei de áreas de grupos, que obrigava pessoas de raça “não-europeia” a viver em áreas pré-determinadas.

 

O principal opositor do regime era o Congresso Nacional Africano (CNA), que teve Nelson Mandela, filiado em 1942, como seu principal expoente. Mandiba foi preso entre 1956-1961 e, em 1964,  condenado à prisão perpétua. Conquistou a liberdade em fevereiro de 1990 e, quatro anos depois, assumiu a presidência do país. Morreu em 2012, aos 95 anos, de complicações provocadas  por uma infecção pulmonar.

 

Museu

Vários bairros ainda guardam a lembrança de um passado não muito distante. O District Six era uma área vibrante e multirracial, próxima ao Centro, que foi epicentro das desocupações por causa do apartheid. Em 11 de fevereiro de 1966, a região foi declarada “área branca”, e mais de 60 mil pessoas tiveram de deixar o bairro até 1982. A vida em comunidade acabou. No bairro, hoje funciona o District Six Museum. Muitos negros foram levados para bairros distantes, chamados townships, como Langa e Khayelitsha.

 

» Visite
Robeen Island

A ilha que serviu de prisão para Nelson Mandela durante o apartheid. A visita dura cerca de quatro horas (ida e volta de barco, saindo de Waterfront, mais o tempo de permanência). O ingresso custa: R 200 (cerca de R$ 50).

 

District Six Museum
Aberto de segunda a sábado, das 9h às 16h. Ingressos: R 45 (R$ 15 visita guiada, adulto).

 

» Para saber mais

Um hotel, a história
Endereço preferido de Nelson Mandela na Cidade do Cabo e de políticos internacionais a astros do cinema, o Belmond Mount Nelson (76 Orange Street) é mais do que um hotel de luxo aos pés da Table Mountain: a imponência dos jardins e do imenso prédio cor-de-rosa, do fim da era vitoriana, é um cartão-postal da cidade. Em frente ao Green Park, a poucos metros de museus, o centenário hotel,  de 200 acomodações, oferece spa, restaurante, bistrô e espaço para eventos corporativos. O chá da tarde, herança da tradição britânica, é um convite para aproveitar um pouco da gastronomia sul-africana.

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