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Correio Braziliense

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FIM DE ANO

Descubra celebrações de ano-novo que não acontecem no dia 31 de dezembro

As luzes da Índia, a força das terras chilenas, a fé judaica e a presença dos animais na China são bons motivos para curtir a virada em outros ritmos

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postado em 05/11/2016 09:00 / atualizado em 03/11/2016 12:12

Narinder Nanu/AFP Photo

Comemorar o ano-novo no dia 1º de janeiro é um costume consolidado no Brasil e em outros países, mas passa longe da unanimidade. O calendário gregoriano é o oficial por conta da expansão da cultura ocidental pelo mundo, mas isso não impede celebrações em outros dias.

 

A data escolhida e a simbologia que envolve o acontecimento podem mudar de acordo com a cultura. Em Israel, na China e na Índia, por exemplo, há eventos que vão além da queima de fogos e das taças de champanhe. As festas seguem o ritmo da religião e surpreendem quem está acostumado a se vestir de branco e pular sete ondas.

 

Na Índia, entre os hindus, uma das celebrações de ano-novo é o Diwali ou Festa das Luzes. No país, o cálculo da virada do ano é baseado em estudos astronômicos e, como tudo é baseado nas fases da lua, a noção de tempo é diferente. Se comparados aos do calendário solar, os meses teriam 29 dias e meio. Quando agrupados em 12, somariam um total de 354 dias. Este ano, o Diwali ocorreu entre 28 de outubro e 1º de novembro.

 

Segundo a tradição, as pessoas limpam suas casas, pintam a fachada com cores chamativas e espalham lamparinas de barro ou lâmpadas elétricas pelas ruas, desejando afugentar sentimentos ruins e atrair prosperidade. Dhanteras é um dos dias mais importantes que antecedem o Diwali. Nele, as pessoas compram roupa nova, vasos e jóias. Durante o festival que é o maior feriado indiano, troca de presentes, comidas especiais e música são elementos-chave.

 

» Caminho dos deuses

A Festa das Luzes é marcada pelo misticismo. Os indianos comemoram a vinda anual da deusa Lakshmi à Terra, além da visita de Rama e Sita, reencarnações de Vishnu — deus que sustenta o universo. Acredita-se que os deuses encontram o caminho para o planeta graças à iluminação das ruas.

 

Shaná Tová

Minervino Junior/CB/D.A Press

Sempre que pode, Paula Schechtman, 22 anos, se reúne com a família para comemorar o Rosh Hashaná. O ano-novo judaico acontece nos dois primeiros dias do mês de Tishrei, que coincide com o fim de setembro e o início de outubro do calendário gregoriano. “Minha avó e a maior parte da minha família moram no Rio de Janeiro. Sempre que dá, nós vamos. É bom porque temos a chance de rever todos.”

 

Os judeus celebram o ano-novo de diversas maneiras. Longos serviços em sinagogas e o Slichot — rezas especiais para pedir perdão e expressar remorso e arrependimento — são tradições. No jantar da família de Paula, a comemoração começa com uma reza. “Só os homens podem fazer. Meu tio reza e depois nós jantamos”, conta.

 

Na virada do ano judaico é comum comer uma maçã mergulhada no mel para que o ano-novo seja doce. Romãs — símbolo de fertilidade —, cabeça de peixe, que simboliza o desejo de se manter à frente, e outros pratos também fazem parte do cardápio.

 

Para Paula, o Rosh Hashaná é um momento de renovação e reflexão. “É bem diferente do ano-novo do dia 31 de dezembro, onde as pessoas vão para festas, comemorar e beber. O ano-novo judaico é um momento para pensar no que está errado e tentar melhorar.”

 

Neste ano, a celebração aconteceu no dia 3 de outubro, e foi um momento diferente para a família de Paula. “Meu avô faleceu alguns dias antes. Então, a comemoração foi um momento em que eu e minha família pudemos celebrar a vida dele.”

 

De olho no céu

Vestir roupa vermelha — cor da fortuna e sucesso na cultura oriental —, comer um bolinho recheado de carne de porco chamado guioza e dar dinheiro aos jovens são tradições no ano-novo chinês. O país da Ásia Oriental segue o calendário lunar, por isso a virada do ano é determinada pela combinação de movimentos do Sol e da Lua. Dessa maneira, cada ano começa em um dia diferente. Em 2017, a virada do ano chinês ocorrerá no dia 28 de janeiro do calendário gregoriano. As celebrações seguem até o 15º dia do mês, quando é comemorado o Festival das Lanternas e a primeira Lua cheia do ano.

 

A característica de um dos 12 animais do zodíaco está sempre presente em cada ano. O animal que representa 2017 será o galo. Os nascidos sob esse signo são considerados, no horóscopo chinês, pessoas que combatem bravamente seus adversários, estão sempre alertas, são quietos e reservados.

 

» Para saber mais

Festa de luz

O Festival das Lanternas é uma herança da Dinastia Han. O festival religioso de mais de dois mil anos é cercado de mitos. Um deles conta que o Imperador Ming começou a tradição quando soube que monges na Índia adoravam uma relíquia de Buda no 15º dia do primeiro mês. Hoje, os chineses se reúnem para acender lanternas, observar a Lua e participar de atividades como o enigma da lanterna, em que as pessoas precisam adivinhar uma série de perguntas.

 

Nascimento no firmamento

14 Islas/Reprodução

O solstício de inverno é o marco para definir o fim do ano na cultura mapuche. Os nativos indígenas do centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina comemoram o We tripantu entre 21 e 24 de junho. A expressão significa “nova saída do sol e da lua”. As famílias participam de cerimônias em que compartilham presentes e alimentos, contam histórias, fazem adivinhações e dançam em torno do fogo.

 

Tomar banho em algum rio é tradição. Acredita-se que a água leva embora o que é velho, maus espíritos, enfermidades e maus pensamentos. Antes que o sol nasça, a comunidade se reúne para a cerimônia do amanhecer. Nesse momento, os mapuches se comunicam com as forças do cosmos. Quando o astro rei começa a surgir no horizonte, os mapuches gritam “chegou o ano-novo!”. O dia é agitado: há corridas de cavalos, competições de atletismo e a chamada guillatún, espécie de cerimônia de agradecimento.

 

O ano-novo é comemorado dessa maneira em comunas, equivalentes aos municípios, mas também é festejado em grandes cidades onde há comunidades mapuches — Concepción e Santiago (ambas no Chile). Em Santiago, a festa ocorre no Cerro Santa Lucía, morro que abriga um parque urbano.

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