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Conheça cafés e restaurantes frequentados por grandes nomes da literatura

Muitos gigantes da literatura brasileira e da mundial, como o português Fernando Pessoa, faziam do restaurante uma espécie de escritório.

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Le Procope/Divulgação

Entre os prazeres de viajar está a oportunidade de aproveitar o tempo para ler um bom livro. Para os amantes da literatura, uma boa dica para ir além do enredo e unir o útil ao agradável é programar um das refeições em um restaurante ou café que foi frequentado por grandes escritores, poetas, artistas em geral. Além de conhecer o local, é gostoso sentir o clima, viver a atmosfera, viajar na história. Geralmente é possível sentar à mesa e na mesma cadeira que grandes autores ocuparam. Quem sabe, fazer uma foto? O Turismo selecionou seis cidades que preservaram os locais preferidos desses gênios. Na próxima viagem, faça uma visita.

 

Martinho da Arcada, Lisboa — Portugal

StijnNieuwendijk/Flickr

No Terreiro do Paço, na Praça do Comércio em Lisboa, o café abriu as portas em 1778, mas a inauguração oficial data de 7 de janeiro de 1782. A decoração é simples e o atendimento, sempre afetuoso, feito por funcionários com mais de 40 anos de casa. Ao longo de mais de dois séculos, diversas figuras frequentaram o Martinho. Uma delas se destacou: a de Fernando Pessoa. O poeta e escritor usava o restaurante para as tertúlias com os amigos e, principalmente, para escrever. Segundo contam os garçons, ele chegava cedo, almoçava, tomava um cafezinho e se deixava ficar até o sol cair, quando voltava para casa. Pessoa foi tão importante na história do Martinho da Arcada que a mesa que ele ocupava ganhou seu nome.
» Onde fica: Praça do Comércio 3, 1100-148, Lisboa

 

Le Procope, Paris — França
O primeiro café literário do mundo nasceu na Paris de 1686. O Procope foi erguido numa antiga casa de banhos turca por um italiano radicado na capital francesa, onde funciona até hoje. Como fica próximo ao teatro Comédie-Française, virou o point de diversos artistas, jornalistas e intelectuais das mais variadas épocas. A importância do café é tão grande que Napoleão Bonaparte deixou o chapéu no local, como garantia de pagamento da conta por diversas vezes. Totalmente restaurada, a decoração é um dos destaques do Le Procope, que tem como lugar especial, no primeiro andar, a mesa que era ocupada por Voltaire, um dos maiores filósofos iluministas franceses do mundo. Além dele, Jean de La Fontaine, Rousseau, Balzac e Victor Hugo, entre outros, foram ilustres frequentadores.
» Onde fica: 13 Rue de l’Ancienne Comédie, 75006, Paris

 

Restaurante Botín, Madri — Espanha

JuanAngel/Flickr

Na década de 1620, o chef francês Jean Botín se estabeleceu em Madri para trabalhar na corte. Em 1725, um sobrinho de Botín abriu uma pequena pousada, onde foi construído um forno a lenha que funciona até hoje. À época, os proprietários só poderiam aquecer o alimento que era levado pelos visitantes. Em 1987, o Guinness Book  indica o Botín como o mais antigo restaurante do mundo. Sabe-se que um dos mais famosos artistas da Espanha, Goya, trabalhou ali como lavador de pratos. Além do pintor, era frequentado por intelectuais, entre eles o escritor americano Ernest Hemingway. Ele, inclusive, cita o local no livro Morte à tarde, lançado em 1932.
» Onde fica: Calle Cuchilleros, 17, 28005 Madri

 

Café Tortoni, Buenos Aires — Argentina

Silvio Ribas/EM/D.A Press

As poucas informações sobre a inauguração do café apontam que, em 1858, um francês conhecido com Touan abriu um bar com o mesmo nome de um café em Paris, onde a elite cultural francesa se reunia. No fim do século 19, outro francês, Celestino Curutchet, comprou o local. Transformado em café, passou a ser frequentado por jornalistas, pintores, músicos e escritores argentinos que formavam o grupo Gente de Artes y Letras. Entre os clientes ilustres, Jorge Luis Borges, além de apreciar as iguarias da casa, ocupava o espaço para escrever. O Tortoni tem, numa mesa, a estátua do escritor ao lado do cantor Carlos Gardel e da escritora Alfonsina Storni.
» Onde fica: Av. de Mayo 825, 1084, Buenos Aires

 

Restaurante Colon, Salvador — Bahia

Colon/Divulgação

Muito provavelmente, boa parte da inspiração do escritor Jorge Amado veio do restaurante Colon, ao descrever os pratos típicos da Bahia na sua obra. Inaugurado em 1914, o local, citado em O Sumiço da santa, de 1988, era o preferido de Amado “[... ]O chefe de Danilo, o tabelião Wilson Guimarães Vieira, levava um grupo de convidados a um restaurante da Cidade Baixa, o Colon, onde se comia um mal-assado cujo o sabor oscilava entre o sublime e o divino”. Anos depois, o prato ganhou novo nome: filé mal-assado Jorge Amado, para homenagear o imortal. É uma carne curada no próprio molho por sete dias e servida com arroz e purê de batatas.
» Onde fica: Praça Condé dos Arcos, 3, Comércio, Salvador

 

Confeitaria Colombo — Rio de Janeiro

Confeitaria Colombo/Divulgação

Fundada por dois portugueses em 1894, a confeitaria homenageia o navegador Cristóvão Colombo. Hoje patrimônio cultural e artístico do Rio de Janeiro, mantém o estilo clássico ambientado na Belle Époque carioca. Como as casas francesas, a Colombo tem uma enorme lista de ilustres frequentadores. Escritores, artistas, músicos e políticos, a nata da elite cultural da cidade se reunia na confeitaria, como Olavo Bilac, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Villa-Lobos, Chiquinha Gonzaga e Machado de Assis.
» Onde fica: Rua Gonçalves Dias, 32, Centro, Rio de Janeiro

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