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HOLANDA

Canais de Delft passam por cenários bucólicos e são orgulho dos moradores

A cidade é famosa pelas porcelanas e pelo cenário pitoresco, cercado de estradas de água. É uma das mais antigas do país e cresceu em torno da principal linha da grachten, que data do século 17

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postado em 19/11/2016 08:00 / atualizado em 16/11/2016 15:56

Juliana A. Saad, Especial para o Correio /d

Juliana A. Saad/Esp/CB/D.A Press

Delft é uma das cidades mais antigas da Holanda. Vestígios de sua fundação datam da Idade Média (cerca de 1050) e o centro da cidade atesta esse passado, como na Oude Kerk, Igreja Antiga, famosa por sua imponente torre inclinada de 75 metros de altura, vitrais e órgãos e por abrigar túmulos importantes, como o do pintor Johannes Vermeer e dos almirantes Piet Hein e Maarten Tromp. Fica a apenas uma hora de distância a partir de Haia.

 

Os Canais de Delft serviam originalmente como linhas vitais de defesa, contenção das águas, transporte e distribuição de suprimentos. Delft origina-se do verbo delven (escavar, em holandês). A linha de canal mais antiga é do século 17 e foi em torno dela que a cidade, situada a 5,5 metros abaixo do nível do mar, cresceu e se expandiu para uma rede de canais, chamados grachten, e que ainda são essenciais para a vida na cidade.

 

O povo de Delft tem muito orgulho de seus canais e costuma se deslocar por táxis aquáticos ou barcos particulares. Pontes sobrepairam a água em muitos locais, formando um cenário pitoresco. Alugue um táxi aquático e faça um tour pela cidade.

 

Uma característica marcante da cidade é a Markt, a Praça do Mercado, projetada pelo arquiteto Hendrick de Keyser no século 17. Ali, de um lado fica a Stadhuis, a Prefeitura e um dos monumentos mais exuberantes da cidade, com suas janelas vermelhas e a Het Steen, torre do século 13 (que sobreviveu ao incêndio que engoliu a construção gótica original e abriga uma prisão medieval), de estilo renascentista.

 

Bem em frente fica a NieuweKerk, a Igreja Nova, e, entre elas, um descampado reúne cerca de 150 bancas no mercado geral da cidade. Uma curiosidade: Johannes Vermeer cumpriu suas exigências pré-matrimoniais (“ondertrouw”) com sua futura esposa, Catharine Bolnes, exatamente nesse prédio da prefeitura de Delft.

 

Nos tempos medievais, o centro comercial ficava localizado atrás da Prefeitura. No século 18, o prédio abrigou as corporações de ofício de ourives, prateiro e farmacêutico. Hoje, sedia cafés, restaurantes e pubs que se espalham pela rua, mas as pedras memoriais nas fachadas perpetuam as corporações dos ofícios.

 

Juliana A. Saad/Esp/CB/D.A Press

Faiança

Chegar à cidade e visitar a Royal Delft dá uma dimensão imediata da importância dessa fábrica, criada em 1653, a última fabricante Delftware remanescente do século 17. A chamada porcelana de Delft na verdade é uma faiança pintada a mão, de acordo com a tradição secular que persiste por 360 anos e fez a fama da cidade.

 

A história da faiança vitrificada azul e branca foi introduzida na Holanda pelos navios portugueses que voltavam da China lotados de kraak, um tipo de porcelana chinesa produzida no reinado do Imperador Wanli (1563-1620) até cerca de 1640. Os holandeses gostaram tanto da porcelana chinesa que acabaram por reproduzi-la. Era muito popular e colecionada por famílias ricas de todo o mundo.

 

No auge da produção, entre 1600 e 1800, a cidade de Delft abrigou centenas de fábricas de cerâmica e as exportou para o mundo inteiro, até que, pouco a pouco, ela saiu de moda e fábricas foram fechando. A única que permaneceu operante pelos últimos 360 anos foi a Koninklijke Porceleyne Fles, conhecida como Royal Dutch, vendida na fábrica e em várias lojas de souvenir ao redor da praça do mercado central (Grote Markt) da cidade. A experiência Royal Delft leva o visitante a uma viagem moderna através do mundo da faiança antiga.

 

Vias navegáveis

Em holandês, grachten é o plural de canal. Identifica as ramificações das vias que são meios de transporte e um dos maiores atrativos turísticos em várias cidades do país. A rede de canais que atravessa Delft tem várias pontes que unem as vias da cidade.

 

Visite

Vermeer Centrum Delft Oferece ao visitante uma viagem de descoberta através da vida, obras e cidade do mestre da luz Johannes Vermeer (1632-1675), que morou na cidade toda a sua vida. Visita obrigatória.

 

Um bom itinerário é passar a manhã toda e almoçar em Delft e depois seguir para os famosos moinhos de Kinderdijk (ficam a cerca de 50 minutos de carro de Delft) para uma tarde ao vento e de lá para Roterdã (mais uma hora e meia de estrada).

 

Cartão postal

Mr. Kok, um simpático chefe de moinhos, profissão que herdou do pai, vive em Kinderdjik há 35 anos. Ele começou consertando engrenagens e pás e depois passou a administrar o Moinho 2, construído em 1739, uma dos 19 existentes nesse “parque de moinhos” entre Delft e Roterdã.

 

Os Moinhos de Kinderdijk são o cartão-postal por excelência da Holanda. Estão espalhados em uma área verdejante às margens dos canais do Rio Lek, no canto norte da região de Alblasserwaard. Construídos no século 18, foram usados até a década de 1950 para drenar o excesso de água dos diques e hoje são patrimônio da humanidade pela Unesco.

 

Nos dias mais quentes, grupos de amigos, famílias e casais aproveitam o calor e fazem piquenique no gramado, nadam no rio e se divertem em um dos locais mais bonitos da Holanda. Não deixe de conhecer Kinderdijk, é uma experiência que vai ficar impressa na sua memória.

 

Você pode pegar um barco e percorrer os canais, parando ao longo do percurso, para conhecer os moinhos. É possível descer e voltar ao barco, mas é gostoso ir de barco e percorrer os moinhos a pé. Há dois museus no local: o Museummolen Blokweer e o Museummolen Nederwaard, além de um centro de apoio a visitantes. As vistas podem ser acompanhadas de guia, que contam a história muito particular desse sistema de drenagem que une vento, terra e água.

 

Não dá para descolar o sorriso do rosto ao ver de perto as enormes pás girando ao sabor do vento. Entrar nos moinhos e entender como as famílias dos moleiros viviam ali e subir as escadas em caracol até o último pavimento para apreciar a vista adicionam ainda mais conhecimento e vivência ao lindo passeio. 

 

Juliana A. Saad/Esp/CB/D.A Press
 

» Nosso roteiro

Partiu, Holanda!

No início da nossa viagem, na semana passada, conhecemos Utrecht e Haia. A primeira cidade da nossa viagem à Holanda está localizada no centro do país. E, apesar de ser uma das mais antigas, é praticamente um reduto jovem, principalmente por causa da universidade homônima. A paisagem é surpreendente, com belas pontes sobre antigos canais que servem de vias e de diversão para animados habitantes. Utrecht é uma festa.

 

Distante uma hora e meia de Utrecht, Haia é a cara da pompa. A cidade medieval abriga a realeza, a justiça e os representantes da diplomacia mundial. A verdadeira casa dos poderes. As ruas de pedras são apaixonantes. É lá, surpreendentemente, que está o templo da modernidade: o Museu Municipal de Haia, com obras do artista Mondrian, do movimento De Stijl (O estilo). A construção é um manifesto Art Déco. Mas a joia de Haia é Madurodam, um parque temático que reproduz todas as regiões do país em miniatura. 

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