JORDÂNIA

Área protegida foi rota de comércio de especiarias, controlada por nabateus

Ao centro de Wadi Rum, se tem uma vista panorâmica da região que trouxe tantas riquezas para o antigo povo árabe

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postado em 10/12/2016 09:00

Juliana Moreira Lima/CB/D.A Press - 1/9/04

O segundo mais alto pico da Jordânia, o Jabal Rum, com 1.734 metros, abre, ao centro de Wadi Rum, vistas panorâmicas da área protegida, que um dia foi rota do comércio de especiarias controlado pelos nabateus, fundadores da igualmente espetacular Petra, distante pouco mais de 100 quilômetros. Por ali, por volta do século 4 a.C., esses nômades procedentes de antigas tribos árabes daquela península se fixaram ao sul da Jordânia, organizando uma sólida monarquia, que fundou a sua riqueza no comércio. Foi um dos povos mais brilhantes da história.

 

Incenso, mirra, especiarias da Índia, seda da China e perfumes eram carregados em caravanas que abasteciam um luxuoso mercado em Roma, na Grécia e no Egito. A porta de entrada dos cobiçados produtos eram as cidades portuárias mediterrâneas, depois de longo trajeto de caravanas pelas rotas comerciais do mundo árabe ao Extremo Oriente. A travessia dos países da Península Arábica até o Mediterrâneo com a preciosa carga era penosa e difícil e requeria o conhecimento de especialistas do deserto, principalmente para encontrar água. Estrategicamente posicionados ao longo das rotas das caravanas, os nabateus cobravam pedágio dos viajantes, provendo-lhes em troca abrigo, água, comida e proteção.

Foi assim que os nabateus se tornaram os mestres incontestes das rotas comerciais que uniam três continentes — África, Europa e Ásia — e uma variedade de civilizações e culturas. Dessa interação absorveram influências diversas e influenciaram o mundo. As receitas advindas da atividade financiaram o império comercial nabateu, permitindo que erigissem a espetacular capital, Petra, com jardins exuberantes, casas ornamentadas e elaborados monumentos no meio do deserto.

Marcas
Enquanto Petra florescia, o Império Romano, no primeiro século depois de Cristo, pousava as vistas sobre o Oriente Médio. Ambicionando expandir as fronteiras, no ano de 106 assumiram o controle da capital dos nabateus. Aparentemente, foi, em princípio, um domínio que não alterou o modo de vida daquele povo. Mas os romanos deixaram marcas inconfundíveis na velha cidade e o distinto estilo de vida está cravado em monumentos, esculturas e espaços públicos.

Foi sob o domínio do Império Romano, que se estendeu pelos próximos 300 anos, que Petra viveu o seu declínio, particularmente com a política implantada, que reviu as tradicionais rotas comerciais para o Norte e, ao mesmo tempo, com a expansão territorial, passou a transportar, por navios, boa parte dos produtos comerciais. Para agravar a situação da cidade, no ano de 363, um terremoto atingiu a flor rosa do deserto, destruindo muitos monumentos, prédios e enterrando o excepcional e vital sistema de aquíferos. Os últimos habitantes abandonaram a cidade 300 anos depois, quando um novo terremoto fez mais estragos, ao mesmo tempo em que os árabes retomavam o domínio da região, em 663.

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