PRAZER

Muito além de Cuba, rota de charutos vai do Recôncavo Baiano a Honduras

Fábricas no Brasil e no exterior exibem processo de confecção artesanal. As visitas começam em plantações de tabaco e terminam na montagem, com direito a degustação e programação sob medida

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postado em 10/02/2017 09:00 / atualizado em 10/02/2017 14:03

RyAwesome/Flickr

Impossível não pensar em Cuba quando o assunto é charuto. Companhia inseparável de personalidades como o político britânico Winston Churchill, os charutos dependem de um longo e minucioso processo até ficarem prontos para a degustação. Os aficionados por esse universo vão se fartar em fazendas de tabaco e fábricas espalhadas pelo globo. O centro nervoso do roteiro está na terra de Fidel Castro, é claro. Cuba produz os melhores charutos do mundo e tem técnicas e terroirs mais que especiais, mas há como fumar folhas de tabaco enroladas, de preferência artesanalmente, em fábricas da República Dominicana, Nicarágua, Honduras, Estados Unidos e México, para citar poucos.

 

No Brasil, a Bahia tem uma rota turística que passa por São Gonçalo dos Campos, Cruz das Almas e São Félix, na região do Recôncavo Baiano, responsáveis pela produção do Mata Fina, tipo de tabaco reconhecido mundialmente. A Alemanha é campeã de importação do produto brasileiro, ao lado da Argentina, Estados Unidos, Canadá e Oriente Médio. A indústria foi responsável pelo ingresso de US$ 17,7 milhões no país no primeiro trimestre de 2015, segundo o Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia.

 

Ao acompanhar uma autêntica produção de charutos, a sensação vai além do encantamento. Quem não é fumante nem admirador pode desfrutar do passeio sob outra perspectiva, ao ver como a preparação de um único charuto pode depender de tantos processos e particularidades e dizer muito sobre a história local e do país.

 

Paladar treinado

Mapio Net/Reprodução

Apesar de atraírem um público restrito, por conta do preço, os charutos podem agradar a qualquer um, garante o empresário Mateus Takano, 31 anos. Ele fuma desde 2015 e sabe quantos degustou até hoje: 92. Formado em gastronomia, sugere: “Apreciar charutos é como apreciar bebidas. Exige um trabalho longo, um treino do paladar”. No Brasil, as tabacarias cobram muito caro. “Não há tanta saída e o clima da maioria das cidades ajuda a danificar o produto”, conta. Para garantir a caixa (de cedro) abastecida, ele recomenda a compra online em sites especializados.

Se as tabacarias não são tão vantajosas, fábricas compensam a visita. O Centro Dannemann é uma referência, em São Félix, coração do Recôncavo Baiano, desde 1892. O Robusto, da linha artística, produzido a mão, foi premiado como o melhor do país em 2016 pelo blog Charutando, referência no assunto. A importância para o estado vai além de títulos e da satisfação dos fumantes. Nessa e em outras fábricas da região, as mulheres são os principais funcionários — o efeito na renda familiar é um fator relevante. Para observá-las enrolando as folhas de tabaco, vá à fábrica, em São Félix. A fazenda de tabaco em Governador Mangabeira recebe passeios mais longos, de até dois dias, para os interessados em conhecer a produção a fundo.

 

Conheça
Centro Dannemann (São Félix - BA)

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press - 18/1/17

» Aberto de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h

» Agende uma visita gratuita pelo telefone: (75) 3438-2500

 

Uso moderado
Segundo o cardiologista da Sociedade Brasileira de Hipertensão Carlos Alberto Machado, o tabagismo é o segundo fator de risco para outras doenças possível de ser evitado. “Quanto maior o número de cigarros que uma pessoa fuma, maior o risco de desenvolver doenças pulmonares, de obstrução crônica, cardiovasculares e doenças isquêmicas do coração”.

De Cuba para o mundo

Com base no ranking das 25 melhores marcas de 2016, feito pela revista americana Cigar Aficionado, o Turismo selecionou fábricas de charuto abertas a visitação pelo planeta. Também indicamos fábricas na Bahia, para quem quiser se aventurar pela região do Recôncavo.

La Flor Dominicana (República Dominicana)

Cigar Journal/Reprodução

Em 1996, a fábrica foi fundada em Santiago de los Caballeros — cidade que registra a maior produção de fumo do mundo. A marca assina o charuto do ano de 2016 — o Andalusian Bull. Na anilha, as inscrições são inspiradas na caligrafia de Pablo Picasso. A decoração faz referência ao uniforme de um toureiro.

 

Partagás (Cuba)

LH Marketing Deluxe/Reprodução

Com 166 anos de existência, a Real Fabrica de Tabacos Partagás, em Havana, fabrica os charutos mais famosos do mundo. O Serie nº 2 foi considerado pela Cigar Aficionado como o terceiro melhor de 2016. Na entrada, é comum encontrar pessoas vendendo charutos — as chances de serem falsos são altas. Entre, aprecie a estrutura antiga, observe os charuteiros separando tabaco, enrolando, criando misturas especiais. Além de Partagás, dali saem Bolivar, La Gloria Cubana, Ramón Allines e Quai D’Orsay.

 

Rocky Patel (Honduras)

Cigar Aficionado/Reprodução

É possível passar até quatro dias nas fábricas e fazendas de tabaco, aprendendo sobre charutos. A programação inclui visita a plantações, jantares com degustação de charutos ao final, tour pelas etapas de produção e um momento para enrolar seu próprio charuto. A marca é dona do segundo melhor de 2016, o Sun Grown Maduro Robusto.

 

» No Brasil
Menendez Amerino (São Gonçalo dos Campos, BA)

Claudio Brisighello/Flickr

Inaugurada em 1978, a fábrica a 114 km de Salvador nasceu com a parceria entre um empresário baiano e a família cubana Menendez, antiga fabricante de Montecristos e H. Upmanns em Cuba. Quem visita o lugar pode acompanhar de perto a fabricação artesanal dos charutos Dona Flor, Aquarius e Alonso Menendez — além das cigarrilhas Gabriela.
» Visitas: de segunda a sexta-feira, entre as 7h e as 11h.
» Agende pelo telefone: (75) 3246-1182.

 

Leite e Alves (Cachoeira, BA)

Euler Peixoto/Flickr

A produção dos charutos Talvis e Leite & Alves, apontados como ideais para iniciantes, acontece na cidade baiana desde 1936. O estilo de confecção é 100% artesanal. Os visitantes têm a chance de observar toda a cadeia produtiva, desde a montagem à secagem — que dependem de umidade e temperatura específicas.
» Visitas: das 7h às 12h e das 13h às 17h. 

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