LITERATURA

Faça um passeio pelos cenários de grandes clássicos da literatura

Escritores podem ou não se inspirar em lugares reais ao produzir uma obra. Quando a história é ambientada em um local que realmente existe, o turista, que também é fã, faz a festa

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postado em 11/02/2017 09:00

Leandro Ciuffo/Flickr

Após a morte de Quincas Borba, o ingênuo Rubião se muda para o Rio de Janeiro, junto com a fortuna que herdou do amigo. Lidar com o jogo de interesses e aparências da sociedade na qual se inseriu e com um amor não correspondido leva o personagem à miséria e à loucura. Assim, entre altos e baixos, se desenrola a trama de Quincas Borba, de Machado de Assis.

 

Os mais apaixonados pelo romance já não podem mais encontrar a Cidade Maravilhosa de 1867, durante o Segundo Reinado. A sociedade e a cidade não são mais as mesmas, mas é possível visitar alguns dos cenários da obra e imaginar como teria sido na época de Rubião. Confira algumas atrações nos bairros citados no clássico de Machado de Assis.

Botafogo

A enseada de Botafogo é uma das paisagens admiradas por Rubião, em Quincas Borba. Apesar de não ser própria para banho, a praia ainda é um dos cartões-postais do Rio de Janeiro e um ótimo lugar para dar uma volta de bicicleta.

Santa Teresa

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O bairro carioca tem inúmeras opções de passeio. Circular nos bondinhos, visitar o Museu Chácara do Céu e a escadaria Selaron, fazer uma refeição em alguns dos restaurantes do Largo do Guimarães são apenas algumas das atrações.

 

Flamengo

Alexandre Manhães/Flickr

Na região, o turista aproveita os bares e aprecia a arquitetura. No Aterro do Flamengo, é possível praticar esportes ou relaxar, admirando a vista da Baía de Guanabara. Não deixe de visitar o Museu de Arte Moderna (MAM), que está nas dependências do Aterro.

 

Na trilha de Riobaldo

Carolina Kina/Flickr

Em 2013, os fãs de Guimarães Rosa e Grande Sertão: Veredas ganharam um motivo para comemorar. O projeto O Caminho do Sertão foi criado para oferecer uma experiência sócioecoliterária pelo caminho feito por Riobaldo no cerrado mineiro. São sete dias de caminhada, em que os participantes percorrem 170 km.

A jornada é mais que uma imersão no mundo do autor. O projeto chama atenção para a expansão agrícola, culturas transgênicas e o agravamento da seca nas regiões Norte e Noroeste de Minas Gerais, entre outras questões. “Essas mudanças na configuração do espaço e das relações de trabalho, poder e cultura da região sertaneja, consagradas na literatura, são pontos em que o Caminho do Sertão intenta lançar luz”, explicam os idealizadores do projeto, que tem uma edição por ano.

Os 70 participantes escolhidos são pessoas dispostas a imergir na literatura e na cultura sertaneja. “A seleção leva em conta diversos fatores, e não exclui ou seleciona por conta de currículos ou carreiras. O perfil sempre foi variado. Já tivemos de quase todos os estados e dois estrangeiros.”

 

Passeando pelo faz de conta

Dennis Rogers/Flickr

“Ser ou não ser, eis a questão.” A frase do Ato 3 de Hamlet, uma das grandes tragédias de Shakespeare, está imortalizada na história. Mesmo que tenha sido escrita há mais de 400 anos — provavelmente entre 1599 e 1601 —, é quase impossível negar a influência da peça na literatura mundial. Na obra, o príncipe Hamlet precisa vingar a morte de seu pai, assassinado por Cláudio, tio do jovem. Ao longo da história, o membro da família real dinamarquesa precisa lidar com os conflitos internos causados pela ideia de vingança e pelas relações de Hamlet com os outros personagens. Mas, por ser uma das obras mais analisadas da literatura, a tragédia também está aberta a muitas outras interpretações.

A peça é ambientada no Castelo de Elsinore, na Dinamarca. Na vida real, o local existe — com o nome de Castelo de Kronborg — e está aberto para visitação. Guiado por Horácio, amigo de Hamlet, o turista faz um tour pela atração turística, que é Patrimônio Mundial da Unesco. É possível visitar a maior parte dos quartos onde se passam a tragédia e as passagens subterrâneas do castelo. Os ingressos variam entre R$ 22 e R$ 44.
O Turismo selecionou algumas cidades que foram palco de grandes clássicos.

 

Dublin, Irlanda

National Museum of Ireland/Divulgação - 14/6/08

Ulysses, de James Joyce, narra um dia na vida de Leopold Bloom e suas andanças pela capital irlandesa — uma possível recriação do clássico Odisseia, de Homero. Na sua tentativa de adiar a volta para casa, Bloom passa por pontos históricos, como a Torre Sandycove Martello, o Pub Davy Byrnes, a Ponte Loopline, entre outros. Os fãs mais empolgados podem fazer um tour guiado pela cidade, seguindo os passos do personagem principal no capítulo Lestrygonians. Informações: www.visitdublin.com.

BLOOMSDAY

Todo dia 16 de junho, dia em que se passa a obra, quem está em Dublin pode comemorar o Bloomsday, em homenagem ao romance de Joyce. Durante todo o dia, fãs percorrem os caminhos feitos por Leopold.

 

Nova York, Estados Unidos

Timothy A. Clary/AFP

Passando por problemas típicos da adolescência, Holden Caulfield passa um fim de semana em Nova York, perambulando pela cidade e lutando com seus conflitos internos. Em O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger criou um dos ícones de rebeldia dos anos 1960 e 1970. No clássico, Caulfield esbarra em grandes atrações de Nova York, como o Central Park, o Museu de História Natural, a Broadway, a Penn Station e a Quinta Avenida.

 

São Petersburgo, Rússia

Alex 'Florstein' Fedorov/Wikimedia Commons

A capital russa foi palco das obras Noites Brancas e Crime e Castigo — ambas escritas por Fiodor Dostoiévski. Fãs do escritor russo podem visitar lugares como o canal Fotanka e a Avenida Nevsky — que fizeram parte das andanças melancólicas do narrador de Noites Brancas — ou o Haymarket e a Ponte Kokushkin, partes das trajetórias de Raskolnikov. Não deixe de visitar o museu dedicado ao autor.

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