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Perfil de viajante influencia na hora de escolher um tipo de hospedagem

Saiba como é feita a classificação de locais de hospedagem e o que cada estabelecimento precisa oferecer para ter estrelas na fachada

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postado em 05/03/2017 09:00 / atualizado em 01/03/2017 17:25

Ricardo Moraes/Reuters

Que tipo de viajante você é? Tem gente que não dispensa uma aventura. Alguns transformam férias em peregrinações. Há quem prefira bater perna entre museus e galerias, e outros vão à caça de restaurantes, fazem compras ou curtem uma boa balada. O perfil do viajante influencia diretamente no tipo de hospedagem escolhido. Afinal, um hotel fazenda não combina com quem quer aproveitar o agito da cidade, assim como um resort não é indicado se a intenção é aproveitar cada segundo fora do hotel.

 

Criada pelo Ministério do Turismo, a classificação oficial dos meios de hospedagem permite que as informações sejam claras e objetivas. Isso é importante para garantir concorrência justa no mercado e auxiliar os turistas a fazerem escolhas melhores. Além dos tipos, as categorias — que determinam quantas estrelas o estabelecimento deve ter — são fixadas pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Hospedagem (SBClass), criado em 2012.

Hotel
Deve ter serviço de recepção e oferecer alojamento temporário, com ou sem alimentação. Os aposentos são individuais e de uso exclusivo dos hóspedes, com cobrança de diária.

Pousada

Pousada Lis Bleu/Divulgação

É composto de, no máximo, 30 unidades e 90 leitos. A estrutura inclui um prédio único com até três pavimentos, mas pode ter chalés e bangalôs. Os serviços são: recepção, alimentação e alojamento temporário.

Flat/Apart Hotel

Accor Hotels/Divulgação

As unidades habitacionais dispõem de dormitório, banheiro, sala e cozinha equipada. O edifício deve ter administração e comercialização integradas e oferecer serviço de recepção, limpeza e arrumação.

 

Resort

Juliana Borre/CB/D.A Press

É um hotel com infraestrutura de lazer e entretenimento que dispõe de serviços de estética, atividades físicas, recreação e convívio com a natureza no próprio empreendimento.

 

Hotel Fazenda

ViaVelluti/Divulgação

O hotel deve estar localizado em ambiente rural, exercer atividades agropecuárias, possibilitar entretenimento e vivência do campo.

Cama & Café

Carlos Moura/CB/D.A Press

A hospedagem é oferecida em residências com, no máximo, três unidades habitacionais para uso turístico. O proprietário mora no local e oferece serviços de café da manhã e limpeza.

Hotel histórico

Joli Rêve/Reprodução

Deve funcionar em um prédio preservado ou restaurado e pode ter sido palco de fatos histórico-culturais, fatos relevantes para a memória popular, independentemente de quando ocorreram.

Muito além dos clássicos

Ao procurar por hospedagem, não se assuste ao esbarrar em um sem-fim de nomenclaturas além das clássicas: hotel design, hotel boutique, hotel de charme, pocket resort e muito mais. O sistema de classificação do Ministério do Turismo, o SBClass, não dá conta da variedade do setor e está em fase de reformulação para se adequar às tendências atuais. Há várias classificações alternativas, baseadas em conceito e estilo, que surgiram principalmente por causa da exigência do público, explica o diretor do Instituto Brasileiro de Gestão da Hospitalidade, Armando Lardosa. “Pequenas diferenças nas preferências dos hóspedes dão origem a novos padrões no mercado.”

A segmentação excessiva gera um público específico, com perfil extremamente definido, o que nem sempre é positivo. “Não dá para saber se a microssegmentação é eficiente nem se o hóspede entende a proposta e se identifica os hotéis”, avalia o diretor de marketing e vendas da Rede de Hotéis Deville. Muito além de serem bons ou maus, ou de fazerem tanto sucesso a ponto de integrar o SBClass, os novos conceitos de hospedagem surgem para atrair novos públicos e suplantar classificações que caem em desuso.

As categorias de uma a cinco estrelas, responsáveis por indicar o nível da qualidade do serviço dos hotéis, foram utilizadas por muito tempo, mas perderam credibilidade por falta de atualização, sugere Armando Lardosa.

“A maioria das pessoas não sabe o que significa cada estrela e acaba dando mais importância a associações independentes.” O mesmo vale para o Guia Michelin. “Tinha capacidade de formação de opinião forte, mas não foi oxigenado”. Confira algumas opções de hospedagem fora do circuito oficial selecionadas pelo Turismo e explore novidades em sua próxima viagem.

Hotel Design

NYC Paramount

Tem estrutura e serviços inéditos, como quartos decorados com esmero. Não raro, há obras de arte pra todo lado, vinho no café da manhã e a localização é privilegiada. O Paramount Hotel, em Nova York, deu origem ao conceito.

 

Hotel de Charme

Tuca Reneis/Pousada Estrela D'água

Aqui, o luxo é oferecido em prédios históricos. O conceito preserva tradições locais principalmente na arquitetura, oferece serviço de primeira e decoração estilosa.

Boutique Hotel

MannaBay/Reprodução

Oferece a infraestrutura de um hotel normal, mas com exclusividade: tem poucos quartos. As instalações são charmosas, luxuosas, criativas e, não raro, estão em prédios históricos. Objetos de arte estão presentes e, muitas vezes, o hotel é temático.

Pocket Resort
A estrutura de lazer dos resorts comuns continua existindo, mas em uma área bem menor. O número de quartos — e hóspedes — segue a proposta.

» Passo a passo
Para obter a classificação oficial do Ministério do Turismo, o estabelecimento de hospedagem passa por um processo de avaliação que começa na internet, com um cadastro. Depois, é preciso encaminhar vários documentos ao órgão oficial de turismo do estado para que o lugar seja inscrito no sistema Cadastur. Feito isso, o Inmetro avalia o local. O proprietário deve pagar uma taxa de acordo com a tabela oficial disponível no site do MTUR. A adesão ao sistema é voluntária.

 

» Ranking
O primeiro sistema de classificação de hospedagem do Brasil surgiu em 1990. Na ocasião, a Embratur implantou um sistema com as categorias simples — uma estrela; econômico — duas estrelas; turístico — três estrelas; superior —quatro estrelas; luxo — cinco estrelas. Em 2003, o Ministério do Turismo foi criado. A partir daí, as políticas do setor ficaram sob responsabilidade do órgão. Com a promulgação da Lei Geral do Turismo, em 2008, o MTur passou a ser responsável pela classificação dos meios de hospedagem, hoje regulamentada pelo SBClass.

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