ARTE

Street art é um meio de transmitir mensagens políticas e sociais

Além de monumentos, museus, sítios arqueológicos e formações naturais, painéis nas cidades se tornaram atrações turísticas. Conheça lugares, no Brasil e no mundo, para ver de perto essa arte e descubra grandes nomes do movimento

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postado em 08/03/2017 20:00

Nan Palmero/Flickr

O ato de pintar desenhos nas paredes não é novidade — vem desde os homens das cavernas. Ao longo dos anos, o propósito e a maneira das pinturas foram mudando para o que é possível ver em ruas brasileiras e de outras partes do mundo. Distante da depredação, o objetivo de grande parte dos artistas urbanos é passar uma mensagem — na maioria das vezes social ou política — por meio do street art. Alguns locais se tornaram pontos turísticos.

 

A arte urbana ganhou força nos anos 1980, nos Estados Unidos. Muitos nomes contribuíram com a desenvolvimento do street art para outras partes do mundo: Darryl McCray (Cornbread) e Jean-Michel Basquiat são apenas dois deles. A partir do trabalho dos norte-americanos, as artes espalhadas nas cidades ganharam o mundo, com novos traços e influências.

Mudança de visão

Rhona Wise/AFP

O street art ainda é cercado por preconceitos. Segundo o paulista Eduardo Kobra, é uma questão cultural. “Acho que é por falta de conhecimento, informação. Muitas pessoas ainda insistem em manter a postura de achar que a arte é restrita para a elite ou que está disponível só em galerias de arte.” Mas, para ele, o preconceito vem diminuindo.

Kobra, autor de um trabalho em Brasília  (no prédio da Caixa Econômica Federal)busca, por meio de seus murais, mudar as paisagens da cidade e recuperar suas memórias, desde 1987. Nascido em um bairro da periferia, ele conta que viveu na pele o preconceito e a falta de incentivo ao seu trabalho, o que reflete na sua arte. “Sempre fez parte do meu trabalho usar os muros como suporte para passar um tipo de mensagem, um tipo de informação. Eu passo os meus ideais e tudo o que eu acredito.”

POMB/Reprodução

A manifestação de arte urbana é acessível, afinal, está espalhada pela cidade, onde todos podem parar para observar os murais coloridos, o que pode ser considerado uma de suas maiores qualidades.

Para o artista brasiliense POMB, a característica democrática do street art mudou a forma de as pessoas verem a arte. “Não precisa pagar pra entrar em museu e apreciar ou não um trabalho artístico. Está ali, na rua, para a madame ou para o morador de rua olhar, questionar e absorver.”

Thales Fernando, o POMB, pinta nas ruas desde 2002. As influências para seus murais, gravuras e colagens vão além dos artistas de ruas: “principalmente da música, como Herbie Hancock, Baiana System e por aí vai.”

Para quem quer explorar esse mundo, o brasiliense dá dica de destinos interessantes. “Acredito que São Paulo seja a maior referência e volume de trabalhos a céu aberto. Fora daqui, tem Valparaíso, no Chile, Barcelona, Paris.”

 

As cores do Brasil

Eduardo Kobra/Reprodução

Muitas regiões do país são excelentes opções para quem quer ver street art. Com brasileiros conhecidos mundialmente por suas manifestações urbanas de arte, fica fácil encontrar um destino no Brasil que tenha murais para apreciar.

O centro do Rio de Janeiro, por exemplo, pode entrar no roteiro. Em 2015, o artista Kobra pintou um mural de 170 metros de comprimento no Boulevard Olímpico da Praça Mauá, em comemoração ao Jogos Olímpicos Rio 2016. Inspirada na paz e união dos povos, a obra chamada Todos somos um retrata cinco indígenas: huli, da Oceania; mursi, da África; kayin, da Ásia; supi, da Europa; e tapajós, do Amazonas.

Pelas ruas do Rio de Janeiro — em bairros como Santa Teresa, Jardim Botânico, Tijuca, entre outros —, ainda é possível encontrar muitos outros murais de artistas e coletivos como Acidum Project, Marcelo Ment, WARK da Rocinha e Toz.

 

Pelas ruas de SP

Rafael Schaidhauer/Flickr

Tradicional ponto para quem quer ver de perto o movimento artístico urbano de São Paulo, a antes comum rua Gonçalo Afonso — mais conhecida como Beco do Batman — se transformou em uma galeria a céu aberto, recebendo milhares de turistas ao longo do ano.

Acredita-se que a mudança começou na década de 1980, quando estudantes de artes plásticas começaram a fazer desenhos pelo beco inspirados por um desenho do Batman que apareceu em uma das paredes da rua. Hoje em dia, os muros são frequentemente renovados por grafiteiros da cidade e pela comunidade, o que garante uma surpresa a cada visita.

Mas as manifestações de arte pelas ruas da capital paulista não param por aí. O site #StreetArtSP criou um mapa para que os interessados possam ir ao lugar certo. Entre os vários bairros da capital paulista, é possível encontrar artistas como Apá One, Chivitz, Fernando Berg, entre outros.

Marcelo Alves, co-fundador do site, conta que ele surgiu como uma maneira de gerar repertório. “Existe muito pouca informação sobre a arte urbana nas cidades, nosso principal objetivo é dar acesso à informação para população, iniciando como o mapeamento de obras e artistas da cidade.” Alves acredita que o banco de dados criado pela #StreetArtSP é capaz de despertar interesse nas pessoas para esse tipo de arte.

 
» Parecidos, mas são diferentes
Graffiti e street art não são a mesma coisa. No primeiro, o artista não tem, necessariamente, a intenção de que os outros entendam seu trabalho. O que foi escrito na parede é algo para satisfazê-lo ou outros escritores das ruas. Enquanto na outra forma artística, a mensagem passada ao público importa. Além disso, não há um material padrão a ser usado, como no caso do spray do graffiti. As semelhanças estão apenas no uso do espaço público e da relação com a arte contemporânea.

 

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