CURSOS

Praticando fora de casa: cursos de intercâmbio ajudam a fixar o idioma

Cursos em países que falam a língua são ótimas soluções para colocar os conhecimentos em prática e para entrar em contato com a cultura local

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postado em 25/03/2017 10:00 / atualizado em 22/03/2017 15:02

Roberto Fonseca/CB/D.A Press/D.A Press


Aprender um novo idioma requer anos de dedicação. Além de novas palavras e pronúncias, é preciso estar atento a diferentes regras gramaticais, por exemplo. Não é uma tarefa nada fácil, principalmente quando vamos ficando mais velhos. Segundo um estudo da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, é mais fácil para crianças aprenderem um segundo idioma. Um dos motivos para a diferença no aprendizado está relacionado ao fato de crianças terem tido menos contato com o idioma nativo, ou seja, vícios de linguagem ainda não são comuns aos jovens. Além disso, de acordo com o estudo, adultos possuem inúmeras tarefas no dia a dia — comparado à rotina das crianças —, diminuindo o tempo livre para os estudos.


Apesar dos resultados da pesquisa, não é preciso desanimar. Independentemente da idade, aprender uma nova língua é possível — é só questão de tempo, oportunidades e prática. Existem inúmeras maneiras de treinar o idioma escolhido: durante as aulas, com amigos e parentes que também dominem a língua, lendo livros, escutando músicas ou vendo filmes.

Uma outra opção para praticar são as viagens de intercâmbio, que ganham cada vez mais adeptos. De acordo com uma pesquisa da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), entre 2003 e 2013, o número de brasileiros que procuraram cursos de idioma no exterior quintuplicou. A faixa etária que mais adere ao tipo de viagem são os jovens de 18 a 30 anos — 75% dos entrevistados no levantamento.

Bem planejado
Fazer um intercâmbio requer planejamento. Vários pontos precisam ser levados em consideração: da escolha da empresa ao destino que mais atende os objetivos do estudante. Luiza Vianna, gerente de produto da agência CI Intercâmbio e Viagem, explica que o destino só é escolhido após um longo bate-papo entre o cliente e a empresa. “Temos que entender a vida e as expectativas de cada cliente. Saber se estuda, se já está no mercado de trabalho, quanto tempo tem disponível, o que gosta de fazer, se gosta mais de frio ou calor.”

Mas a relação com o cliente não para por aí. Vianna explica que o contato acontece antes, durante e depois do intercâmbio. “Algumas pessoas não viajaram para o exterior, por isso passamos orientações pré-embarque, falando sobre check in e imigração, por exemplo.” Chegando ao destino, a agência procura o estudante para saber se está tudo indo como planejado. Se, durante a viagem, ocorrer algum problema, a empresa está disponível para achar uma solução. “O cliente pode entrar em contato a qualquer momento, até o fim do programa.”

 

Surpresas no caminho

Arquivo Pessoal


Sabrina Damaceno, 23 anos, fez um intercâmbio de seis meses em Galway, na Irlanda, em 2015. A escolha do destino para fazer o curso de idiomas teve dois critérios: “Eu tenho parentes que moram lá, então já era uma opção. Além disso, na época, ir para a Irlanda era mais barato do que para outros lugares”.

A tradutora procurou, pela internet, a agência que a auxiliaria na viagem. Mas a escolha não foi a melhor, segundo a jovem. “Não tive nada do que a agência prometeu. Tive vários problemas.” Entre eles, transtornos em relação ao início das aulas, material escolar e o nível do curso. “Ainda falaram que a escola evitava colocar pessoas da mesma nacionalidade na mesma casa, mas eu morei com cinco brasileiros.” Além disso, Sabrina não teve assistência, já que a agência fechou enquanto ainda estava morando na Irlanda.

Por causa dos transtornos, a tradutora tem algumas dicas: “Não procure qualquer agência. Se precisar, pague mais caro, desde que seja um local de confiança”. Outra é se preparar em relação ao dinheiro. “Leve um pouco mais que o recomendado, pois problemas vão surgir.”

Em casos como o da Sabrina, em que o aluno se sente lesado pela agência de intercâmbio contratada, o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Viega de Lima alerta que o procedimento possível é entrar na justiça contra a empresa assim que voltar para casa. “Como o serviço foi contratado no Brasil, não há o que se fazer em outro país”, explica.

Trent Keegan/Provision

Para evitar a dor de cabeça, Viega de Lima recomenda que sejam consideradas apenas empresas reconhecidas no mercado. “Com o sonho de querer fazer a viagem e a alta do dólar, as pessoas acabam contratando empresas que não são conhecidas por serem mais baratas. Mas o melhor é ir atrás de agências internacionais, por exemplo, que têm escritórios em vários países.”

Horas de lazer

Apesar de não haver muitas folgas entre as aulas, Sabrina conseguiu aliar os estudos ao turismo. Cidades como Cliffs, Connemara, Cork, Dublin e outros pequenos vilarejos irlandeses entraram no roteiro de viagens curtas que a jovem conseguiu fazer ao longo dos seis meses que morou no país. “Não podíamos tirar folgas, mesmo assim a escola indicava pacotes turísticos e promovia passeios com os alunos.”

 

Cuidado redobrado

O seguro de viagem é interessante para quem quer tranquilidade na hora de viajar, por garantir atendimento em caso de acidentes ou doença. Em alguns países, o seguro é obrigatório, como Irlanda e Austrália. Em outros, não há exigência, mas o serviço vale a pena, já que uma ida ao hospital no exterior pode custar uma pequena fortuna. Veja algumas empresas que oferecem seguro.

Assist Card
www.assistcard.com/br

Porto Seguro
www.portoseguro.com.br

Allianz Global Assistance
www.allianz-assistance.com.br

 

Queridinhos dos estudantes

Descubra quais são os locais mais escolhidos para fazer um intercâmbio, de acordo com um levantamento da agência CI Intercâmbio e Viagem. 

 

Canadá: 40%
Estados Unidos: 19%
Reino Unido: 12%
Oceania: 9%
Irlanda: 6%

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