EUROPA

Conheça Luxemburgo, cidade de castelos protegidos por gigantescas muralhas

Na confluência dos rios Alzette e Pétrusse, a cidade está incrustada sobre as falésias, onde cresceu, à sombra do castelo do Conde Siegfried, o fundador da Casa de Gibraltar do Norte

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postado em 27/03/2017 10:00 / atualizado em 22/03/2017 17:27

SanM/Flickr


No coração da Europa, implantado sobre elevadas falésias debruçadas sobre o Rio Alzette, o castelo do Conde Siegfried, das Ardenas, foi chamado, em 963, de Lucilinburhuc. Em saxão, “Pequena Fortaleza”. Apesar de a fortificação natural já ter sido identificada pelos romanos, que ali haviam edificado uma torre de vigília sobre a estrada entre Reims e Tréveris, foi, de fato, sob a proteção do castelo que, a partir do século 11, desenvolveu-se aquela que hoje conhecemos como Luxemburgo. Patrimônio da humanidade, a cidade antiga cresceu à sombra do castelo, em vale profundo, na confluência dos rios Alzette e Pétrusse. Guardada naturalmente pelos penhascos íngremes, com a sua expansão ao Norte, no século 15,foi levantado ao seu redor o primeiro circuito de muralhas. Essas evoluíram e se estenderam nos séculos seguintes, para acompanhar o crescimento da cidade e as necessidades de defesa introduzidas pelos novos armamentos de guerra.


A posição estratégica de Luxemburgo, na passagem da rota comercial e militar entre os territórios do Sacro Império Romano e do Reino da França, aliada às favoráveis condições topográficas de defesa da fortaleza, foram fatores centrais para que se tornasse uma das mais cobiçadas da Europa. No epicentro das guerras entre potências para consolidação e expansão de seus respectivos estados nacionais, foi reconstruída e reforçada entre os séculos 16 e o ano de 1867 — quando foi demolida — a cada novo jugo. Capturada em um ataque noturno pela Casa de Borgonha, em 1443, foi legada aos Habsburgos, em 1477, dentro da astuta fórmula mágica das uniões dinásticas: “Que outros guerreiem enquanto tu, feliz Áustria, concluis casamentos”. Passou pelo domínio espanhol e francês. Destes, incorporou a chamada Fortaleza Francesa, idealizada pelo marquês de Vauban, genial engenheiro militar, introdutor daquele que ficou conhecido como o estilo Vauban de fortificação, uma marca do absolutismo francês da era de Luís XV.

PIB
Até o Congresso de Viena, em 1815, que redesenhou as fronteiras da Europa depois das guerras napoleônicas, Luxemburgo esteve sob poderio da França, inclusive, foi anexada em 1795, no decorrer da Revolução Francesa. Na redivisão do continente, depois da derrota da França napoleônica, contudo, ao mesmo tempo em que recebeu o título de grão-ducado de Luxemburgo, a maior parte de suas terras foi confiscada e dividida entre belgas e holandeses. Anos depois, foi tomada pela Prússia, passando a integrar a Confederação Germânica.

Para além das ocupações militares alemãs nas duas grandes guerras, em 1914 e em 1940, na Idade Média, as tentativas para controlar essa posição militar — que hoje constitui um dos menores países do mundo, mas de maior PIB per capita — só cessaram em 1867, quando Luxemburgo se uniu à Revolução Belga em apoio às províncias do Sul do Reino dos Países Baixos, rebeladas contra a hegemonia protestante das províncias do Norte. O Tratado de Londres, firmado entre as potências europeias — Reino Unido, Império Austríaco, França, Reino da Prússia e Império Russo — e o Reino Unido dos Países Baixos garantiu a independência e a neutralidade da Bélgica, assim como a independência de Luxemburgo.

Apesar do desmonte de suas fortificações, Luxemburgo carrega o testemunho dos conflitos medievais europeus e a evolução da arquitetura militar e do conceito das fortalezas, a partir do desenvolvimento dos novos armamentos e equipamentos de guerra. As ruínas do castelo sobre a elevação rochosa, chamada de Bock, assim como vastos caminhos pelas muralhas e galerias subterrâneas — as casamatas —, portões e bastiões, ainda exibem as marcas dessa herança, que lhe conferiu, no século 18, a alcunha de “Gibraltar do Norte”.
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