CAVERNAS

Descubra a importância das cavernas para o turismo de aventura no Brasil

Seja qual for o abrigo escolhido, há muito o que ver do lado de dentro. Opções perto de Brasília, no Brasil e pelo mundo exibem lagos, cones calcários e dimensões impressionantes

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postado em 29/03/2017 20:00 / atualizado em 29/03/2017 15:22

Ricardo B. Labastier/CB/D.A Press

Não é por acaso que nossos antepassados eram chamados de homens das cavernas. Por muito tempo o ser humano viveu dentro de buracos de pedra para se proteger de animais ferozes, do sol e da chuva. A arte rupestre, lembrança mais preservada desse período, atrai curiosos e motiva pesquisas pelo mundo todo.

 

O interior das cavernas também guarda formações geológicas milenares, lagos e, dependendo do pé direito, até florestas. Para os turistas, visitar esses locais é uma boa maneira de se conectar com o passado pré-histórico, apreciar a engenhosidade da natureza e, se a intenção for jogar adrenalina no corpo, praticar esportes como rapel e mergulho.

 

O turismo de aventura motivou a visita de 15,7% dos 6,3 milhões de estrangeiros que vieram ao Brasil em 2015, segundo levantamento do Ministério do Turismo. Com tanta diversidade de paisagens, o país oferece múltiplas opções para quem quer experimentar desse estilo de viagem.

 

Os parques nacionais são um bom exemplo disso. Estão espalhados pelo território brasileiro e colecionam muitos exemplares de cavernas, cada um com sua peculiaridade, mas engana-se quem pensa que é preciso fazer uma expedição a terras longínquas para explorar um ambiente como esse.

 

» Buraco das Araras
A Itakamã Ecoturismo organiza viagens com saída de Brasília pela manhã e retorno no final da tarde. O pacote custa R$160 por pessoa e inclui transporte de ida e volta, rapel, equipamentos de segurança, lanterna, máscara e snorkel para praticar flutuação, além de acompanhamento de guias especializados, assistência de primeiros socorros e seguro para acidentes pessoais. Informações: (61) 98507-8001.

 

Silvio Quirino/Goiás Turismo

Perto de casa
Há locais próximos de Brasília, por exemplo, onde os abrigos feitos de pedra são a atração principal. A 125 km da capital, o Buraco das Araras fica em Formosa (GO), e é uma boa opção para passar o dia. Quem observa a área de cima vê um buraco em meio à rocha, coberto por vegetação. Trata-se de uma dolina — depressão em forma de funil que suge em solos calcários — com uma caverna no fundo. Para chegar à base, só descendo de rapel.


Outro lugar parecido com o Buraco das Araras é a dolina chamada de Stargate, dentro da qual há o Lago Azul, point de mergulhadores em Niquelândia (GO), a 140 km de Brasília. O bancário Guilherme Aguiar, 31 anos, visitou e mergulhou no local, que também é uma dolina, porém alagada.

 

Como mergulhador profissional desde 2003, ele prefere, é claro, ir a cavernas cheias d’água — dentro e fora do Brasil. Entre as nacionais, recomenda a da Mina da Passagem, em Mariana (MG). A caverna fica em uma antiga mina de ouro. “Indico também para quem não vai mergulhar. Há um passeio guiado e os turistas descem até a mina com um carrinho da época da exploração do ouro”, relata.

 

» Stargate

A dolina é completamente alagada. Dentro dela está o Lago Azul, uma das atrações mais importantes de Niquelândia. A 42 km do centro da cidade, o lago tem cerca de 300 metros de profundidade e estrutura em forma de cone, além de ser cercado por paredes de calcário. Por isso, é perigoso mergulhar ali sem ter experiência. O lago fica em uma propriedade particular.

 

Buraco norte-americano
Nos Estados Unidos, a caverna preferida do mergulhador fica na Flórida (EUA) e se chama Madison Blue. É uma das queridinhas entre os praticantes do esporte. Para entrar nos túneis subterrâneos 100% alagados, só com bastante experiência e em grupo. Durante o passeio a escuridão é total, mas com a ajuda de lanternas é possível tirar fotos das paredes douradas do interior.

 

Ainda há áreas sendo exploradas e mapeadas. Nos arredores, a infraestrutura é completa, já que a caverna fica dentro do Parque Estadual Madison Blue Spring. “As pessoas tomam banho nos rios, de onde têm acesso às cavernas, fazem churrasco, acampam e praticam atividades na água, como flutuação e mergulho”, indica Guilherme.

 

Florida FishWildLife/Flickr

Visita responsável

Além de serem bens da União, áreas de proteção permanente e constituírem patrimônio cultural, as cavernas abertas à visitação do público devem ter um plano de manejo espeleológico — documento que indique como a área pode ser explorada e qual é a estrutura necessária para tornar isso uma realidade. O turismo nesses locais é coisa séria. Precisa ser estudado e, principalmente, planejado, de acordo com a Resolução nº347 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

A preservação dos recursos naturais é uma inspiração para cuidar da própria segurança ao visitar uma gruta. A dica primordial é ir acompanhado de quem já conhece o lugar — um guia de turismo cadastrado.

Na hora de praticar esportes — que, dentro de uma caverna, envolvem riscos à vida — a atenção deve ser ainda maior. O bancário Guilherme Aguiar ficou dez horas dentro d’água, em uma caverna a 150 metros de profundidade, e dá dicas sobre os equipamentos necessários para a aventura. “Lanternas com bateria de maior duração, roupas de proteção (impermeáveis), já que a água é mais fria nas cavernas, além de objetos para marcar o caminho.” Sobre o medo, ele diz que não dá para ignorar. “É um medo que mantém vivo. Mas com treinamento adequado, tudo se resolve.”

 

 Itakamã Ecoturismo/Divulgação

Previna-se

Cada caverna tem suas regras de visitação, mas há dicas de segurança que valem para qualquer passeio. Confira:
» Vá acompanhado de um monitor ambiental ou guia de turismo credenciado
» Use calçados fechados com solado antiderrapante
» Para passeios curtos, usar roupas leves e confortáveis é suficiente
» Em passeios mais longos, vista macacão ou roupa impermeável
» Use capacete com fonte de luz
» Leve água suficiente para se hidratar durante a visita

Fonte: Sociedade Brasileira de Espeleologia 

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