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Conheça o Walled-Off, hotel israelita com a pior vista do mundo

O artista britâncio Banksy, famoso por não revelar a identidade, apresentou a sua nova criação, um hotel recheado de arte em Belém, nos Territórios Palestinos, vizinho ao muro construído por Israel

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postado em 01/04/2017 10:00 / atualizado em 29/03/2017 13:27

Walled-Off/Divulgação


“É a pior vista de um hotel do mundo”, reconhece o artista, que prefere o anonimato e na contramão da vida superexposta da era das redes sociais, não tem conta em nenhuma delas, não dá entrevista pessoalmente — só por e-mail — e muito menos se deixa fotografar. Ao contrário, denuncia a espíonagem na era da internet. A atitude dele alimenta rumores. O último deles sugeria que Banksy seria integrante da banda Massive Attack, também originária de Bristol, na Inglaterra.


O Hotel Walled-Off, erguido no interior de um edifício residencial vazio, tem quartos com vista para o muro, um símbolo concreto do conflito entre israelenses e palestinos. O nome do hotel é uma referência à rede de estabelecimentos de luxo Waldorf e ao muro, já que walled off significa “separado pelo muro” em inglês. São nove quartos, sete deles decorados por Banksy e dois por artistas canadenses e palestinos. Segundo o proprietário, trata-se de um hotel de arte, com instalações de banho funcionais e operado pela comunidade local.

 

Walled-Off/Divulgação


O diretor do hotel, Wissam Salsaa, afirma que não se trata apenas de um projeto artístico, é um hotel verdadeiro, com quartos para hospedagem que poderão ser reservados neste mês, a partir de US$ 30 a noite. Localizado a 500 metros do Posto de Controle de Jerusalém e a 1,6km de Belém, a região é considerada segura para turistas, de acordo com o conselho oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico. Um detalhe curioso é que Banksy criou o projeto, arcou com os custos de construção e entregou o hotel para ser explorado como uma empresa local independente.

 

O artista esclarece que o empreendimento não está ligado a nenhum movimento político ou grupo de pressão. O objetivo é contar a história do muro de cada lado e dar aos visitantes a oportunidade de fazer a própria análise. Os conflitos, o muro e os Territórios Palestinos são uma fonte de inspiração para Banksy, grafiteiro conhecido por suas obras anônimas em espaços públicos. Em 2015, por exemplo, entrou na Faixa de Gaza para pintar três obras nos muros do território devastado um ano antes por uma guerra entre o movimento palestino Hamas e Israel, a terceira em seis anos. Naturalmente, estava escondido.

 

Walled-Off/Divulgação
 

 

Protesto que brota em cores e traços

A proximidade com o muro desperta nos hóspedes — e nos visitantes eventuais — o desejo de deixar a sua marca na parede. Seja um protesto, uma mensagem de apoio ou um desenho, a verdade é que poucos resistem à oportunidade. Numa loja ao lado do hotel (Wall*Mart) há material para os interessados em registrar a presença. Lá, são vendidas tintas, pincéis e o cliente tem a oportunidade de receber dicas e orientações sobre os melhores locais para deixar a sua marca.

A pintura, no entanto, não é permitida, mas aceita. Muitos discutem sobre a validade desse tipo de ação. Uns acreditam que o fato de pintar o muro pode banalizar a existência dele, que passaria a ser considerado uma construção comum, banalizando o real significado de sua existência. Quem defende o protesto com as tintas acredita que quanto mais apoio contra o muro, melhor.

Walled-Off/Divulgação

 

O muro divide a Palestina do estado de Israel e impede a livre circulação de moradores dos dois lados. Os visitantes que chegam no aeroporto de Tel Aviv recebem uma autorização para visitar todos os locais e, portanto, podem fazer a travessia — ao contrário da população. Mas é preciso se informar, com antecedência, sobre dias e horários permitidos. Israel não exige visto de turistas, que podem ficar no território por até três meses.

Quem não quiser se hospedar no hotel com vista para o muro, pode visitá-lo. Desde o dia 11 deste mês, o museu e a galeria de arte do Walled-Off estão abertos das 11h às 19h30. Há, ainda, um piano bar que dispõe de alguns pratos até as 22h.

Serviço

  • Suítes variam de U$ 215 a U$ 265 a diária para o casal. Suíte presidencial: U$ 965
  • Uma opção para reduzir os custos é ficar em beliches separados por uma espécie de cortina, para uma pessoa. Cada acomodação custa U$60 por noite. O hotel oferece duas vagas para viajantes de baixa renda a partir de U$ 30 por noite.

Festival apresenta galeria a céu aberto

Uma das principais atrações do Paradox Street Art Festival (www. taurangastreetartfestival.nz/) em Tauranga, uma cidade litorânea na Baía de Plenty, Ilha Norte da Nova Zelândia, é a coleção Oi YOU!, que tem a mais extensa montagem das obras de Banksy no Hemisfério Sul. O festival, que reúne diversas manifestações artísticas como música e dança na sua programação, além de pinturas de paredes públicas, tem ainda gastronomia. Começou ontem e segue até 15 de junho.

Walled-Off/Divulgação


Reza a lenda que a Baía de Plenty, na ilha Norte, foi o local onde desembarcaram os primeiros habitantes da Nova Zelândia. Tauranga é a maior cidade e mais ensolarada. É o local perfeito para quem gosta de atividades em contato com a natureza, ao ar livre e esportivas. E está a apenas 15 minutos de carro de Mount Maunganu, uma das cidades mais badaladas da costa. Um dos passeios mais disputados é na água do mar, junto com os golfinhos.

No centro da cidade, é possível conhecer alguns pontos históricos e aproveitar para visitar o porto, que chama a atenção pelo movimento dos navios. Nos últimos anos, a região passou por um processo de modernização e atraiu a atenção dos comerciantes, que abriram diversos bares e cafés, restaurantes e casas noturnas, reunindo, principalmente, o público jovem em busca de diversão à noite.

 

Segurança não é problema

Uma grande preocupação dos turistas que viajam para a região é a segurança. Para garantir a tranquilidade dos hóspedes, o Walled-Off tem acesso direto às autoridades locais, proteção contra pânico, sistema de vigilãncia com câmeras e alarmes em todo o prédio. As portas são fechadas à meia-noite e há funcionários à disposição 24 horas por dia.  È claro que os visitantes precisam respeitar algumas regras, como não subir até o último andar do hotel — com acesso ao telhado, para observar sobre o muro, evitar bebidas alcoólicas e roupas que deixem o corpo muito exposto. E, sob nenhuma hipótese, se deve iluminar as torres de vigilância com lanternas ou canetas a laser.

A princípio, o hotel foi construído para marcar os 100 anos do controle britânico sobre a Palestina. A continuidade dependerá da taxa de ocupação do hotel. A construção é uma obra de arte de protesto. O hotel guarda diversas obras de artes, algumas muito valiosas. Por esse motivo, os quartos são minuciosamente vistoriados antes da partida do hóspede e também cobra uma taxa de segurança de U$ 1 mil no momento do check in.

 

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