TEMPLO

Primeira faraó do Egito descansa em imponente tumba no meio do deserto

O rio Nilo separa o templo de Hatshepsut do segundo maior complexo religioso do mundo, o Karnak. As tumbas de El Der El Bahari mostram a grandiosidade arquitetônica do Egito Antigo

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postado em 03/04/2017 10:00 / atualizado em 29/03/2017 16:27

harold$travel/Flickr

Na aridez do deserto, nas proximidades das terras do Rio Nilo, ergue-se o templo funerário de Hatshepsut, considerado um dos incomparáveis monumentos do Egito Antigo. Grandioso e imponente, chamado de Djeser-Djeseru, “o Sagrado entre os mais Sagrados", é tão espetacular quanto a rainha faraó, que leva o seu nome, considerada pelos egiptólogos a primeira e mais poderosa mulher da história de quem se tem informação, reinando por pouco mais de duas décadas, entre 1478 e 1458 a.C.

 

Encravado no Vale dos Reis, ao sopé de uma montanha escarpada, margem Oeste de Luxor, o Hatshepsut está separado pelo Nilo do Templo de Karnak, o segundo maior complexo religioso do mundo. Dali, as barcas sagradas de Amon, a consorte Mut e o filho Khonsu partiam para visitar os santuários da Necrópoles de Tebas.

 

Com uma tumba que desce à profundidade de 30 metros, terraços, pórticos, varandas, câmara das oferendas, capelas dedicadas ao deus Anúbis e à deusa Hathor, o Templo de Hatshepsut homenageia Tutmés 1 (1530-1520 a.C.), faraó e pai da rainha, o que legitimava o seu direito ao trono. Obra importante na civilização egípcia, insere-se no complexo monumental de El Der El Bahari (em árabe, “o convento setentrional”,) em referência à antiga comunidade cristã copta que se estabeleceu ali no século 7 d.C., salvando-o de sua destruição completa.

 

À esquerda do complexo está a necrópole do faraó Mentuhotep 1 e, ao fundo, na base da montanha, o Templo de Tutmés 3, enteado que sucedeu a Hatshepsut. Assim como as tumbas dos faraós no Vale dos Reis, a iconografia do templo de Hatshepsut dá ênfase à continuidade da vida do faraó em comunhão com os deuses e a sua vitória sobre a morte. Pelos terraços, três cenas destacam grandes feitos: o transporte de dois obeliscos erguidos no Templo de Amon-Rá, em Karnak; a expedição comercial enviada às terras de Punt, atualmente Somália; e o nascimento divino da rainha.

 

HCLM/Flickr

Embora quase 1.500 anos antes Sobekneferu seja considerada a primeira mulher faraó do Egito Antigo, o reinado de Hatshepsut está entre os mais bem-sucedidos, pela prudência, longevidade e sabedoria com que conduziu os negócios do Estado a partir de 1478 a.C., quando assumiu o trono como regente, ao lado do enteado Tutmés 3, de apenas 2 anos. A princípio, testou as suas alianças e os limites impostos às mulheres pela sociedade egípcia, que, inclusive, impediram-na, por ocasião da morte de seu pai, de assumir o trono.

 

Fortaleceu-se em apoios junto aos sacerdotes, antes de se proclamar primogênita do deus Amon, a sua substituta na Terra. Na comunhão entre o divino e o poder do rei, assegurado por aquele estado teocrático, a partir de então, Hatshepsut assumiu o poder absoluto e passou a se apresentar como faraó, adotando o costume exclusivo da barba postiça — que tinha o mesmo significado da coroa para os reis.

 

Em seu reinado, promoveu a inovação administrativa, inúmeras obras arquitetônicas e a expansão comercial do Egito. Diz o ditado egípcio que o mundo teme o tempo, mas este tem medo das pirâmides. Milênios se passaram até que a arqueologia reabilitasse, perante a história Hatshepsut, a filha de Amon. Mas ao passar pelo Vale dos Reis, diante do templo da rainha fararó, Mário Quintana terá a palavra: “O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente...”

 

* Viajou a convite da Gol, Air France-KLM e The Leading Hotels of the World

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